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Ação nos EUA busca dar asilo a famílias imigrantes separadas à força por Trump

Atualmente, há 500 e 1.500 crianças separadas de suas famílias, consequência do programa anti-imigrantes do ex-presidente republicano
Jim Cason
La Jornada
Washington

Tradução:

Milhares de famílias migrantes separadas à força pelo governo de Donald Trump ao cruzar a fronteira entre 2017 e 2018 poderiam obter o direito de permanecer e trabalhar nos Estados Unidos e solicitar asilo como parte de uma solução negociada com o governo de Joe Biden por meio de uma demanda legal coletiva. 

A solução negociada com o governo federal da demanda legal coletiva interposta em nome de milhares de famílias, afetadas pela política de Trump de separar à força menores de idade de suas famílias que cruzaram a fronteira sem documentos e foram encarcerados enquanto as crianças eram enviadas a albergues e lares por todo o país, beneficiará aos afetados embora centenas de crianças só tenham sido reunidas com seus familiares cinco anos depois de terem sido separados. 

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Crianças são vítimas do histórico terrorismo de estado dos EUA fortalecido por Trump

Entre 500 e 1.500 das milhares de crianças arrancadas dos braços de suas famílias – calcula a União Americana de Liberdades Civis (ACLU), organização que encabeçou a luta legal contra estas medidas – estão inclusas na demanda coletiva. Em muitos casos, não se pode localizar as crianças ou as famílias porque as autoridades não registraram com precisão o destino e paradeiro delas. Muitas famílias foram deportadas sem conseguir se comunicar com seus filhos separados.  

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Cerca de 4 mil crianças (não se sabe a cifra exata) foram separadas sob essa medida que, ao ser conhecida, provocou protestos e repúdio dentro e fora dos Estados Unidos (embora vários governos tenham guardado silêncio) e demandas legais que obrigaram o governo de Trump a suspender esta parte de sua política anti-imigrantes.

Atualmente, há 500 e 1.500 crianças separadas de suas famílias, consequência do programa anti-imigrantes do ex-presidente republicano

Foto: Peg Hunter/Flickr

"Acordo facilitará a reunificação de famílias separadas e lhes outorgará serviços críticos para sua recuperação”, afirma o procurador-geral




Acordo beneficiará vítimas da política trumpista

O acordo, se for finalmente aprovado pelo juiz Dana Sabraw, encarregado do caso e que declarou ilegal a medida de separação de Trump em 2018, permitiria que as famílias afetadas possam residir e trabalhar nos Estados Unidos enquanto esperam a determinação de seus casos de asilo.

O acordo também outorgará acesso a assessoria legal e serviços de saúde médica e mental para as famílias beneficiadas, e assistência para moradia. Aquelas famílias afetadas que tiveram o asilo negado anteriormente, agora poderão solicitá-lo novamente. Calcula-se que o acordo beneficiará aproximadamente a 3.900 famílias. 

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“Este acordo facilitará a reunificação de famílias separadas e lhes outorgará serviços críticos para sua recuperação”, declarou o procurador-geral dos Estados Unidos, Marrick Garland, ao ser anunciado o acordo.


Política abominável

Lee Gelernt de ACLU, o principal advogado deste caso e a figura legal mais proeminente na luta contra essa política e suas consequências, comentou à mídia que “embora nunca possamos reparar o dano intencionalmente causado a estas pequenas crianças, isto é um início essencial”.

Acrescentou que o acordo não “apagará a mancha dessa política abominável”, mas pela primeira vez aqueles que padeceram dela terão a oportunidade de permanecer neste país. Ressaltou que como parte do acordo, o governo será proibido de empregar a separação de famílias imigrantes no futuro.

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650 crianças separadas dos pais pelo governo Trump ainda não reencontraram suas famílias

Nenhuma medida poderá restabelecer a chamada “política de zero tolerância” sob a qual o governo de Trump separou menores de seus pais na fronteira. Este ponto dentro do acordo tem um prazo de vigência de oito anos. 

Gelernt e outros, incluindo uma equipe de trabalho estabelecida por Biden ao chegar à presidência, continuam buscando localizar pais que foram deportados por Trump e que ainda não conseguiram reunir-se com seus filhos separados. A equipe de trabalho de Biden conseguiu reunificar aproximadamente 750 famílias desde 2021, reportou a CBS News. 

Ao mesmo tempo, ainda prossegue uma multidão de demandas legais contra o governo federal, muitas das quais solicitam compensação monetária pelos danos que sofreram por esta política.

Jim Cason e Davis Brooks | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Jim Cason Correspondente do La Jornada e membro do Friends Committee On National Legislation nos EUA, trabalhou por mais de 30 anos pela mudança social como ativista e jornalista. Foi ainda editor sênior da AllAfrica.com, o maior distribuidor de notícias e informações sobre a África no mundo.

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