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A divisão territorial do Brasil e as ameaças históricas que colocam em risco nossa Amazônia

Esta premonição que me acompanha há algum tempo é triste. Diz respeito à divisão territorial do Brasil. Em três territórios

Ceci Juruá

Diálogos do Sul Diálogos do Sul

São Paulo (SP) (Brasil)

O primeiro, e mais evidente, é a separação da Amazônia, a grande Amazônia, incluindo os três M´s -Maranhão, Mato Grosso´s-. Claro: esta é a parte cobiçada pelo Império desde, pelo menos,  o início do século 19, por ocasião da independência dos países da América do Sul (1);  na ocasião fincaram pé nas áreas ao norte do Brasil e de lá não saíram até hoje, a Colômbia parece ser o aliado preferencial da América do Norte, para a qual perdeu o Panamá no início do século 20.

"... o Plan Colombia firmado com os Estados Unidos em 2001 e a eleição de Alvaro Uribe em 2002 intensificaram a repressão à guerrilha e a criminalização de todo dissenso. Mais do que um reacionário que surfou na retórica antiterrorista desde o atentado às Torres Gêmeas, Uribe encarnou um projeto de poder identificado com a chamada para política, que embruteceu e envenenou a cultura política do país.  (...)" (Fábio Luis B. dos SANTOS.  Uma história da onda progressista sul-americana, 1998-2016.  Ed. Elefante, 2019)

Se fincarem apenas uma unha do pé aqui, na nossa Amazônia brasileira, dificilmente sairão. Só com sangue. O mais urgente agora, portanto, é evitar esta invasão permitida por vassalos do Império. Questão de vida ou morte.

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Pretendem nos retalhar em três pedaços. A preço de muito sangue, muita miséria. Precisamos ficar alertas.

Em seguida, o Nordeste (ou sertão onde se estabeleceu um feudo maior do que qualquer outro que tenha existido na Europa, dizem...) pode ser objeto de cobiça da dupla Holanda-Israel, aliados preferenciais do Império, juntamente com seu "depto anexo", o Reino Unido. Afinal, desde o governo Lula, ou antes dele, conta-se que muitos e muitos kibutzes foram estabelecidos na Bahia. Dizia-se até que o atual prefeito do Rio esteve por lá. Não conferi. Apenas me baseio na memória, já não perfeita,  é verdade.

Sudeste e Sul do Brasil poderiam, nesse caso, ou nesse verdadeiro pesadelo, ser objeto do desejo dos países europeus, colonizadores primeiros ou pioneiros. Afinal, até 1750 o Brasil foi intensamente disputado por 4 países :  Espanha, Portugal, França e Holanda. Correndo por fora, Inglaterra ou Grã-Bretanha, vencedora da concorrência interestatal estabelecida desde os primórdios da acumulação capitalista.

Foi o Tratado de Madri, em 1750, que fixou em definitivo fronteiras próximas às atuais. Mas já em 1703 Portugal se colocara sob proteção inglesa, com o Tratado de Methuen, ou Tratado dos Panos e Vinhos.

Tratado que hoje pode ser visto como um fantasma que ameaça ressurgir, no "prometido" acordo de livre comércio América do Norte-Brasil. Deus nos acuda! Deus nos salve!

Não por acaso, Methuen foi firmado após a oficialização da descoberta das minas de ouro, ou das MINAS GERAIS.... E o tratado atual, sem dúvida, seria uma consequência da segunda descoberta de ouro, desta vez o ouro preto. Em quantidades tais que nos permitiria realizar o sonho histórico (ou utopia)  de constituir, nos trópicos, uma nação rica e feliz, Pátria dos amantes da paz e da liberdade. Um por todos, e todos por um!

Enfim, a premonição é esta. Pretendem nos retalhar em três pedaços.  A preço de muito sangue, muita miséria. Precisamos ficar alertas. Olhos abertos, estalados. Sempre. Projetos antigos e ameaçadores nos espreitam. É hora de reprimir qualquer instinto de permissividade, chega de escancarar a porta e receber amavelmente aqueles que só querem espalhar dor e sofrimento entre os brasileiros.

Precisamos advertir nosso povo. Quase uma obrigação fazer isto. Chega de cruzar os braços e esperar acontecer. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. 

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(1) A Guiana Britânica depois Guiana Inglesa foi constituída em 1796 e oficialmente cedida ao Reino Unido em 1814, após a derrota de Napoleão.    Apenas em 1966 tornou-se independente.  

 

*Ceci Juruá, economista, doutora em políticas públicas,  escritora,  pesquisadora independente, colaboradora de Diálogos do Sul

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