No último sábado (25), uma explosão na estrada do departamento de Cauca, localizado no sudoeste da Colômbia e nas proximidades da fronteira compartilhada com o Equador, deixou 20 civis mortos e abalou, mais uma vez, as já deterioradas relações diplomáticas entre os dois países vizinhos.
O atentado foi “realizado com explosivos provenientes do Equador, segundo me dizem minhas fontes”, denunciou o presidente colombiano Gustavo Petro, ordenando à inteligência militar, de imediato, a “investigar cuidadosamente esse assunto”.

“Não duvido que estejam tentando sabotar o processo eleitoral colombiano”, prosseguiu Petro por meio de um pronunciamento presidencial transmitido em rede nacional pelos canais de televisão.
A Colômbia elegerá um novo presidente no próximo 31 de maio, e o possível sucessor de Petro, o candidato de esquerda do Pacto Histórico, Iván Cepeda, lidera todas as pesquisas, muito à frente dos candidatos da direita.
“Há informações não apenas de que os explosivos usados pelas frentes de Iván Mordisco e Marlon (os supostos autores intelectuais e materiais do atentado) vêm do Equador, como também de que estariam preparando atentado para sabotar as eleições”, reiterou o presidente da Colômbia.
Após uma visita ao território do departamento de Cauca, região ancestral onde vive a maior população indígena da Colômbia, sua líder Aida Quilcué, hoje candidata à vice-presidência pelo Pacto Histórico, junto a Cepeda, denunciou que, após percorrer o local da explosão, constatou que “vêm ocorrendo coisas muito estranhas que geram dúvidas, às vezes, sobre a origem desses atentados.”
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Sem dúvida, esses fatos tornam mais tenso o ambiente eleitoral na Colômbia. Após os acontecimentos, ganha relevância a visita que o ex-presidente colombiano de direita Álvaro Uribe Vélez fez em janeiro último ao Equador e o encontro que teria realizado com o presidente Daniel Noboa — reunião que o mandatário equatoriano nega.
Colômbia e Equador compartilham uma fronteira de 600 quilômetros e o intercâmbio comercial é intenso entre os dois países, estimado, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio colombiano, em cerca de 1,2 bilhão de dólares. O presidente do Equador, unilateralmente, puniu com 100% de tarifas os produtos provenientes da Colômbia.
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