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Bolívia, Palestina e Irã: sionismo e imperialismo são duas palavras com o mesmo conteúdo

Pelo mundo ecoa a voz de muitos milhões de iranianos e árabes feridos na sua dignidade: “Yankees, go home!” é o grito de guerra da hora

Paulo Cannabrava Filho

Diálogos do Sul Diálogos do Sul

São Paulo (SP) (Brasil)

A palavra sionismo perdeu o sentido original que qualificava o movimento de judeus em direção a Sion, ou Monte Sião. O local seria a terra de seus ancestrais, território em Jerusalém, onde floresceu a Palestina e que também é berço de outros povos e civilizações.

Israel surgiu no pós-Segunda Guerra pelas mãos dos países vencedores, que redesenharam a geopolítica em todo o Oriente do Mediterrâneo e na Ásia Central. Se consolidou como uma cabeça de praia (ponta avançada) do capitalismo global e se tornou potência bélica e nuclear. 

A partir da gestão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (2009-atual), Israel passou a ser um Estado teocrático sionista e se tornou uma ameaça permanente à paz no mundo. O país se nega a cumprir a resolução da ONU, que prevê a criação de dois Estados — o israelense e o palestino — e segue ocupando áreas palestinas, promovendo um genocídio contra essa população.

Com a evolução do capitalismo global e a consolidação da hegemonia estadunidense, o sionismo passou a atuar como uma inteligência do novo imperialismo em expansão. A grande nação norte-americana parece guiada pelos sionistas.

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“Yankees, go home!” é o grito de guerra da hora

Por exemplo, o mais poderoso lobby no Congresso dos EUA é o sionista e que se confunde com o poderoso lobby da indústria armamentista. Wall Street, a meca do capital financeiro, é controlada por judeus, sionistas, claro. Lá estão os maiores e poderosos banqueiros planetários, como Lehman Brothers, Rothschild, Mellon, etc…

Influência religiosa

Mesmo a religião nos Estados Unidos, que histórica e hegemonicamente era protestante e anglicana, cedeu lugar ao neopentecostalismo. A antiga ética sofreu uma reviravolta sob a égide da teologia da prosperidade, que nada mais é do que a adoração ao deus dinheiro e está, portanto, intimamente vinculada ao sionismo. 

Os fatos comprovam que muito além da coincidência bíblica (os neopentecostais veem Jerusalém como a Terra Santa e os sionistas como Terra Prometida), há confluência de ideologia, negócios bilionários e ocupação de espaço em favor da hegemonia do capital financeiro e dos interesses dos Estados Unidos. Deixa de ser coincidência ao fator religioso quando o objetivo é político e de poder.

Na prática, os templos denominados neopentecostais espalhadas pelo mundo nasceram nos Estados Unidos e atuam como braços desse sionismo de novo tipo, que se confunde com o nazismo naquilo de mais trágico da saga hitlerista: supremacismo racial e genocídio em massa dos desiguais.

Sionismo fora de Israel

Maurício Macri assumiu o poder na Argentina em 2015 para executar um projeto neoliberal a serviço do capital financeiro transnacional. A primeira atitude ao chegar ao governo foi privilegiar as relações com Israel. Visitas recíprocas e amplos acordos de cooperação na área de defesa, principalmente, foram realizados. 

Paralelamente, houve, da parte argentina, um alinhamento da política externa aos interesses dos Estados Unidos, o que fez com que o país passasse a condenar governos progressistas, como os de Bolívia e Venezuela. 

Na sequência, a Argentina descobre petróleo no sul da Patagônia; os Estados Unidos instalam uma base militar na província de Neuquén; Israel passa a patrulhar a fronteira hídrica entre Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai com barcos fortemente armados, soldados e assessores sionistas. 

Interessante que, coincidentemente, a Argentina tem a maior colônia judaica na América do Sul e também é sede de uma poderosa máfia judia. Na prática, com o governo macrista, os interesses do país passaram a ser o mesmo do Estado Sionista.

Lá, os neopentecostais ainda são incipientes — embora a Igreja Universal do Reino de Deus tenha ganhado espaço, não conseguiram romper a energia que move o politizado povo peronista, que voltou com força ao poder em 2019. Igualmente a Igreja de Roma ainda tem muita força entre as massas populares e instituições do Estado. 

Na Bolívia, são os mesmos adoradores do deus dinheiro que deram o golpe contra o governo plurinacional de Evo Morales. Foram precisamente as denominações neopentecostais saídas do Brasil que conspiraram com os agentes ianques para derrubar um governo constitucionalmente legítimo. 

No lugar dos símbolos nacionais, a Bíblia. “Nunca mais a Pachamama entrará no Palácio Queimado onde volta a reinar a Bíblia”. Essa frase, dita pela autoproclamada presidenta Jeanine Áñez esclarece tudo. 

O neopentecostalismo sionista no comando rompe com a soberania do povo para ser submisso aos interesses dos Estados Unidos. 

Tudo se conecta.

Quando Evo Morales iniciou sua carreira política, a Bolívia estava minada, sojeros (plantadores de soja) e boiadeiros brasileiros em Santa Cruz a fomentar o movimento separatista, e os pastores, traficantes e agentes estrangeiros fazendo o trabalho de base.

Tudo o que ocorre é graças a deus! Nada graças à vontade dos homens e menos ainda resultado de políticas públicas feitas por governos preocupados com o povo e com a independência e soberania da nação. Com a mesma técnica utilizada no Brasil tomaram o poder na Bolívia. 

Tal como no Brasil, por falta de Inteligência de um lado, e por deslumbramento de outro, o campo ficou descoberto, descuidado, para ser minado pelo inimigo. O anti-petismo e o anti-Evo, têm as mesmas causas.

Batalha perdida?

Bolívia e Brasil se perderam, se desviaram da rota com a qual iniciaram a caminhada. Se é assim, basta retomar o caminho, começar tudo de novo. Começar conhecendo a história, sabendo quem é o inimigo principal e identificando com quem se pode e com quem não se pode marchar.

Desde os anos 1950 os Estados Unidos têm realizando Congressos Anticomunistas, e introduzido, por meio de agentes estadunidenses, o anticomunismo nos cultos evangélicos com a finalidade de ocupar o poder. As novas denominações, neopentecostais, não escondem que querem o poder total.

Andaram bem nesse caminho no Brasil. No início do século 21 já possuíam adesão de 30% da população e as maiores bancadas nas duas casas legislativas. Hoje, a adesão já é de 40% e ocupam também o Poder Executivo. Chegaram lá com a ocupação do poder através da farsa eleitoral de 2018.

Veja que antes mesmo de ser eleito, o candidato do minúsculo partido PSL, já mantinha estreita ligação com o Estado de Israel através do neopentecostalismo. Não esquecer que o candidato se fez fotografar sendo batizado por um pastor neopentecostal nas águas do Rio Jordão. E ele é católico. 

O premier Bibi Netanyahu esteve em sua solenidade de posse e a primeira visita ao exterior do ocupante do Planalto foi ao Estado de Israel.

Essa ideologia também  parece ter penetrado fundo nas Forças Armadas. Afinal, como entender o fato de eles terem realizado a operação de inteligência para a captura do poder em 2018? Os militares ocupam o poder real, com cinco generais, um brigadeiro e um almirante no Palácio e mais de 100 oficiais em diversos postos chaves de primeiro e segundo escalão. No total, são mais de mil militares ocupando diversos postos de governo.

Pela ideologia, os militares abandonaram a soberania nacional e o povo de onde foram paridos para uma total e vergonhosa submissão ao governo dos Estados Unidos. Não há como ignorar que a teologia da prosperidade, que anima os pastores neopentecostais é uma perfeita arma ideológica à serviço da expansão da hegemonia estadunidense.

O Brasil está absolutamente submisso.

Veja, nem o Iraque, que foi feito terra arrasada e está há 18 anos sob ocupação de tropas dos Estados Unidos, que lá mantém um governo títere, está submisso como o Brasil. A rebeldia se espalha por bairros, universidades e os guerrilheiros lutam para expulsar o invasor.

Foi contra essa guerrilha de libertação que os Estados Unidos perpetraram o ato terrorista que causou a morte de Abu Mahdi al-Muhandis, comandante das guerrilhas do Kata'ib Hezbollah, e de Qasem Soleimani, general do Estado Maior do Irã. Um ato de guerra em um país ocupado? É o poderoso tripudiando sobre o mais fraco. 

Pelo mundo ecoa o grito de muitos milhões de iranianos e árabes feridos na sua dignidade, na sua soberania, indignados, sofrendo a impotência dos débeis diante do inimigo poderoso. 

Que esse grito seja ouvido e mova as pessoas de bom senso em todo o mundo a exigir paz para a humanidade. Paz que só se conseguirá com parar a expansão do imperialismo ianque e sionista. 

Não há outro caminho para a paz que o de convencer a comunidade internacional a se mobilizar pela retirada das tropas ianques no exterior. “Yankees, go home!”. É o grito de guerra da hora.

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