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A ascensão de Trump e a importância do Brics para uma nova ordem mundial

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Desde a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, o mundo está em suspense com as várias medidas propostas pelo líder estadunidense.

Julio Cesar de Freixo Lobo*

A proposta de criar um muro na fronteira com o México e a exacerbação do ódio aos imigrantes estrangeiros foram a expressão da era Trump no governo do país mais rico do planeta. A reforma tributária aprovada no Congresso dos EUA que anistia e isenta os mais ricos de bilhões de impostos do governo federal é uma clara demonstração do sentido de classe da administração republicana.

Outras medidas tomadas por Trump, como a saída do país de vários acordos comerciais na Ásia e com os parceiros do Nafta, criaram um mal estar na comunidade internacional. A última jogada do presidente dos EUA é criar uma guerra comercial com o resto do planeta ao taxar o aço e o alumínio importados em 25% e 10%, respectivamente. O reconhecimento pelos EUA de Jerusalém como capital do Estado de Israel, tomado unilateralmente pela administração republicana, e a retirada dos EUA de vários órgãos da ONU, como a Unesco, foram capítulos da ascensão de um xerife do velho oeste no comando da nação mais poderosa do mundo.

Os efeitos colaterais dos trilhões de dólares injetados no sistema financeiro na crise das Sub-Prime em 2008 ainda estão pairando sobre o sistema capitalista. A oligarquia financeira não tem como usar estes recursos na atividade produtiva e por isso os chamados ativos tóxicos são como o lixo colocado embaixo do tapete. O novo golpe para os investidores mal informados criado pelos banqueiros são as chamadas criptomoedas, ou moedas virtuais, que não têm garantia nenhuma para quem investe neste produto e que está sendo subsidiado pelos estados para liberar o dinheiro até então usado na salvação do sistema financeiro.

Se esta soma de trilhões de dólares for liberada na economia vai haver um excesso de liquidez no mercado e para diminuir esta oferta de recursos terá que haver uma grande elevação das taxas de juros. Os países do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) podem se beneficiar com este cenário tentando canalizar os capitais voláteis para atividades produtivas como tão inteligentemente faz a China com o seu modelo ‘um país, dois sistemas’. O Brasil, com a aliança com os Brics, articulada brilhantemente pelo governo do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma, pode receber uma parte deste dinheiro através do Banco do Brics com uma nova inserção global na economia.

Com o potencial de recursos naturais e pelo tamanho da sua economia, o Brasil pode ser um novo Player na comunidade internacional. Agora o novo desenvolvimento do Brasil passa necessariamente por maiores investimentos para uma melhor qualidade de vida da população do país, para que tenha capacidade de consumir e atender necessidades básicas como saúde, educação e que tenha um mínimo de segurança alimentar e ambiental.

Publicado originalmente no Jornal Inverta


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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