Pesquisar
Pesquisar
“Enquanto Washington ameaça, a Venezuela avança com firmeza em paz e soberania”, afirmou o governo da Venezuela em nota. (Foto: Presidência da Venezuela / X)

Ameaças e ofensiva bélica revelam desespero dos EUA, afirma Venezuela

Ainda segundo o governo chavista, ações “não apenas afetam a Venezuela, mas colocam em risco a paz e a estabilidade de toda a região”

Ángel González
La Jornada
Caracas

Tradução:

Tradução: Beatriz Cannabrava

Com um comunicado oficial, o governo venezuelano respondeu às ameaças provenientes dos Estados Unidos, isto é, ao anúncio do envio de uma frota de guerra às águas do Caribe Sul, ao norte da Venezuela. A mobilização estadunidense, alega Washington, visa combater cartéis do narcotráfico na América Latina.

Em Caracas, no entanto, não se enxerga dessa forma. O documento divulgado pelo chanceler Yván Gil aponta os gestos como sinais de “desespero da administração estadunidense, que recorre a ameaças e difamações” contra o país sul-americano. Além disso, alerta que essas ações “não apenas afetam a Venezuela, mas colocam em risco a paz e a estabilidade de toda a região”.

O comunicado também desconsidera as ameaças e movimentações da Casa Branca, afirmando que o que as mesmas revelam é a incapacidade de os EUA dobrarem o governo bolivariano.

“Enquanto Washington ameaça, a Venezuela avança com firmeza em paz e soberania, demonstrando que a verdadeira eficácia contra o crime se alcança respeitando a independência dos povos”, enfatizou a chancelaria na nota.

Na terça-feira (19), ao responder a uma pergunta sobre o envio naval, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que a administração de Donald Trump “está disposta a usar todo o poder dos Estados Unidos para impedir a entrada de drogas” nos EUA “e levar os responsáveis à justiça”. Também enfatizou que Washington não reconhece o governo de Nicolás Maduro como “legítimo na Venezuela”, mas sim como um “cartel narcoterrorista”.

Da ameaça à ação bélica

Já na segunda-feira (18), a agência de notícias Reuters publicou que pelo menos três destróieres estadunidenses (navios de guerra) com mísseis guiados Aegis chegariam à zona sul do Caribe nesta semana. Além disso, foi divulgado que esse envio de artilharia naval viria acompanhado da mobilização de pelo menos 4.500 efetivos. O argumento utilizado é de que são necessárias manobras desse porte para perseguir organizações de narcotráfico que foram classificadas por Washington como terroristas e, portanto, representam uma ameaça à sua segurança nacional.

Assine nossa newsletter e receba este e outros conteúdos direto no seu e-mail.

Os navios mobilizados, segundo a mesma agência, são: Gravely, Jason Dunham e Sampson. Analistas apontam que não havia um deslocamento semelhante desde a invasão do Panamá, em 1989.

No mesmo dia, o presidente Nicolás Maduro condenou o fato de os Estados Unidos recorrerem a falsas acusações de narcotráfico para tentar violar a soberania da Venezuela e derrubar seu governo.

“Nossos mares, nossos céus e nossas terras são defendidos por nós; foram libertos e são patrulhados por nós; nenhum império virá tocar o solo sagrado da Venezuela, nem deveria tocar o solo da América do Sul”, declarou.

Prevenção e segurança

Na terça-feira (19), Maduro liderou um ato de reforço dos dispositivos policiais em Caracas, a capital venezuelana. A rede de mobilização dos corpos de segurança se chama “Quadrantes de Paz” e consiste na distribuição de equipes de atuação específica para cada uma das 299 zonas em que foi dividido o território da cidade.

Essas equipes incluem ligação com as organizações comunais de cada setor e com a Força Armada Nacional Bolivariana. Dessa forma, busca-se detectar e enfrentar qualquer ameaça que possa surgir.

Maduro ressaltou que a medida se baseia no princípio estratégico da “união perfeita entre povo, forças armadas e polícia”. “Essa aliança indissolúvel entre o povo organizado e os corpos de segurança do Estado entra agora numa nova fase de expansão”, afirmou.

Além disso, também na terça-feira (19), foi publicada uma disposição que “suspende e proíbe, em todo o território nacional, compra, venda, fabricação, importação, distribuição, instrução, capacitação, adestramento, registro e operações de voo de Aeronaves Pilotadas à Distância (RPA), sejam remotamente pilotadas ou não, bem como aeromodelos, suas partes e componentes”. A medida tem validade de 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período.

Ameacas e ofensiva belica revelam desespero dos EUA afirma Venezuela 2 e1755881551370
Recentes mobilizações lideradas por Maduro se baseiam no princípio estratégico da “união perfeita entre povo, forças armadas e polícia” (Foto: Presidência da Venezuela / X)

A resolução foi publicada na Gaceta Oficial nº 6.927, datada de 18 de agosto de 2025, e justifica a suspensão das operações com drones na Venezuela com a necessidade de “proteger o povo venezuelano diante de qualquer ameaça interna ou externa pelo uso inadequado de objetos que se deslocam ou se sustentam no ar, os quais representem risco para a defesa integral do território nacional e demais espaços geográficos da República Bolivariana da Venezuela”.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul Global – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Ángel González Correspondente do La Jornada em Caracas.

LEIA tAMBÉM

Venezuela em Foco #11 Soberania nacional x interesses externos
Venezuela em Foco #11: Soberania nacional x interesses externos
Quantas leis internacionais os EUA violaram ao invadir a Venezuela e sequestrar Maduro
Quantas leis internacionais os EUA violaram ao invadir a Venezuela e sequestrar Maduro?
GEDSC DIGITAL CAMERA
O mito da integração Mercosul–UE e a reprodução das hierarquias coloniais
Apresentação de “Operação Condor” no Encontro Nacional da Educação dá início oficial às gravações (2)
Apresentação de “Operação Condor” no Encontro Nacional da Educação dá início oficial às gravações