Revista Fórum

Após ataques a Bachelet, Bolsonaro desperta a ira de parlamentares no Brasil e no Chile

Fala desastrosa foi resposta à crítica feita por Bachelet ao dizer que Brasil sofre uma "redução do espaço democrático"

Depois de defender golpe no Chile e atacar o pai da alta comissária da ONU para direitos humanos e ex-presidente Michelle Bachelet, Jair Bolsonaro (PSL) voltou a despertar a ira de parlamentares dentro e fora do Brasil nesta quarta-feira (4).

Na Câmara dos Deputados, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA) manifestou sua indignação e solidariedade à Bachelet na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Casa.

“É muito grave quando o próprio Presidente da República se dirige a uma mandatária, de expressão internacional, de um organismo como a ONU, usando um tema extremamente grave para aquele país, mas que a todos nos toca, que é a tortura e a ditadura”, afirmou.

Sâmia Bonfim (PSOL-SP) aproveitou o espaço nas redes para mostrar seu constrangimento.

“Jair Bolsonaro já ofendeu a memória de muitas famílias de torturados e desaparecidos pela ditadura no Brasil. Agora, está internacionalizando seu ódio até para a família da ex-presidente chilena Bachelet. Além de mentiroso e incompetente, é um homem perverso”, disse.

Companheiro de partido, o também deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), declarou sua revolta ao comportamento do chefe de estado brasileiro.

“Mais uma vez Bolsonaro mostra sua baixeza moral ao exaltar assassinos, torturadores e ditadores. Após ser criticado pela comissária da ONU, Michelle Bachelet, o presidente atacou o pai da ex-presidente chilena, assassinado pela ditadura Pinochet”, disse.

Já a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que é preciso conter o atual presidente. “Brasil não pode ser governado por um repugnante. Por valores humanos essenciais é preciso expelir Bolsonaro. Solidariedade Bachelet #bachelet”.

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A cada pronunciamento, o capitão reformado amplia o número de desafetos e corrói a imagem do Brasil no exterior

Parlamento chileno também reage

Integrantes do Parlamento chileno também não deixaram passar. A senadora eleita para a Região de Valparaíso, Isabel Allende Bussi, declarou no Twitter seu apoio às recentes críticas feitas pelo presidente francês.

"Quanta razão tinha Macron quando disse que o povo brasileiro não merece o Presidente que tem, porque é um miserável com suas declarações ao general Bachelet e ao defensor da ditadura de Pinochet que, além de graves violações dos direitos humanos, acabou enriquecendo”, escreveu.

Deputado eleito pela mesma região de Valparaíso, Marcelo Díz, definiu como “baixeza moral” a declaração de Bolsonaro. “Esse é o tipo de personagem pelo qual alguns correm para tirar fotos”, lamentou.

Prefeito da cidade de Recoleta, na região metropolitana de Santiago, Daniel Jadue classificou “gravíssimas” as declarações de Bolsonaro e afirmou que elas “atentam contra a democracia”. O Prefeito pediu que o atual presidente chileno, Sebastián Piñera “condene as falas, que não são outra coisa senão apologia à violência política que tanto dano causou ao país”.

Depois de ironizar a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, o presidente brasileiro usou o Twitter para criar mais uma saia justa internacional, ligando o nome de Bachelet ao atual presidente Emmanuel Macron. “Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares”, escreveu.

Esta tarde, em resposta ao presidente brasileiro, Piñera, representante da direita chilena, afirmou em vídeo que não “compartilha, em absoluto” com a opinião emitida por Jair Bolsonaro “em relação a um tema tão doloroso quanto à morte do pai de Michelle Bachelet” e que é “público e permanente” seu compromisso com a democracia, com a liberdade e com o respeito aos direitos humanos em todos os tempos, todos os lugares e em todas as circunstâncias”


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