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Considerações no calor da hora sobre o golpe de Estado na Bolívia contra Evo Morales

Derrocada do governo popular contou com participação da CIA e com o dedo de Bolsonaro, que representa o subimperialismo títere aos EUA

Carlos Eduardo Martins

Diálogos do Sul Diálogos do Sul

Rio de Janeiro (RJ) (Brasil)

Há tempos vimos dizendo que a globalização neoliberal acabou e que o centro político desapareceu na América Latina, desde 2015. O esgotamento dos fluxos internacionais de capitais, a inversão dos ciclos das commodities e a decadência mundial dos Estados Unidos impulsionaram a reação burguesa interna e Yankee contra a ampliação dos direitos sociais e a vinculação da região a um novo eixo geopolítico global, centrado na China, na Russia, nos BRICS e no projeto de um Sul Global.

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O Golpe de hoje na Bolívia é mais um capitulo de um processo caótico que vai tomando conta da região, onde tenta-se impor a Doutrina do Destino Manifesto e o poder das velhas oligarquias contra as tendências profundas do século 21.

Se os golpistas imaginam ter sono tranquilo estão enganados. As lutas sociais no Chile, Equador, Argentina assim o demonstram. Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho são a mescla da volta do neoliberalismo de Sanches de Losada, com o fascismo de Hugo Banzer e Augusto Pinochet.

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Luis Fernando Camacho entra no palácio do governo e ora diante de uma bíblia

As lutas nacionais se internacionalizam com enorme rapidez na América Latina. No golpe de Estado na Bolívia está presente, além da CIA, o dedo do governo de Jair Bolsonaro, que representa o subimperialismo títere aos Estados Unidos. 

É preciso lutar solidariamente por cada palmo de avanço social e político na América Latina. È preciso garantir a posse de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, na Argentina. Vivemos em Estados nacionais de uma única Patria Grande. Esta é uma realidade objetiva, pois é assim que o imperialismo nos nomeia no mundo.

Do golpe boliviano se apreende algumas lições: 

1) É preciso não dar nenhuma brecha ao Lawfare. Foi um erro insistir na quarta candidatura de Evo; 

2) Não adianta tentar conciliação com a direita em nome de um pacto de governabilidade. Entregar Césare Battisti para Bolsonaro e chamar a participação da OEA no processo de observação nas últimas eleições só enfraqueceu a esquerda e cedeu campo para a ofensiva neofascista

3) A democracia liberal é uma ilusão do capitalismo. Não existe neste sistema um regime onde os governos e as políticas se decidam rigorosamente por formação de maiorias que compitam dentro das regras institucionais. Casos muito específicos apenas confirmam a regra geral. Se o socialismo ainda não conseguiu atingir um modelo deste tipo, o capitalismo muito menos, apesar de reivindicá-lo como exclusividade sua. 

A democracia liberal é uma concessão com muitas limitações. Toda vez que o ativismo social ameaça certas estruturas do poder, coloca em crise o sistema político. Este é um tema que pretendo desenvolver proximamente. Se Giovanni Arrighi escreveu sobre a Ilusão do desenvolvimento, é preciso escrever também sobre a Ilusão da democracia.

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