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Desastre no Chile, Previdência privada é a menina dos olhos de Bolsonaro e Guedes

Ministros do governo são como raposas que cuidam do galinheiro, mas entregar aposentadoria a corretoras é escárnio a trabalhadores

Paulo Cannabrava Filho

Diálogos do Sul Diálogos do Sul

São Paulo (SP) (Brasil)

O Congresso, dominado pós ruralistas, discute a Lei de Mineração junto com Licenciamento Ambiental, preparados pelo Ministério da Agricultura e pelo de Meio Ambiente e Agricultura.

O ministro do Meio Ambiente, responsável pelo Ibama, Instituto Chico Mendes etc, Ricardo Salles, colocou oficiais da PM e do Exército em doze postos chaves de seu ministério.

O Meio Ambiente, como a questão social, virou caso de polícia e os indígenas os maiores latifundiários improdutivos do país.

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Os fundos recolhem 10% do salário e os trabalhadores recebem meio salário mínimo por mês

A Previdência entregue às corretoras

Reportagem do Le Monde Diplô revela que o superministro Paulo Guedes, bem antes de ser super, nos anos 1980, viveu no Chile e se juntou a seu colega da Universidade de Chicago e empresário Jorge Selume Zaror, que era diretor de Orçamento da ditadura genocida do general Augusto Pinochet Ugarte. 

Jorge Selume Aguirre, filho do Jorge,  é secretário de Comunicação de Sebastián Piñera, economista e empresário, atual presidente, eleito em 2018. A família Selume é proprietária da Artool Big Data Analysis, a maior empresa chilena de big-data, que realizou o plano de trabalho para a Cambridge Analytica manipular as eleições. É impressionante como tudo se encaixa.

José Piñera, irmão do presidente, um autêntico Chicagos boy, foi ministro do Trabalho e Seguridade Social e é o autor da reforma que privatizou a Previdência, realizada durante o regime de terror pinochetista.

O resultado da reforma, do ponto de vista social, foi descrito em reportagens publicadas na Revista Diálogos do Sul. Um desastre para os trabalhadores e uma tragédia para os idosos, causa de inúmeros suicídios em todas as faixas etárias.

Do ponto de vista empresarial é uma maravilha. Reportagem de Leonardo Wexell Severo, publicada nesta Diálogos do Sul, revela que “somente nos três primeiros meses do ano, as Administradoras de Fundos de Pensão (AFP), que controlam o sistema de capitalização chileno, lucraram US$ 196 milhões, um aumento de 100,1% (cem vírgula um por cento!) em relação ao mesmo período de 2018, com ganhos diários de US$ 2,17 milhões”.

Segundo Le Monde Diplô seis empresas monopolizam o setor sendo que cinco delas detêm 94% das contribuições e conformam nada menos de 69,6% do PIB.

Os fundos recolhem 10% do salário e os trabalhadores recebem meio salário mínimo por mês (algo como R$ 694,00), enquanto o lucro dos monopólios ultrapassou US$ 1,5 milhão de dólares por dia.

Esse é o sistema que Guedes e Bolsonaro sonham implantar no Brasil.

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