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Bernardo Arévalo: Vitória do Semilla é ato de coragem do povo da Guatemala

"Vamos fazer um governo que cuide de todas as pessoas independentemente das diferenças”, acrescentou a nova vice-presidenta guatemalteca
Isela Espinoza
Prensa Comunitaria
Cidade do México

Tradução:

O resultado avassalador obtido pelo sociólogo, diplomata e deputado federal Bernardo Arévalo e pela bioquímica Karin Herrera no segundo turno eleitoral marcou um dia histórico que representa a ruptura de um sistema cooptado, afirma Mónica Mazariegos, pesquisadora do Instituto de Pesquisa em Ciências Sócio-humanistas da Universidade Rafael Landívar.

Ao final do dia, segundo os resultados preliminares divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99% das urnas apuradas, Arévalo e Herrera obtiveram 58% dos votos, o equivalente a 2.433.279 votos. Enquanto isso, a candidata presidencial da Unidade Nacional de Esperança (UNE), Sandra Torres, que pela terceira vez esteve longe de chegar ao cargo com 36,9% (1.542.501).

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“O TSE reconheceu nossos resultados e o que o povo está gritando: chega de corrupção”, foram as primeiras palavras pronunciadas por Arévalo em entrevista coletiva. Ele também agradeceu à população que saiu a votar “neste momento histórico que representa um ato de coragem para cada pessoa emitiu seu votou”, afirmou.

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A vice-presidenta eleita, Karin Herrera, também agradeceu aos cidadãos que lhe deram a vitória, às Juntas Receptoras de Votos (JRV) e à comunidade internacional que esteve atenta ao processo eleitoral.

“Vamos fazer um governo que seja para todos os guatemaltecos, um governo que cuide de todas as pessoas independentemente das diferenças; todos compartilhamos o amor pela Guatemala”, disse Herrera, assegurando que este é o início para construir uma nova primavera em relação à prosperidade que o país experimentou durante o período de dez anos dos governos de Juan José Arévalo (1945-1951), pai do agora presidente eleito, e Jacobo Árbenz (1951-1954).

Leia também: Para transformar Guatemala, Semilla deve abraçar luta indígena e camponesa

Bernardo Arévalo também dirigiu parte do seu discurso à candidata da Unidade Nacional de Esperança (UNE) e aos seus eleitores, aos quais garantiu que os direitos serão respeitados.

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“Obrigado ao povo da Guatemala, obrigado porque esta vitória não é nossa, é de vocês que nos apoiaram ao longo deste caminho eleitoral e agora unidos como povo da Guatemala lutaremos contra a corrupção”, acrescentou.

O candidato encerrou a primeira coletiva de imprensa e recebeu ligações dos presidentes latino-americanos Andrés Manuel López Obrador e Nayib Bukele.

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Euforia nas ruas e no exílio

A participação dos cidadãos foi de 45%, com um total de 4.173.981 votos válidos. Embora ainda não existam dados sobre o perfil do eleitor, durante o dia observou-se majoritariamente jovens, idosos e mulheres exercendo o direito ao voto.

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Na capital, Cidade da Guatemala, os resultados provocaram euforia nos simpatizantes do Movimento Semilla, fazendo com que saíssem para celebrar nas ruas o triunfo e a esperança de mudança. A manifestação aconteceu na Plaza Obelisco, zona 10, onde centenas de pessoas agitaram bandeiras da Guatemala. “O povo agora tem alguém que realmente o representa”, gritou um apoiador enquanto outros cantavam o hino nacional do país.

Outro grupo de cidadãos se posicionou nas calçadas da Avenida Las Américas para aguardar a passagem da equipe presidencial que estava em um hotel da zona 13. Antes de dar a entrevista coletiva, Arévalo e Herrera se debruçaram em uma janela do complexo para cumprimentar os apoiadores. Nas proximidades, cidadãos também comemoraram com queima de fogos de artifício.

Enquanto isso, no exílio, os juízes e promotores também comemoravam os resultados. “Agora nossa voz no exílio será ouvida mais forte porque queremos voltar”, escreveu a ex-procuradora-geral do Ministério Público (MP), Thelma Aldana.

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"Vamos fazer um governo que cuide de todas as pessoas independentemente das diferenças”, acrescentou a nova vice-presidenta guatemalteca

Foto: Reprodução/Facebook
Bernardo Arévalo e Karin Herrera, novos presidente e vice-presidenta da Guatemala

“A voz dos cidadãos falou”, disse a presidenta do TSE, Irma Palencia, em entrevista coletiva quando a apuração chegava a 96%. Os magistrados comemoraram que a jornada eleitoral foi concluída com sucesso, e reconheceram o trabalho das juntas eleitorais, da imprensa e dos observadores eleitorais.

O silêncio de Sandra

Depois de votar, Torres foi questionada por um jornalista se aceitaria uma possível derrota. Ela caminhou depressa, endureceu o olhar e saiu correndo do local. Horas depois, onde planejava realizar uma coletiva de imprensa, cancelou-a ao ver a evolução favorável a Arévalo.

O Comitê Executivo da UNE se pronunciou por meio de um comunicado no qual se declarou em “sessão permanente devido aos últimos acontecimentos registrados com a contagem dos votos”. No entanto, o órgão não especificou a quais eventos se referia.

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No texto, eles garantem que o partido “respeita o Estado de Direito” e definirão uma posição definitiva quando os resultados forem esclarecidos. Eles denunciaram supostas anomalias no Sistema de Transmissão de Resultados Preliminares Eleitorais (TREP).

Além disso, atacaram observadores internacionais por não se manifestarem para revisar as irregularidades.

A renúncia de Alfaro

A histórica jornada eleitoral realizada neste domingo e que deu a vitória a Bernardo Arévalo, do Movimento Semilla, como presidente eleito, começou com o anúncio da magistrada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Blanca Alfaro, de renunciar ao cargo em razão de ameaças contra ela.

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Conforme explicou, está avaliando apresentar sua renúncia ao Congresso na terça-feira e está disposta a se submeter a “qualquer julgamento que esteja sob investigação”. “Considero que a minha função chega a esta eleição, por isso me elegeram e não renunciei antes porque era o momento de cumprir com o país e de terminar esta eleição”, disse.

No entanto, analistas políticos consideraram esse anúncio inconveniente, uma vez que levanta dúvidas sobre se há uma estratégia do Ministério Público para agir judicialmente.

Os laços de Blanca Alfaro com o poder político remontam a 20 anos. Embora tenha assumido o cargo de magistrada do TSE em março de 2020, sua carreira se destaca por ter sido um dos advogados do ex-ditador José Efraín Ríos Montt, prefeita do município de Masagua, no departamento de Escuintla; controladora do Instituto Guatemalteco de Previdência Social (IGSS) e candidata à vice-presidência nas eleições gerais há quatro anos.

“Servi ao meu país por 21 anos. Como mulher, tive a felicidade de representar meu país internacionalmente e me sinto muito grata. Mas se as autoridades do Ministério Público considerarem que devo comparecer perante os tribunais, o farei e renunciarei para que não haja necessidade de um julgamento preliminar”, disse.

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Para o advogado Juan Francisco Solórzano Foppa, o anúncio da magistrada é lamentável porque “ela sabe que será investigada pelas autoridades”. Além disso, ele afirma que isso pode ser o anúncio de um momento difícil para o Movimento Semilla nos próximos meses, até a transição de governo em 14 de janeiro de 2024. “Será um período complicado porque há questões legais e jurídicas. A disputa eleitoral termina dia 31 de outubro e vai começar a batalha judicial: prevendo essa situação, a magistrada apresentou sua renúncia”, explica Foppa.

Nas eleições de 2011, Alfaro concorreu a prefeita de Masagua, onde venceu com o extinto Partido Patriótico (PP). No entanto, sua gestão foi questionada por gastar Q90 mil (o equivalente a R$ 57 mil) de fundos públicos para comprar Bíblias e distribuí-las a pastores evangélicos.

Apesar das acusações, conseguiu ser reeleita com o também extinto Libertad Democrática Renovada (Lider), grupo político do ex-candidato presidencial Manuel Baldizón, acusado de lavagem de dinheiro nos Estados Unidos. No entanto, em 2016, Alfaro renunciou ao cargo devido a problemas de saúde.

Isela Espinoza e Javier de León Villatoro | Prensa Comunitaria
Tradução: Guilherme Ribeiro


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Isela Espinoza

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