Prensa Latina

Torrijos, o general panamenho que acabou com colonialismo e recuperou soberania

O Panamá do terceiro milênio talvez não perceba seu alcance, cuja biografia não se estuda nas escolas, ocultando a obra social inconclusa de seu projeto de país

Poucos lugares do Panamá exibem hoje uma lembrança do general Omar Torrijos, artífice do retorno a mãos nacionais da chamada Zona do Canal e a concretização dos acordos Torrijos-Carter em 1977.

Um amplo parque na capital, com áreas verdes e de lazer é chamado secamente “Omar”, embora um pequeno busto dissimulado perto de uma de suas entradas, lembre o líder mais popular do país no último meio século, que ontem (14) cumpriria 91 anos. 

O hospital infantil América exibe em um pequeno trecho na fachada o nome de Omar Torrijos Herrera, como homenagem póstuma a quem em 31 de julho de 1981 perecera, no que a versão oficial considera acidente aéreo, e outros, entre eles os mais chegados, qualificam de atentado.

Diferentes mensagens de gratidão costumam proliferar nas redes sociais na referida data para falar da pessoa que devolveu os sonhos a muitos: “obrigado por ter levado o progresso até o lugar mais recôndito do país; por devolver-nos a soberania; ...sempre devemos ser gratos a esse grande homem que conseguiu que o canal fosse devolvido a mãos panamenhas...” 

Mas, no meio das homenagens, também revivem histórias simples como a de uma septuagenária que o conheceu quando era menina e a cuja casa voltou um dia para compartilhar uma humilde comida caseira de peixe, arroz com coco e alface. 

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O general Omar Torrijos Herrera

Tampouco faltam palavras de amigos como o poeta Orestes Nieto, que escreveu: “A dignidade já não estava à venda. Propôs-se a conquistar o Canal e terminar com a presença colonial. Pacificamente, sem mortes desnecessárias, junto ao seu povo, percorreu o trecho final pela conquista de nossos direitos soberanos. 

"As armas de um militar patriota como ele foram as razões históricas, as exaustivas explicações de que a ocupação era injusta, peregrinar, dialogar, negociar e não renunciar ao fundamental: Estados Unidos devia entregar o Canal, fechar suas bases militares e extinguir-se a Zona do Canal. E isso foi conseguido, com sua liderança nacional, latino-americana e mundial”, concluiu.



O Panamá do terceiro milênio talvez não perceba o alcance daquela figura, cuja biografia não se estuda nas escolas, enquanto algumas expressões pejorativas o incluem como um a mais da “ditadura militar”, ocultando assim a obra social inconclusa de seu projeto de país.

Esquecê-lo é tapar o sol com peneira, tentativa estéril de uma classe economicamente poderosa com pobreza de espírito que, em cumplicidade com os meios sob seu controle, magnificaram seus erros enquanto escondem os acertos, e pior ainda, relegá-lo ao ostracismo é a aparente efetiva estratégia.

Em um paralelo histórico, voltar a mirada ao passado permitiria conhecer ações similares alertadas pelo prócer cubano José Martí, quando convidou o dominicano Máximo Gómez para liderar o Exército Libertador da ilha: "lhe ofereço como pagamento de sua obra, o prazer do sacrifício e a ingratidão provável dos homens”.

O certo é que “o último projeto de país foi liderado pela pessoa que ontem celebremos seu natalício; chamou-se Omar Torrijos [...] quando produto de muitas gerações, ele concluiu os Tratados Torrijos-Carter", expressou em 2018 o então aspirante à presidência do Panamá, Laurentino Cortizo, em uma homenagem por ocasião do onomástico do general.

"É o Omar Torrijos que não morreu milionário, foi um ser humano com defeitos, como todos, e virtudes; é o Omar dessa bandeira no Cerro Ancón, do décimo terceiro mês (salário) de (criar) o Centro Bancário (Internacional), do (estádio) Romuel (Fernández),...", enfatizou então o atual mandatário do Istmo, que se autodenomina seguidor desse exemplo, ao resenhar sua obra.


*Nubia Piqueras Grosso é correspondente de Prensa Latina na Cidade do Panamá.

**Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

***Tradução: Beatriz Cannabrava


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