Prensa Latina

Eleições Argentinas: Macri e Cambiemos sofrem oitava derrota consecutiva em 2019

A vitória do peronismo de ontem em Córdoba, com quase três milhões de cidadãos habilitados para votar, serve como termômetro para o que se aproxima

Enquanto muitos se perguntam se Cristina Fernández apresentará sua pré-candidatura às presidenciais, na Argentina se sente hoje o ambiente político e as fichas começam a se mover, faltando três meses das primárias conhecidas como PASSO.

As chamadas Primários, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (PASSO), que se realizarão em 11 de agosto, serão a primeira prova de fogo onde se enfrentarão as listas daqueles que esperam conquistar um cargo no Congresso nacional e nas legislaturas provinciais.

Ontem foi mais um dia para medir forças em uma das regiões de maior importância, a província de Córdoba, onde o candidato peronista e atual governador, Juan Schiaretti, ganhou por ampla margem com mais de 60%.



Schiarretti deixou bem para trás o candidato apoiado pelo presidente Mauricio Macri, Mario Negri (de Córdoba Cambia), que ficou em um distante segundo lugar com pouco mais de 17% dos votos e ao representante da União Cívica Radical, Ramón Mestre, que ocupou o terceiro com cerca do 12%.

Segundo a jornal Página 12, estes resultados representam a oitava derrota consecutiva até agora em 2019 para o Cambiemo, aliança no governo que levou Macri à presidência em 2015.

E é que o setor dirigente até o momento perdeu a interna em La Pampa - que abriu o calendário eleitoral - as PASSO de Chubut, Entre Ríos, San Juan, as eleições a governador em Rio Negro e Neuquén e a interna em Santa Fé.

Para muitos, a vitória do peronismo de ontem em Córdoba, com quase três milhões de cidadãos habilitados para votar, serve como termômetro para o que se aproxima em 11 de agosto.

Nos últimos dias, o Governo confirmou a data das primárias e as presidenciais de 27 de outubro, e também adiantou que este ano não haverá eleição para deputados do Parlasul (Parlamento do Sul).

Através de um decreto publicado no Boletim Oficial, se oficializaram as datas de 11 de agosto para as PASSO e 27 de outubro para as eleições gerais, e se houver segundo turno, seria 24 de novembro.

Enquanto o Governo traça estratégias e trabalha pela reeleição de Macri, nas províncias já se sente o movimento e várias são as alianças para lutar por um lugar tanto no Congresso Nacional, como nas governações, legislaturas e outros cargos.

Além do presidente e vice-presidente, os argentinos terão que eleger 130 deputados e 24 senadores e outros cargos provinciais em um momento complexo político e economicamente.

Os admiradores da ex-presidenta e hoje senadora pela Unidade Cidadã, Cristina Fernández - quem na semana passada protagonizou a apresentação de seu primeiro livro, ˜Sinceramente, rodeada de uma multidão que pedia sua candidatura - estão na expectativa para ver se ao final ela disputará. Há outros que vão tecendo propostas como os já confirmados pré-candidatos Felipe Solá, do partido justicialista pela frente Rede x Argentino e o economista Roberto Lavagna, que ainda tece propostas com outros setores políticos.

Também aparecem como futuros pré-candidatos o líder da Frente Renovadora, Sergio Massa, o governador de Salta, Juan Manuel Urtubey, e o senador Miguel Angel Pichetto, estes três pela Alternativa Federal, e José Luis Espert pela Frente Despertar.

Em um país polarizado na política, até agora não há favoritos. Enquanto um setor continua apostando pelo Governo atual, outro grupo amplo reflete incerteza e descontentamento e sua maior preocupação hoje é a situação econômica imperante.

Esse será o maior desafio adiante para quem assumir as rédeas de um país que nestes momentos está em crise, com uma dívida de 57 bilhões de dólares contraída com o Fundo Monetário Internacional e uma divisa estadunidense instável, que tem desvalorizado profundamente o peso nacional, elevando a inflação.



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