Hugo Chávez e a maravilhosa ditadura de Niño Arañero, o Garoto da Aranha

Quanta ousadia deste "ditador", ao saltar grades! Quanta insolência ao levantar sua voz! Quanta falta de vergonha ao atrever-se a colocar o povo para pensar!

Ilka Corado

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Imaginemos uma ditadura na qual o malvado ditador seja o responsável pela criação de uma Feira Internacional do Livro, como centro de tortura e que, como estratégia de sua tirania, também seja o fundador de uma editora que abra espaços aos marginalizados não apenas de seu país, mas do mundo inteiro. Que malvadeza deste ditador ao promover o hábito da leitura como forma de extermínio em massa!

Bom, isto não é um conto de ficção, esse “ditador” bonachão, carinhoso, paisano, generoso e provinciano comandou uma revolução capaz de mudar a história de todo um continente. Como? Sim, uma revolução cultural de todo um continente.

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Que imensa foi a contribuição à humanidade de Hugo Chávez, el Niño Arañero, do meu coração.

Esse “tirano” desde sua infância "entendeu tudo", pois marginalizado como milhões no mundo, cresceu vendendo doces de mamão nas ruas, doces preparados por sua avó. Esse “déspota” soube desde criança o que era a necessidade, a sobrevivência, o sacrifício e o caminho árduo. A esse “tirano” nada foi dado gratuitamente, e assim, desde criança lutou contra a exclusão e em sua resistência manteve acesa nas profundezas de sua alma campesina, a chama dos sonhos e das utopias que aquecem o espírito nos tempos de adversidade.

Demasiado sonhador este Niño Arañero (Garoto da Aranha, em tradução livre)* para ser um pária. Afinal os párias não têm direito aos sonhos, pelo contrário os párias, trabalham duro, calejam as mãos, racham os pés, arrebentam a comissura dos lábios na seca da vida e da exploração e apodrecem nos dejetos dos esgotos: milenarmente discriminados.

Quanta ousadia deste ditador, ao saltar as grades! Quanta insolência ao levantar sua voz! Quanta falta de vergonha ao atrever-se a pensar! Quanta grosseria ao utilizar o livre arbítrio como uma arma de guerra! Afinal, os párias não têm direito nem aos sonhos e muito menos ao pensamento crítico e à arte!

Esse menino marginalizado, relegado à invisibilidade, que deveria ter apodrecido nas entranhas das minas, que deveria ter sido eliminado nas limpezas sociais, semeou com suas próprias mãos raízes de crisântemos, de pau de ´água e de cacau, cantou junto às cigarras e os grilos a melodia da liberdade; invocando os povos do mundo a unir-se à revolução cultural. A revolução do povo para o povo em que retumba nas águas das quebradas e nos sorrisos das crianças que acariciam seus avós: refúgios de sabedoria.

Esse “tirano” soube abrir os caminhos aos marginalizados do mundo e criou a Feira Internacional do Livro da Venezuela (FILVEN) e a Editorial El Perro y la Rana, como coluna vertebral da revolução cultural venezuelana, e daí por diante...

Que maravilhosa ditadura é esta, ficamos felizes de tê-la na América Latina e no Mundo. Que imensa foi a contribuição à humanidade de Hugo Chávez, el Niño Arañero, do meu coração.

 

* Niño Arañero – apelido de Hugo Chávez que na infância vendia doces de mamão de formado semelhante ao das aranhas, preparados por sua avó.

** Colaboradora de Diálogos do Sul, desde Estados Unidos

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