Fonte: Winkiemidia

Integração regional retoma folego com relançamento da CELAC

O México assumiu na quarta-feira, 8 de janeiro, o compromisso de relança a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC)

Com uma reunião de chanceleres e vice-chanceleres de 29 dos  33 países da América Latina e do Caribe, o México assumiu naquarta-feira, 8 de janeiro, o compromisso de relançamento da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), com a intenção de fortalecer este organismo e consolidá-lo como o instrumento mais poderoso da região.

A sessão inaugural, na qual o México assumiu a presidência pro tempo da Celac para 2020, contou com a presença de
todos os organismos de cooperação e integração da região e com a ausência do Brasil, do regime de facto da Bolívia e de
dois países mais que não puderam chegar por dificuldades climatológicas.O chanceler mexicano Marcelo Ebrard declarou que “foi uma reunião cordial, de muito respeito”, centrada não nos temas
políticos, “que já são discutidos em outros fóruns e instâncias” mas em aspectos concretos nos quais há acordo e interesse
comum. “O fato de poder reunir-nos e escutar-nos, depois de bastante tempo sem fazê-lo, é em si mesmo um êxito”, declarou.

Fonte: Winkiemidia
Presidentes da CELAC de Caracas de 2011

Ebrard delineou os 14 ambiciosas projetos que deverão ser cumpridos sob a presidência anual do México como criar uma
metodologia própria da Celac contra a corrupção, fortalecer a cooperação internacional e aeronáutica, levar a cabo compras consolidadas em comum, gestão sustentável dos recursos oceânicos e impulsionar uma Ação Turística Comum.

Além disso, gerar importantes economias para os países da Celac através de compras consolidadas em bloco, formar equipes regionais em matéria de gestão integral de riscos e desastres, avançar no relativo à Ciência e Tecnologia e avançar em um monitoramento sobre a resistência aos antimicrobianos.

Um dos projetos mais complexos tem que ver com a cooperação aeroespacial de forma a enviar um satélite latino- americano e caribenho ao espaço em 2020. O México propôs, também, a realização de um Fórum Ministerial Celac-China, a criação de um órgão de governabilidade e do Prêmio Celac contra a desigualdade e a pobreza, além da concertação política regional e intervenções conjuntas nos fóruns multilaterais.

Diante do panorama de quebra dos laços intrarregionais de acordo aos interesses dos Estados Unidos, de recolonização e imposição de programas econômicos e sociais à medida do capital transnacional, e em meio de uma onda de sublevação contra as medidas neoliberais, o resgate da Celac reabre a possibilidade de pensar e atuar juntos aos países latino- americanos e caribenhos, em um fórum onde não participam os Estados Unidos nem o Canadá. Um espaço em que se maximizem as coincidências entre os países da região, além de suas divergências, para projetá-las no plano internacional e fortalecer o Caribe e a América Latina no mundo. Por isso o acordo de encontrar uma agenda comum para a semana de alto nível da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas que será realizada em setembro deste ano.

O ex-presidente colombiano e ex-secretário geral da Unasul, Ernesto Samper, assinalou que a Celac é um ponto de chegada muito importante para todos os processos de integração da região.

“Trata-se de organizar através de uma política de convergência, que todos estes esforços terminem sob o guarda-chuva grande da Celac que, para pôr em termos gráficos, é uma OEA sem Estados Unidos nem Canadá. É o nosso, nossa casa, o conceito original da “casa grande’”, indicou.

Voltar à zona de paz

Há cinco anos, a CELAC, reunida em sua segunda Cúpula em Havana, declarava a América Latina e o Caribe como Zona de Paz, e recalcava o propósito da integração como meio para uma ordem internacional justa, promovendo uma cultura de paz que excluísse o uso da força e dos meios não legítimos de defesa, entre esses as armas de destruição em massa e, em particular, as armas nucleares.

Então se destacavam princípios como a “obrigação de não intervir, direta ou indiretamente, nos assuntos internos de qualquer outro Estado e observar os princípios de soberania nacional, a igualdade de direitos e a livre determinação dos povos”, o respeito ao “direito inalienável de todo Estado a eleger seu sistema político, econômico, social e cultural, como condição essencial para assegurar a convivência pacífica entre as nações”.

Muito tem mudado na região no último lustro e os princípios enunciados então não foram ouvidos e foram invisibilizados por uma Organização de Estados Americanos (OEA) a serviço das estratégias e interesses dos Estados Unidos, em especial no que se refere à derrocada de governos progressistas (Brasil, por exemplo) e a eliminação do “vírus bolivariano”.

A estratégia de Washington foi desarmar a trama de organismos de integração e cooperação da região, como a União de Nações Sul-americanas (Unasul) e o enfraquecimento total do Mercado Comum do Sul (Mercosul). E quando a OEA não foi suficiente, o governo dos Estados Unidos criou o Grupo de Lima (de seus governos aliados-cúmplices), com as baterias postas contra o governo constitucional da Venezuela, mas também de Cuba, Nicarágua e Bolívia.

A “democracia” à estadunidense tratou, da mesma forma, de criar governos paralelos em países onde não conseguiu derrocar os constitucionais, através das figuras de presidentes autoproclamados, como o venezuelano Juan Guaidó ou a boliviana Jeanette Añez, aos quais brindou apoio logístico e financeiro.

Estes fatos se enquadram em uma guerra multidimensional contra os projetos populares de emancipação, na qual os Estados Unidos, outrora de indiscutida hegemonia, envolvido em uma luta sem quartel por não perder sua primazia, empreendeu um ataque furibundo contra mecanismos de integração regional como a Unasul, a ALBA-TCP, a PetroCaribe e a Celac, recordou o Fórum de Comunicação para a Integração.


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