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Renato Rovai: Paulo Henrique Amorim e o jornalismo que não se cala

Foi-se o amigo, o companheiro de muitas batalhas, um dos mais irreverentes, o sarcástico e o gênio. Mas, mais do que isso, foi-se o jornalista que deixa como legado a coragem dos que não se calam

Foi-se o amigo, o companheiro de muitas batalhas, um dos mais irreverentes, o sarcástico e o gênio. Mas, mais do que isso, foi-se o jornalista que deixa como legado a coragem dos que não se calam. Paulo Henrique Amorim parte num momento péssimo. E provavelmente vítima dele e dos canalhas, canalhas, canalhas que o perseguiam.

Paulo foi sem sombra de dúvidas o jornalista mais processado deste período digital. Alguns processos, justificáveis. Como cada um de nós, ele também errava. A ampla maioria, de criminosos que não aceitavam que aquele baixinho carioca berrasse em alto e bom som o que lhes era merecido ouvir. E que o fizesse com um toque de humor que expunha as entranhas dos pulhas e popularizava o mal feito.

Perguntem aos céus o que não foi Paulo Henrique na divulgação do livro A Privataira Tucana e o quanto FHC, Serra e quetais não sonharam com ele.

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Renato Rovai, editor da Fórum, em evento com Paulo Henrique Amorim

Eu, aqui do meu canto, acho que Paulo foi “morrido” por essa gente. Porque estava sendo perseguido de maneira violenta e recentemente, por pressão do governo censor, foi afastado da apresentação do Domingo Espetacular, da TV Record. 

Quando soube disso em primeira mão, ao invés de dar a nota, o procurei. Achava que ele havia sido demitido, mas ele me esclareceu que o contrato continuava em vigor e que tinha sido afastado. E que preferia não falar sobre o assunto.

Sabia que ele não aguentaria ficar calado muito tempo e só fui dar a nota desta ação abjeta da Record quando o assunto já estava em todos os cantos. E Paulo já tratava dele.

Enfim, sua companheira e parceira no Conversa Afiada, Georgia, deve saber melhor. Mas, daqui do meu canto acho que a tristeza de ficar fora da TV num momento tão filho da puta lhe incomodou por demais.

Mas eu quero falar de coisas felizes. Dos vinhos e cachaças que bebemos. Das tramas que tratamos. Das eleições que impedimos que fossem vencidas pelos golpes midiáticos. Das inúmeras conversas que tivemos no Sujinho. Das viagens que fizemos esse Brasil afora falando de democratização da mídia. Das risadas que demos de situações bizarras que vivemos. Dos encontros inusitados.

Eu queria contar várias dessas histórias às vezes permeadas por discussões acaloradas, mas me parece que faltam os amigos que viveram juntos esses momentos. Pra gente poder contar junto. 

Mas não posso deixar de lembrar de como construímos o Blogprog e o quanto Paulo foi importante pra isso. À época ele tinha o site com maior audiência. E se jogou de cabeça na organização do evento. Ia a todas as reuniões, debatia cada mesa, contribuiu com recurso, fez o diabo para que fosse um sucesso. E foi. Éramos 500 naquele auditório dos Engenheiros. Gente de todas as partes do Brasil. E ali fizemos história. Uma história da qual o nome Paulo Henrique Amorim estará para sempre conectado.

Paulo trabalhou décadas na mídia tradicional, mas são seus passos recentes na blogosfera que o manterão vivo pra sempre. Seus companheiros desta trilha não te esquecerão. Saiba disso.

Vida que segue. Porque a gente vai continuar gritando por aqui. Sem se calar. Como você fez.

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