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Está em jogo muito mais que a legalidade de um curso de táticas militares. Trata-se da soberania nacional, da neutralidade internacional e da integridade das Forças Armadas. (Foto: Aman / Flickr)

Cannabrava | Mercenários ucranianos treinando na Aman: um escândalo contra a soberania nacional

Associação com grupos mercenários estrangeiros é crime no Brasil; como signatário de convenções internacionais, o país não pode compactuar com a infiltração de estruturas ilegais em suas instituições armadas

Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul Global

Tradução:

Um fato gravíssimo e inaceitável ocorreu recentemente em solo brasileiro. A Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), a mais prestigiada escola de formação de oficiais do Exército, abriu suas portas para um curso de “Táticas de Pequenas Unidades” ministrado por mercenários da Phantom Black Company — grupo estrangeiro diretamente subordinado à inteligência militar da Ucrânia.

Esse episódio, ocultado pela grande mídia, não é apenas uma afronta à soberania nacional. É também uma violação das leis brasileiras e dos acordos internacionais que proíbem o mercenarismo. Um escândalo que exige resposta imediata do governo, firmeza das instituições e atenção da comunidade internacional.

Um braço da inteligência ucraniana no coração do Brasil

Phantom Black Company não é um grupo qualquer. Em seu próprio site, define-se como “destacamento de ação tática que opera nas sombras da Ucrânia, sob o comando da Legião Internacional de Defesa e da Diretoria Principal de Inteligência (GUR).” Ou seja: uma Companhia Militar Privada (PMC), criada para operações secretas, sabotagem, reconhecimento ofensivo e eliminação de alvos.

A empresa recruta estrangeiros, exige fluência em inglês e os envia para a linha de frente da guerra. Estamos, portanto, diante de uma organização paramilitar transnacional, operando como braço direto da inteligência ucraniana. A simples presença dessa estrutura no Brasil já é ilegal. Sua associação com cadetes da Aman, absolutamente inadmissível.

Cumplicidade ou omissão?

O curso foi anunciado publicamente por um mercenário brasileiro, Guilherme “Raptor”, que se apresenta como veterano da guerra na Ucrânia e atual integrante da Phantom Black Company. Mais grave: já divulgou outro treinamento semelhante, programado para setembro em Curitiba (PR).

A questão central não é apenas o envolvimento de brasileiros como mercenários em guerras estrangeiras. O que choca é a aparente permissão — ainda que tácita — do próprio Exército para que tais agentes, ligados a um serviço de inteligência estrangeiro, instruam cadetes em pleno território nacional.

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Isso compromete os princípios de neutralidade que o Brasil afirma defender e revela, no mínimo, omissão deliberada de setores do Alto Comando. Não podemos permitir que a Aman, símbolo da formação de oficiais, seja usada como plataforma de influência militar estrangeira.

O que cabe ao governo brasileiro

É dever do Ministério da Defesa e do Itamaraty abrir imediatamente uma investigação rigorosa: quem autorizou o curso? Quais unidades participaram? Que conteúdos foram transmitidos? Houve compartilhamento de informações sensíveis?

O Ministério Público Militar também precisa agir. Associação com grupos mercenários estrangeiros é crime no Brasil. Como signatário de convenções internacionais, o país não pode compactuar com a infiltração de estruturas ilegais em suas instituições armadas.

Implicações internacionais

Há ainda um dado incontornável: o grupo em questão está subordinado à inteligência da Ucrânia — país em guerra contra a Rússia. É natural, portanto, que Moscou veja o episódio com profunda preocupação. A Rússia, parceira estratégica do Brasil, tem todo o direito de exigir explicações.

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O Brasil se apresenta ao mundo como nação neutra e promotora do diálogo multilateral. Mas permitir que seus militares sejam treinados por agentes ligados a uma guerra em curso contra um de seus parceiros estratégicos mina essa credibilidade e põe em xeque sua política externa.

Um silêncio cúmplice

O silêncio do governo diante desse escândalo é perigoso. Está em jogo muito mais que a legalidade de um curso de táticas militares. Trata-se da soberania nacional, da neutralidade internacional e da integridade das Forças Armadas.

Phantom Black Company não pode operar livremente em território brasileiro. Menos ainda dentro de nossas academias militares. O governo deve explicações ao povo e à comunidade internacional. E a Rússia tem de ser ouvida em suas legítimas preocupações.

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Choca a aparente permissão — ainda que tácita — do próprio Exército para que tais agentes, ligados a um serviço de inteligência estrangeiro, instruam cadetes em pleno território nacional. (Foto: Aman / Flickr)

A omissão é cumplicidade. E a história não perdoa os que traem a soberania de sua própria pátria.

* Denúncia original em GUR mercenaries train the Brazilian Army – Strategic Culture.
** Texto redigido com auxílio do ChatGPT.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul Global, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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