Pesquisar
Pesquisar

Atitude da senadora Ana Amélia foi racista e islamofóbica, diz instituto árabe

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

O Instituto de Cultura Árabe soltou nota de repúdio às declarações da senadora Ana Amélia (PP – RS), que na tentativa de mais um passo em direção à criminalização do PT e da presidente do partido e senadora Gleisi Hoffmann (PT – PR), acabou por demonstrar um posicionamento errôneo e eivado de desrespeito. O ataque feriu um povo, uma cultura.

Jornal GGN

Ana Amélia não é uma pessoa mal informada ou fora do meio de comunicação. Ela sabia muito bem o que fazia, estava incitando os grupos de direita contra o PT, mais uma vez, e contra seus dirigentes. Não foi falta de conhecimento, foi um passo estudado para que a declaração se transformasse em bomba de fake news a atingir, mais uma vez, o alvo preferencial da direita.

O Instituto repudia a relação que a senadora fez entre a emissora Al Jazeera e grupos terroristas. No comunicado, a lembrança de que o Al Jazeera é um dos grupos de comunicação mais respeitados do planeta, que está identificado com a luta em defesa dos direitos humanos e que sempre respeitou a diversidade de opiniões.

 

Leia a nota do Instituto de Cultura Árabe a seguir:

Nota de repúdio às declarações da senadora Ana Amélia sobre os árabes

O Instituto da Cultura Árabe repudia veementemente a declaração da senadora Ana Amélia (PP-RS) em sessão do Senado transmitida pela TV que, ao criticar um depoimento da senadora Gleisi Hoffmann sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à rede de televisão Al Jazeera, relacionou a emissora a grupos terroristas.

A Al Jazeera é um dos grupos de comunicação mais respeitados do planeta. Além de praticar um jornalismo que serve de referência, entrevista e promove reportagens com líderes, artistas, intelectuais e ativistas que se identificam com a luta em defesa dos direitos humanos, respeitando a diversidade de opiniões.

Relacionar uma emissora de TV do mundo árabe a grupos terroristas, além de demonstração de desconhecimento em relação aos países árabes, é prática explícita de preconceito racial e islamofobia.

A Constituição brasileira é clara quanto aos delitos de racismo e discriminação e quaisquer formas de sistemas religiosos e profissões de fé. Partindo de uma senadora da República, constitui-se em um constrangimento ainda maior para nossa a sociedade.

O Brasil historicamente é destino de imigrantes de diversas partes do mundo, entre eles, os árabes.

Os imigrantes sempre viram no país um local acolhedor para recomeçarem suas vidas.

Seu legado está presente em todas as áreas do conhecimento e na construção do próprio país.

Temos certeza de que a sociedade brasileira em geral não aceita e não compactua com atos dessa natureza, que incitam crimes de ódio, abrindo-se as portas à barbárie.

O ICArabe, organização autônoma, laica, de caráter científico e cultural, trabalha desde sua concepção para desconstruir esses estereótipos, via promoção e divulgação da rica cultura árabe.

Valorizamos o caminho da harmonia entre as comunidades e entre os povos e o respeito às diferenças. Acreditamos que a integração entre as culturas e o diálogo são essenciais, assim como o respeito aos direitos humanos de todas as pessoas, brasileiras ou não.

O incentivo a práticas preconceituosas, de qualquer natureza, e a difusão do discurso do ódio constituem atos hediondos e instrumentos de fragmentação e de segregação de um povo conhecido em todo mundo por sua união e amabilidade nas relações com todas as etnias de sua constituição.

Diretoria do Instituto da Cultura Árabe

 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

LEIA tAMBÉM

Onix Lorenzon representa a extrema direita brasileira
Aliança pela Liberdade: Coalizão conservadora de Eduardo Bolsonaro planeja fortalecer direita na Europa
China-US-and-LATAM-COLLAGE1
Rivalidade EUA-China: o campo de batalha geopolítico em El Salvador reflete o cenário latino-americano
Niegan-libertad-condicional-a-Salvatore-Mancuso
Pânico: Elites colombianas temem que Salvatore Mancuso exponha segredos como massacres, deslocamentos e assassinatos seletivos
Peru
Lei da impunidade: Congresso do Peru aprova lei que beneficia Fujimori e repressores acusados de crimes de lesa humanidade