Reprodução Facebook

“Foi muito caro a muitos evangélicos ter no poder do país alguém defensor de suas pautas"

Aproximação com o segmento religioso foi estratégia que rendeu resultados positivos à campanha de Bolsonaro, diz doutora em Ciências da Comunicação

Análises simplistas e reducionistas supõem que o presidente Jair Bolsonaro se aproximou de líderes religiosos, especialmente evangélicos, e que pastores mandaram seus fiéis votarem nele. A doutora em Ciências da Comunicação Magali Cunha reconhece que isso acontece, mas destaca que é só a ponta de um complexo processo. “Bolsonaro foi muito bem instruído no discurso que alimentou a pauta de costumes de sua campanha, afetando fortemente o imaginário evangélico conservador calcado na proteção da família tradicional, na heteronormatividade e no controle dos corpos das mulheres”, observa.

Ou seja, há um movimento de orientação de Bolsonaro para que ele possa aderir à pautas que são caras aos fiéis e esses, por sua vez, veem nele a capacidade de implementação de sua visão política. “Foi muito caro a muitos evangélicos imaginar ter no poder maior do país alguém defensor de suas pautas, como ‘homem simples, do povo, que fala o que pensa’ e isto parece ter sido um propulsor do voto que descarregaram em Bolsonaro”, analisa Magali. Para ela, o que se dá realmente é a formação de alianças de interesses mútuos. “Pensar assim é bem diferente de pensar que lideranças religiosas comandaram o voto”, reitera. E acrescenta: “no caso Bolsonaro, é preciso pensar no alcance do imaginário como um elemento determinante ao apoio evangélico e católico conservador”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Magali ainda analisa como a base desse eleitorado dá o lastro para o governo em momentos de crise. “Se o governo Bolsonaro é um desastre e tem crises de diplomacia internas e externas, ele se apega a estes apoios que acabam sendo importantes para a manutenção de sua imagem como líder político”, diz. No entanto, reconhece que as pesquisas já apontam certa retração no apoio de fiéis evangélicos. Situação que pode ainda se agravar caso o governo não deslanche em pautas que vão além dos costumes, pois, embora represente grande parte do ideário cristão conservador, não há o que segure por muito tempo uma economia em queda, por exemplo. “Vamos ver até quando isto dura, uma vez que não há projetos de governo sedutores, a não ser a distribuição de cargos, que têm limites”, resume.

Por fim, Magali também destaca que esse movimento de associação de evangélicos com a política não é um fenômeno recente. Nem mesmo a aproximação com Bolsonaro é tão recente. “Ela teve início em 2013 no apoio dele ao pastor Marco Feliciano (à época PSC/SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, e se consolidou, depois, em 2016, na filiação de Bolsonaro ao PSC”, recorda. Além, disso, evangélicos têm sido ouvidos por presidentes desde Fernando Collor, tendo inclusive grande espaço em governos petistas. “A diferença para Bolsonaro é que, mais do que uma articulação política, há a construção de imagem religiosa atrelada ao governo para assegurar o apoio do segmento. Lula se recusou a estar no altar na Igreja Universal e Edir Macedo se ressente disso”, pontua.

Magali Cunha (Foto: Iser Assessoria) 

Magali do Nascimento Cunha é doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo - USP, mestra em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO e graduada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense - UFF. Ela ainda realizou estágio pós-doutoral em Comunicação e Política, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, da Universidade Federal da Bahia - UFBA. É coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom, também integra a Associação Internacional Mídia, Religião e Cultura (International Association Media Religion and Culture) e a Associação Mundial de Comunicação Cristã (World Association for Christian Communication, WACC). Entre as obras publicadas, destacamos Religião no noticiário: marcas de um imaginário exclusivista no jornalismo brasileiro (E-Compós, Brasília, v. 19, p. 1-21, 2016) e Mídia, Religião e Cultura: percepções e tendências em perspectiva global (Curitiba: Prismas, 2016).

Reprodução Facebook
Presidente da República, Jair Bolsonaro, e a Primeira-Dama Michelle Bolsonaro, durante a Celebração Internacional 2019 “Conquistando pelos O

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Muitos analistas avaliam que o voto religioso, em particular o voto evangélico, teve um peso decisivo na eleição do presidente Jair Bolsonaro. A senhora concorda com esse tipo de análise?

Magali Cunha – O voto evangélico em Jair Bolsonaro representou, sim, um peso significativo nas eleições de 2018 e continua sendo uma importante base de apoio para o governo federal. A aproximação com o segmento evangélico foi uma estratégia que rendeu resultados muito positivos à campanha de Bolsonaro. Ela teve início em 2013 no apoio dele ao pastor Marco Feliciano (à época PSC/SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, e se consolidou, depois, em 2016, na filiação de Bolsonaro ao PSC, simbolizada num batismo no Rio Jordão, em aliança com as Assembleias de Deus, apesar de formalmente continuar católico.

Bolsonaro foi muito bem instruído no discurso que alimentou a pauta de costumes de sua campanha, afetando fortemente o imaginário evangélico conservador calcado na proteção da família tradicional, na heteronormatividade e no controle dos corpos das mulheres. Foi muito caro a muitos evangélicos imaginar ter no poder maior do país alguém defensor de suas pautas, como “homem simples, do povo, que fala o que pensa” e isto parece ter sido um propulsor do voto que descarregaram em Bolsonaro.

Pensar assim é bem diferente de pensar que lideranças religiosas comandaram o voto. De fato, há muito apelo nas igrejas para que se vote em candidatos que lideranças defendem e apoiam, mas isto não é determinante para a escolha do voto como várias pesquisas demonstram. No caso Bolsonaro, é preciso pensar no alcance do imaginário como um elemento determinante ao apoio evangélico e católico conservador.

Algumas pesquisas recentes estão mostrando que o presidente já perdeu parte da aprovação que tinha dos seus eleitores. É possível estimar se há mais evangélicos que aprovam ou desaprovam o governo e as declarações polêmicas do presidente?

A queda na aprovação do governo Bolsonaro na última pesquisa Datafolha (final de agosto) mostra 29% de bom/ótimo contra 38% de desaprovação [ruim/péssimo]. Entre evangélicos são 37% de aprovação contra 27% de desaprovação, sendo que entre neopentecostais, a popularidade do presidente chega a 46%, com rejeição de 20%. É fato que há uma queda de aprovação entre evangélicos, que já contou com 61% de bom/ótimo em pesquisa Ibope de março. Mas o apoio neste segmento ainda é significativo.

Isto se deve à aproximação mantida com este grupo religioso, assegurada nos discursos sobre costumes, na participação em eventos de igrejas e, especialmente, na concessão de cargos e promessa de outros a lideranças evangélicas. Tanto é que, com popularidade em queda, em setembro, Bolsonaro intensificou encontros com líderes evangélicos, participação em eventos religiosos e discursos moralistas pela família brasileira. Se o governo Bolsonaro é um desastre e tem crises de diplomacia internas e externas, ele se apega a estes apoios que acabam sendo importantes para a manutenção de sua imagem como líder político. Vamos ver até quando isto dura, uma vez que não há projetos de governo sedutores, a não ser a distribuição de cargos, que têm limites.

Alguns pesquisadores dizem que a eleição de Bolsonaro representa a chegada dos evangélicos ao poder Executivo. É isso mesmo ou não?

É isso mesmo! O poder Executivo vinha sendo ocupado desde o governo Dilma Rousseff, quando o primeiro ministério foi concedido a evangélicos: o da Pesca, com o senador da Igreja Universal do Reino de Deus - IURD Marcelo Crivella sendo alçado à liderança da pasta. Era uma ocupação significativa, mas não muito expressiva numericamente. Depois, a IURD também ocupou, durante o governo Dilma, o Ministério dos Esportes, com George Hilton à frente.

No governo Michel Temer o mesmo ritmo de ocupação foi mantido. Já com Bolsonaro os militares ocupam de forma expressiva e significativa o governo em vários cargos do primeiro escalão, mas dividem este poderio com evangélicos. A pastora pentecostal Damares Alves ganhou a direção do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. O Ministério da Casa Civil foi ocupado pelo luterano Onyx Lorenzoni e o Ministério do Turismo é conduzido pelo membro da Igreja Maranata Marcelo Álvaro Antônio. O ministro da Advocacia Geral da União é o pastor presbiteriano André Luiz Mendonça e o recém-nomeado ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, é um batista. São cinco evangélicos no primeiro escalão do governo federal, fora o número significativo de alocados no segundo, sendo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos o mais ocupado por evangélicos.

A estratégia de dar conta de boa parte da diversidade evangélica nestes cargos foi bem traçada, revelando habilidade no trato com este grupo religioso. Soma-se a isto o fato de Bolsonaro ter construído uma imagem religiosa de tal forma que muita gente acredita que ele é evangélico.

Como a senhora avalia a aproximação do presidente Bolsonaro com a Igreja Universal, em particular com Edir Macedo?

A IURD e seu líder maior Edir Macedo têm um projeto político bastante nítido desde sua origem. A ocupação da política institucional é parte da existência da igreja bem como a ocupação das mídias. Percebe-se pelo histórico deste projeto que esta igreja estará sempre ao lado de quem estiver no poder ou com perspectiva de alcance dele. Foi assim com Fernando Collor, na primeira investida grande da igreja que lhe rendeu cadeiras no congresso nacional. Foi assim durante os governos FHC, assim se deu com Lula, em períodos anteriores demonizado, depois com Dilma Rousseff, com Temer e não seria diferente, em 2018, com a surpreendente ascensão de Bolsonaro. Se um governo de esquerda retornar ao poder, o movimento será o mesmo.

Como interpreta a declaração de Edir Macedo na benção a Bolsonaro recentemente: “Um antes e um depois a partir de agora”?

O bispo se reveste de um poder sagrado no momento da oração, realizada no Templo de Salomão em 1 de setembro passado. Nesta compreensão de fé, Deus não age por sua conta, mas age por intermédio do bispo – ele é quem tem o poder de trazer Deus e sua ação. Tanto é que Macedo afirma: “A mídia toda é contra ele, e eu sei o que é isto porque vivenciamos o Inferno da mídia, das pancadarias dela porque é a imprensa marrom. Mas eu estou aqui”. Ou seja, Macedo se apresenta como o redentor de Bolsonaro, reconhecendo que o governo não vai bem e culpando as mídias.

Ao orar é que ele invoca “sabedoria, inteligência, tenha coragem, ânimo, saúde, força, vigor” sobre o governante e então declara “Nós o consagramos. O povo todo é testemunha de 'um antes e um depois' a partir de agora”. Ou seja, antes o governo não vai bem e é a partir da ação sagrada do bispo que as coisas se fariam diferentes e o governo deslancharia. Ainda por conferir a realização dessa profecia.

Como a senhora referiu, o presidente Lula também se aproximou de Edir Macedo. Que diferenças e semelhanças há nas relações do governo Lula e do governo Bolsonaro com Edir Macedo?

Antes da oração de consagração de Bolsonaro no Templo de Salomão na IURD em 1 de setembro passado, o bispo Edir Macedo declarou aos presentes que, no passado, ele convidou para ir à igreja um outro candidato presidencial, que acabou virando presidente, mas que não foi possível fazer com aquele "determinado candidato" o mesmo que estava acontecendo naquele dia. Era uma possível referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esta declaração já demarca a diferença na relação dos governos Lula e Dilma com a IURD, uma relação meramente política, não religiosa, como Bolsonaro tenta expor.

Como respondi acima, a IURD se relaciona com quem está no poder ou próximo dele e assim foi com Lula e Dilma. Da parte dos governos do PT, houve alianças para a eleição com diversos partidos, nos quais deputados evangélicos estavam alocados. Houve ainda a estratégia de campanha de aproximação com lideranças evangélicas das igrejas e da política partidária que Lula traçou. A ação do chefe de gabinete da Presidência no primeiro mandato, feito ministro da Secretaria Geral no segundo, Gilberto Carvalho, foi fundamental neste processo. Militante católico, fundador do Movimento Fé e Política, Carvalho criou uma assessoria para diálogo com lideranças religiosas, transformada na Secretaria Nacional de Articulação Social - SNAS, ligada à Secretaria de Governo da Presidência no segundo mandato.

A diferença para Bolsonaro é que, mais do que uma articulação política, há a construção de imagem religiosa atrelada ao governo para assegurar o apoio do segmento. Lula se recusou a estar no altar na IURD e Macedo se ressente disso, como declarou.

No início deste ano, o pastor Silas Malafaia criticou a ingerência de Olavo de Carvalho no governo Bolsonaro e as declarações de Eduardo Bolsonaro nos EUA sobre imigrantes ilegais. Quais são as relações do pastor, especificamente, com o governo?

Silas Malafaia é amigo próximo de Bolsonaro há muitos anos. Realizou o casamento de Bolsonaro com Michele, a terceira esposa, que era membro de sua igreja à época. A relação entre os dois, portanto, passa por um apoio mais do que político, um apoio pessoal. A pauta política e ideológica dos dois, claro, tem aproximações que alimentam este relacionamento estreito e o apoio incondicional.

Que outros líderes evangélicos estão próximos do governo Bolsonaro?

Vale destacar que o deputado federal assembleiano Marco Feliciano (Podemos/SP), como eu registrei acima, tem uma aliança com Bolsonaro desde 2013. Quando, em março passado, o governo federal já vivia crise de projetos e de diplomacia, Feliciano criticou publicamente a comunicação do governo, classificando-a como péssima, acrescentando que o presidente que governa sozinho se torna um “gigante com pés de barro”.

Dali, Feliciano se converteu em vice-líder do governo no Congresso e um dos principais interlocutores de Bolsonaro com a imprensa, passou a fazer parte da delegação que acompanha o presidente em eventos, incluindo viagens, e passou a ser cotado para assumir a vaga de vice na chapa do presidente, numa possível candidatura à reeleição, em 2022. Com a assessoria de Feliciano, Bolsonaro passou a frequentar mais intensamente cultos e eventos religiosos.

Há ainda a deputada federal batista Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo na Câmara. Ela tem atuado fortemente em defesa de pautas do governo e é uma das maiores disseminadoras de matérias falsas pela internet que alcançam muitos grupos evangélicos.

Algumas análises pontuam uma distinção em relação à atuação dos evangélicos no governo Bolsonaro: afirmam que os evangélicos terão representatividade, mas não protagonismo. Qual é o peso dos evangélicos no atual governo em relação a governos passados? Na sua avaliação, há mais representatividade ou protagonismo?

Esta resposta já foi detalhada acima, mas podemos reconhecer que há representatividade e protagonismo, especialmente pela aproximação cada vez mais intensa em busca do apoio que o governo não encontra com outros segmentos. Evangélicos são hoje prioridade no governo.

Quais são as principais pautas da bancada evangélica neste momento?

Permanecem e se fortalecem as pautas da moralidade sexual (o chamado combate à “ideologia de gênero”) e as pautas de benefícios para o segmento, como o recente episódio com o secretário da Receita Federal demitido, Marcos Cintra, que chegou a propor a criação de uma contribuição sobre operações financeiras que poderia incidir sobre o dízimo. Além de vetar a proposta, Bolsonaro levou Cintra a reuniões com membros da Bancada Evangélica e ordenou que a RF editasse regras para eliminar a burocracia fiscal dos templos – uma parte foi dispensada de inscrição no CNPJ e de relatórios diários sobre a movimentação financeira.

Nas duas últimas legislaturas, podemos perceber o movimento cada vez mais intenso de ampliação da influência sobre temas sociais para além das pautas da moralidade sexual e dos benefícios “domésticos”. A articulação da Bancada Evangélica com as bancadas da segurança pública e ruralista, popularmente denominada Bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia) tem mostrado a busca de influência e até mesmo o protagonismo de líderes da Bancada Evangélica em temas como a diminuição da maioridade penal e fim da demarcação de terras indígenas. O recente investimento no projeto Escola Sem Partido (relacionado às pautas da moralidade sexual mas também à imposição de censura à atuação de educadores nas escolas) demostra que a Bancada Evangélica também quer atuar em encaminhamentos referentes às políticas de educação.

Exemplo forte foi a reunião realizada em 18 de setembro com dirigentes da Fundação Lemann. A agenda foi organizada pelo Ministro da Educação do governo Michel Temer Mendonça Filho, consultor sênior da Fundação Lemann e pelo próprio presidente do grupo, o empresário Jorge Lemann. Na divulgação oficial, “o encontro teve como objetivo ouvir as diversas propostas da instituição para a educação no Brasil”. Vale recordar que a Fundação Lemann tem o projeto “Todos pela Educação”, alinhado com as propostas do governo federal de enfraquecimento da educação pública e privatização dos processos de educação, e financiou a eleição de vários deputados federais (Tábata Amaral, a mais destacada).

Ainda neste 2019, a Bancada Evangélica também pressionou fortemente o governo federal pela mudança da Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo o encaminhamento feito pelos Estados Unidos. Não foi bem sucedida por conta das graves consequências para a diplomacia brasileira mas esta pauta permanece viva. E segue buscando influenciar a política externa até mesmo com a inserção de temas da moralidade sexual, como, por exemplo, as instruções oficiais do comando do Itamaraty para diplomatas brasileiros, em junho passado para que, em negociações em foros multilaterais, reiterem “o entendimento do governo brasileiro de que a palavra gênero significa o sexo biológico: feminino ou masculino”.

Outro tema em que a Bancada busca influenciar no tocante às relações exteriores do Brasil é a questão relativa à perseguição de cristãos por muçulmanos. Tema que povoa fortemente o imaginário de evangélicos brasileiros atiçado por páginas da internet que o alimentam com histórias de perseguição e discriminação nem sempre devidamente narradas. Vale registrar que muitas igrejas evangélicas brasileiras têm atividades missionárias em países islâmicos. A Bancada reuniu-se em junho passado com o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo e solicitou uma posição mais dura do Brasil em fóruns internacionais contra a morte de cristãos em países muçulmanos. Em agosto, um dos oficiais da embaixada brasileira em Washington Nestor Forster afirmou em evento da ONU: “O ministro Ernesto Araújo tem defendido incansavelmente a liberdade religiosa e dado voz à preocupação de cristãos brasileiros, católicos e evangélicos, com a perseguição e a discriminação".

Outras análises especulativas sobre a próxima eleição presidencial dizem que cada emissora de TV terá um candidato: a Record apoiará Bolsonaro, a Globo, Luciano Huck e a Band, João Doria. Percebe sinalizações neste sentido?

A ideia é boa e criativa, mas tudo o que for dito sobre eleições em 2022 no atual quadro de desgoverno, com ausência de projetos, crise na diplomacia interna e externa, denúncias em escala crescente advindas da Vaza Jato e intensa crise no Judiciário, será pura especulação. Não somos capazes de dizer qual será o quadro da política brasileira no mês que vem, imagine em 2022!

Sobre as mídias, é sempre bom recordar que Bolsonaro não teve apoio de qualquer das grandes redes de TV na campanha de 2018. A Record aderiu ao fim do processo, na decisão das eleições. Bolsonaro não teve nem um minuto na campanha eleitoral gratuita pela TV, mas ganhou as eleições. Isto se deu muito por sua ocupação das mídias sociais, com base em discursos bélicos e de defesa da moralidade conservadora e muito conteúdo falso disseminado especialmente pelo Whatsapp. Nunca mais teremos o mesmo processo eleitoral depois do que aconteceu em 2018 e isto precisa ser seriamente refletido com vistas a projeções futuras.

Edição: João Vitor Santos

Veja também

Comentários