* Atualizado em 30 de abril de 2026, às 10h20.
O jovem casal saarauí Mohamed Bouchana, de 32 anos, e a marroquina Ibtissam Wiklandour, de 29 anos, permanece retido desde o dia 27 de janeiro na área restrita de embarque/desembarque do aeroporto Internacional de Guarulhos em condições extremamente precárias, dormindo em cadeiras e se alimentando com três refeições diárias de péssima qualidade, fornecidas pela companhia aérea Ethiopian Airlines.
Após requererem a condição de refugiados, os dois tiveram concedida a decisão liminar da Justiça Federal da abstenção da deportação sumária, mas ainda assim continuam detidos, após uma denúncia falsa feita pelo reinado do Marrocos à Interpol que acionou o “alerta vermelho” para a sua captura.

De acordo com os jovens, a Interpol vem sendo utilizada com interesses políticos e como instrumento de perseguição do povo saarauí, pois Mohamed nasceu em Dakla, zona saarauí ocupada, no Marrocos, e Ibtissam em Tindouf, região da Argélia onde ficam os acampamentos de refugiados saarauís. Os dois lutam pela descolonização da República Saarauí Democrática e pelo cessar da violência e da precariedade econômica às quais seu país está submetido, vítima da espoliação e exploração dos recursos naturais.
“Grave violação de direitos humanos”
“Trata-se de um grave caso de violação de direitos humanos. O casal apresenta sinais de subnutrição e exaustão, de comprometimento de sua saúde física e mental. A Ibtissam já teve crises nervosas, febre e dores que não sabemos se foram causadas por todo o estresse ou outra condição. Estes jovens estão casados há sete meses, três deles passados no aeroporto de Guarulhos, dormindo em cadeiras. Não são bandidos, não são criminosos. São pessoas pobres que buscam um lugar para viver e trabalhar em paz”, relatou a professora Monica Fonseca Severo, do Comitê de Solidariedade ao Povo Saarauí.
“Mohammed Bouchanna é perseguido pois é um militante da causa da libertação de seu território, que está ocupado pelo reinado do Marrocos, a serviço dos EUA/França, com apoio logístico da gestapo israelense, o Mossad”, informou Monica, que acompanha o caso, frisando que o estatuto da Interpol proíbe a intervenção em questões ou assuntos de caráter político, militar, religioso ou racial.
“As denúncias levantadas contra Mohammed são evidentemente falsas, uma armação que só revela o grau de degeneração do regime marroquino, do qual pudemos ter a dimensão na sua plenitude quando visitamos recentemente os campos de refugiados saarauís na Argélia”, recordou Monica, acrescentando que “a mesma causa que defendemos, de um Brasil para os brasileiros, é a que ele defende.”
Após “alerta vermelho” do Marrocos, PF detém em Guarulhos militante saarauí vítima de perseguição
Em nome do Comitê de Solidariedade, Monica lembrou que “a justiça brasileira concedeu uma liminar impedindo a deportação sumária, mas não deu resolução ao tormento”.
“Pergunto novamente: seremos nós, os brasileiros, que vamos perseguir os que lutam pela sua soberania e autodeterminação?”, questionou.
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