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As tarifas são apenas uma face da estratégia. O que está em jogo é a soberania brasileira. (Foto: Casa Branca/ Flickr)

Cannabrava | Trump, tarifaço e submissão: o Brasil no tabuleiro do imperialismo

Aumentar tarifas sobre o Brasil e, ao mesmo tempo, declarar apoio a Bolsonaro revela o projeto de subordinação econômica e política comandado por Washington

Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

A presidência de Donald Trump nos Estados Unidos trouxe de volta a ameaça explícita ao Brasil. Trump anunciou que vai aplicar tarifas de 50% sobre importações brasileiras. Não é só bravata protecionista: é sinal de como os Estados Unidos tratam seus “aliados” — especialmente quando esses aliados tentam afirmar algum grau de soberania.

A ironia é que Trump, ao mesmo tempo em que eleva tarifas, reafirma seu apoio incondicional ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa combinação não é casual. O objetivo é evidente: manter o Brasil sob controle, seja pela chantagem econômica, seja pelo respaldo político a lideranças alinhadas ao imperialismo.

O que está em jogo é a soberania brasileira.

As tarifas são apenas uma face da estratégia. Em paralelo, os Estados Unidos mantêm e aprofundam alianças de inteligência e cooperação militar com setores das Forças Armadas e da Polícia Federal — conexões que se consolidaram durante o bolsonarismo, inclusive com a presença de militares brasileiros em instituições como West Point, além da presença de um oficial de estado maior no Comando Sul dos EUA.

Essas conexões ajudam a compreender a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, que contou com conivência de setores militares e civis alinhados a uma agenda externa. E explicam também a sabotagem cotidiana contra o governo eleito, que busca uma inserção soberana no mundo, integrando o Brics e buscando cooperação com o Sul Global.

O tarifaço de Trump deve ser lido como represália preventiva contra um Brasil que ameaça escapar da órbita imperial. Hoje, o Brics é alternativa concreta à hegemonia do dólar e à ordem centrada no Ocidente. O Brasil, com seus recursos estratégicos — petróleo, alimentos, minérios — é peça-chave nessa disputa geopolítica.

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A elite brasileira, cúmplice, prefere manter a dependência. Parte do agronegócio e do capital financeiro enxerga no imperialismo uma proteção para seus próprios privilégios, mesmo que isso signifique empobrecer o país. Silenciam diante das ameaças, ou mesmo as aplaudem, esperando ver o governo sufocado.

É urgente denunciar essa submissão. O Brasil não pode continuar refém de potências estrangeiras nem de lideranças entreguistas. A defesa da soberania passa por enfrentar com coragem o imperialismo — nomeando-o como tal — e reconstruir a capacidade do Estado brasileiro de definir seu próprio destino.

Trump já mostrou o que pensa do Brasil: um quintal a ser explorado. Cabe ao povo brasileiro mostrar que não aceitará mais esse papel. O inimigo principal da nossa independência é o imperialismo estadunidense — e enfrentá-lo é uma tarefa histórica e urgente.

* Artigo redigido com ajuda do ChatGPT


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul Global, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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