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A "Carta de Niterói" defende o apoio aos jornalistas do bloco, com estímulo à cooperação e à construção de um jornalismo verdadeiramente independente (Imagem: IA)

Carta de Niterói: a proposta dos jornalistas do Brics para integrar a comunicação do Sul Global

Texto defende a construção de uma Big Tech a serviço dos países empobrecidos, além de uma "Nova Ordem Informativa Internacional" a exemplo do que sustentou, por décadas, o Movimento dos Países Não Alinhados

Mehane Albuquerque
Brasil 247
São Paulo (SP)

Tradução:

Os jornalistas participantes do Brics Press Meeting lançaram, em 4 de julho, a ‘Carta de Niterói’, que propõe a criação de uma Big Tech a serviço dos países empobrecidos e menos desenvolvidos tecnologicamente, com o objetivo de quebrar o monopólio ocidental da concentração da informação. A carta também sugere ações para fortalecer o jornalismo independente e multipolar. O documento será entregue ao governo brasileiro, que ocupa a presidência rotativa do bloco, e aos demais países do Brics.

Os profissionais de imprensa do Brics se reuniram em um dos mais belos casarões antigos que integram o patrimônio arquitetônico e cultural de Niterói — o Solar do Jambeiro. O objetivo do encontro, realizado às vésperas da 17ª Reunião de Cúpula do bloco — dias 6 e 7 de julho, no Rio — promoveu análises geopolíticas e debates sobre a comunicação do Sul Global (ou Maioria Global). O evento foi transmitido pelos canais do YouTube da Rádio e Jornal Toda Palavra, da TV 247 e da TV Comunitária de Brasília.

“Nós, comunicadores independentes de várias nacionalidades, representantes da Maioria Global, que não nos conformamos com a censura da verdade, da justiça e do direito praticada pela mídia imperialista e determinados a cumprir nosso dever jornalístico – muitas vezes à custa da própria vida, como mostram os centenas de jornalistas assassinados nos últimos dois anos na Palestina –, expressamos nosso apoio a esse bloco de países inconformados com as atuais relações do poder geopolítico internacional, defendendo a sua expansão e consolidação com uma alternativa para a humanidade, ante um mundo tão desigual e cada vez mais violento”, diz o texto, que defende a necessidade da construção de uma ‘Nova Ordem Informativa Internacional’, a exemplo do que sustentou, por décadas, o Movimento dos Países Não Alinhados.

Brics: o novo mundo incomoda o decadente e velho mundo

A Carta de Niterói propõe, ainda,

  1. A criação de uma plataforma tecnológica própria de comunicação “contemplando TV, Rádio e de internet, para o qual já dispõe dos recursos financeiros, tecnológicos e humanos indispensáveis”;
  2. A organização de um pool de agências de notícias públicas dos países do Brics, com o intuito de fazer circular notícias relevantes acessíveis ao grande público;
  3. O apoio aos jornalistas do bloco, com estímulo à cooperação e à construção de um jornalismo verdadeiramente independente.

“Que os Brics desenvolvam uma política de apoio à mídia independente, com recursos suficientes para a sua qualificação profissional e tecnológica, incentivando um fluxo multipolar de informações”, defende o texto. Leia, abaixo, a íntegra do texto:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Mehane Albuquerque

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