Pesquisar
Pesquisar
Fuzileiros Navais dos EUA e da Guatemala durante treinamento conjunto em maio de 2025. (Foto: Comando Sul dos EUA)

Bases dos EUA na América Latina são dupla ameaça aos povos da região

O número de instalações militares dos EUA na América Latina pode chegar a 80, o que torna as populações locais suscetíveis às consequências dos conflitos imperialistas

Elaine Tavares
Diálogos do Sul Global
Florianópolis (SC)

Tradução:

Os Estados Unidos seguem trabalhando fortemente na sua estratégia de dominar completamente a América Latina, mantendo-a sob seu tacão. No início de março, o presidente Donald Trump reuniu presidentes “amigos” em um encontro para constituir o que ele chamou de Escudo das Américas, mas que, na verdade, é a busca por um escudo para “a” América – no caso, eles.

A proposta do governo dos EUA é garantir a instalação de mais bases militares no continente. Também  neste mês de março, o congresso do Paraguai reativou um acordo que permite a entrada de militares estadunidenses no país para trabalhos de “cooperação”. Os militares terão imunidades semelhantes às concedidas a diplomatas, o que, na prática, constitui a instalação de uma base militar dentro do Paraguai.

No Equador, o presidente Noboa tentou empurrar goela abaixo a retomada pelos gringos da Base de Manta, mas foi impedido pela vontade popular que, numa consulta nacional, rejeitou a presença militar estrangeira no país. Ainda assim, o mandatário segue buscando atuar em conjunto com os Estados Unidos, agora sob o pretexto de atacar o narcotráfico.

Na Argentina — cujo presidente, Javier Milei, já até ofereceu os jovens argentinos para lutar contra o Irã — também está sendo discutida a instalação de bases estadunidenses na região de Ushuaia e Terra do Fogo. Em outubro do ano passado, foi autorizada a presença de militares dos EUA no território para a realização de exercícios conjuntos.

Não se sabe ao certo quantas bases militares estadunidenses existem na América Latina, mas o número deve se aproximar dos 80. A Base Naval de Guantánamo em Cuba é a mais antiga e bastante simbólica por estar incrustada na ilha socialista. No Caribe estão espalhadas várias bases, com especial atenção para as de Aruba, Curaçao e Porto Rico.

Brasil, Colômbia e México em alerta: riscos e lacunas do “Escudo das Américas” de Trump

Honduras registra a Base Aérea de Soto Cano, um ponto bastante estratégico para o controle de toda a região da América Central. Panamá, apesar de ter recuperado o controle do canal, ainda cede espaços para militares estadunidenses.

Na Colômbia são mais de nove bases militares, com a desculpa de atuar contra o narcotráfico. O Peru, ainda que não tenha bases, cede diversos pontos do território para operações de inteligência estadunidense. No Uruguai não há bases militares, mas em 2023 o Senado fortaleceu a cooperação em segurança e defesa, incluindo o retorno ao Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).

O Chile oficialmente não tem base, mas há denúncias de que o Forte Aguayo, inaugurado em 2012, recebeu financiamento estadunidense para abrigar o centro de treinamento para os soldados da Organização das Nações Unidas (ONU), chamados de capacetes azuis. Esse fato levantou várias denúncias de que o Forte seria, sim, uma base militar estadunidense, visto que Washington detém o controle.

Que tal acompanhar nossos conteúdos direto no WhatsApp? Participe do nosso canal.

A Bolívia não tem mais nenhuma base estadunidense desde que Evo Morales fechou a instalação de Chimoré como medida de soberania. Agora, com o novo presidente, não se sabe o que vai acontecer. Já no México, não há, pois a Constituição do país proíbe qualquer base estrangeira.

Resta o Brasil, que em tese também não tem base estadunidense em seu território. Inclusive, esse tema sempre foi motivo de rechaço por parte da população. Ainda assim, o país mantém boas relações com os militares estadunidenses, consolidando acordos de cooperação focados em intercâmbio de tecnologias e lançamentos espaciais na Base de Alcântara. Em vários mapas sobre bases na América Latina, Alcântara aparece como sendo uma delas.

Como dá para perceber, o continente latino-americano está praticamente tomado por bases dos EUA, o que deveria deixar o povo com as barbas de molho. Basta ver o que acontece hoje na região do Oriente Médio. Com os Estados Unidos deflagrando ataques sobre o Irã, o Irã tem revidado, destruindo bases militares estadunidenses nos países vizinhos.

Entregando o território nacional para bases estadunidenses, os governos dos países da América Latina oferecem um risco duplo à região: ao mesmo tempo em que se submetem a serem serviçais do imperialismo, colocam suas populações em perigo. Afinal, numa eventual guerra, todos estes espaços estarão sujeitos a ataques.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Elaine Tavares Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pac

LEIA tAMBÉM

Cuba's Castro
Como maestria geopolítica de Fidel projetou Revolução Cubana no mundo
Eleições no Peru povo precisa se reerguer e ir às urnas contra projetos de Aliaga e Fujimori
Eleições no Peru: povo precisa se reerguer e ir às urnas contra projetos repressivos de Aliaga e Fujimori
Retirada de lista de sanções dos EUA, Rodríguez afirma “Passo rumo à normalização”
Excluída de sanções dos EUA, Rodríguez afirma: “Passo rumo à normalização” - 01/04
EUA e Equador realizam operações militares conjuntas no Pacífico
EUA e Equador realizam operações militares conjuntas no Pacífico