A equidade de gênero no Vietnã

Revista Diálogos do Sul

O empoderamento da mulher em Vietnã tem hoje una nova cara, a de Nguyen Thi Kim Ngan, eleita presidenta da Assembleia Nacional. É a primeira vez que uma mulher ocupa esse cargo em mais de 70 anos de história do órgão legislativo.
Teresita Vives*

nguyen-thi-kim-nganSua presença nesse posto é significativa também porque se trata de uma promoção, pois anteriormente ocupou a vice-presidência do Parlamento.
No tema do empoderamento da mulher, o Vietnã pode ser um país diferente dos outros, porque o papel desempenhado pelas mulheres na luta de libertação abona sua capacidade para contribuir com qualquer causa e por isso tem reconhecimento social. Essa história tem capítulos não só nos tempos modernos, mas também nos mais antigos. Aqui se recorda como se fosse um acontecimento recente a insurreição encabeçada pelas Irmãs Trung (Trac e Nhi) contra os invasores da China, porém  se trata de algo que sucedeu há mil e setenta e seis anos. Com o país independente, a formação e a trajetória político-laboral de Kim Ngan ilustra a forma como se avança no que diz respeito à equidade de gênero, embora seja ainda uma meta, pois reflete as oportunidades de superação e participação disponíveis em uma nação em desenvolvimento e, nesse caso, de uma cidadã que no dia 12 de abril de 1975, dias antes da reunificação da pátria, completou 21 anos. Nascida na comuna de Chau Hoa, distrito de Giong Tom, na meridional província de Ben Tre, a líder parlamentar é formada em Finanças – Orçamento Estatal, com mestrado em Economia. À sua experiência governamental, primeiro como vice ministra de Finanças e depois com igual responsabilidade na pasta de Comércio, e de agosto de 2007 a janeiro de 2011 como titular do Ministério de Trabalho, Inválidos de Guerra e Assuntos Sociais, agrega-se uma carreira de trabalho ascendente, reconhecida com este novo cargo. Sua vida política também é ampla e entre as responsabilidades assumidas se destacam a secretaria do Partido Comunista na setentrional província de Hai Duong, entre 2002 e 2006, a militância no Comitê Central dessa organização durante anos e depois no Bureau Político, a partir de maio de 2013. Iniciou a atividade parlamentar em 2007 como deputada na Assembleia Nacional, em cuja presidência sucedeu a Nguyen Sinh Hung, com o apoio de 472 integrantes do órgão legislativo em uma votação secreta por seus 481 integrantes. Também encabeça o Conselho Eleitoral Nacional, para o qual recebeu 467 votos de um total de 477 votantes cadastrados. A  presença de Kim Ngan em um dos cargos de direção do país com um mandato de cinco anos, renovável, sem dúvida constitui um reconhecimento não apenas a ela, mas também à mulher vietnamita e sua contribuição para o desenvolvimento socioeconômico. Além disso, deve estimular uma maior participação desse setor  na luta pela equidade de gênero. Cabe recordar que a Assembleia Nacional tem também uma mulher em uma de suas vice-presidências, Tong Thi Phong, enquanto  24,4% de seus integrantes são do sexo feminino, total que se espera elevar a 35% na próxima legislatura. As eleições estão previstas para este mês. Este país tem uma mulher na vice-presidência,  Dang Thi Ngoc Thinh, e a pasta da Saúde também é ocupada por uma mulher, Nguyen Thi Kim Tien. Outro dado que revela o reconhecimento e a participação das vietnamitas  na vida política tem a ver com sua presença no Comitê Central do Partido Comunista, no qual integram vinte cargos,enquanto que o Bureau Buró Político da organização tem três integrantes do sexo feminino. Como era de se esperar, a eleição de Kim Ngan para presidir a Assembleia Nacional foi acolhida favoravelmente pela população, por ser um dos temas de grande conotação política entre os incluídos na agenda do 11º período de sessões, o último da XIII Legislatura. A esse respeito, a mídia nacional recordou que a equidade de gênero é promovida nesta nação de 54 etnias desde a Revolução de 1945, quando o Presidente Ho Chi Minh declarou a construção de uma sociedade com direitos iguais para homens e mulheres. Kim Ngan na presidência da Assembleia Nacional converte o Vietnã em outro dos países da área com uma mulher nesse cargo, como Laos e Singapura.   *Prensa Latina de Hanói, Vietnã, especial para Diálogos do Sul  

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