Vanessa Martina Silva

Bloqueio dos EUA a Cuba é "o mais prolongado e ilegal da história", segundo historiador

Imposto desde 3 de fevereiro de 1962, restrições são reiteradamente condenadas pela esmagadora maioria dos países membros da ONU

O bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, imposto desde 3 de fevereiro de 1962, é o mais longo e ilegal da história, afirmou à Sputnik Mundo o diretor do Departamento de Assuntos Históricos do Palácio da Revolução de Cuba, Eugenio Suárez.

"O impacto destes 58 anos de bloqueio é conhecido muito bem por todos os cubanos, por nossos amigos e até pelos próprios inimigos, porque impactou todos os setores da nossa sociedade, principalmente o setor de saúde, por exemplo, onde foi bastante criminoso", comentou à Sputnik Mundo Suárez.

Os historiadores cubanos afirmam que esta medida, imposta por Washington apenas três anos após a Revolução Cubana em 1959, buscava gerar "desencanto e insatisfação" na população da ilha, criar mal estar econômico e dificuldades materiais para provocar um levante popular que derrubaria o governo comunista.

Um memorando secreto de 6 de abril de 1960, assinado pelo então subsecretário de Estado Lester D. Mallory, sugeria aplicar medidas para alcançar os objetivos políticos planejados.

Vanessa Martina Silva
"O impacto do bloqueio é conhecido muito bem por todos os cubanos"

"É necessário empregar rapidamente todos os meios possíveis para debilitar a vida econômica de Cuba [...] privá-la de dinheiro e abastecimentos, para reduzir seus recursos financeiros e salários reais, provocar fome, desespero e queda do governo", dizia o memorando assinado por Mallory.

O diretor do gabinete cubano argumenta que, apesar de o bloqueio ter um grande impacto na economia, "no aspecto espiritual uniu os cubanos, e essa unidade é a energia que nos permitiu chegar até hoje".

Com a aplicação da Lei para a Democracia Cubana (CDA, na sigla em inglês), mais conhecida como a Lei Torricelli, assinada em outubro de 1992, e a Lei para a Solidariedade Democrática e a Liberdade Cubana, conhecida como Lei Helms-Burton, aprovada em março de 1996, o bloqueio tomou corpo legal.

Com a chegada ao poder do presidente Donald Trump, em 2017, esta política de coerção se fortaleceu, com a imposição de novos regulamentos e proibições que buscam frear o desenvolvimento econômico da sociedade cubana.

As autoridades cubanas asseguram que os danos acumulados pelo bloqueio imposto por Washington durante quase seis décadas custaram US$ 922,6 bilhões (R$ 3,919 trilhões), tendo em conta a desvalorização do dólar frente o valor do ouro.

Considerando valores atuais, segundo essas mesmas fontes, os prejuízos foram de US$ 138 bilhões (R$ 586,3 bilhões) em 58 anos.


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