Os governos da Venezuela e de Israel acordaram em 11 de agosto reativar os serviços consulares após 17 anos de ruptura das relações diplomáticas.
Em um comunicado conjunto, ambas as chancelarias declararam que, “dando continuidade à visita da delegação humanitária israelense à Venezuela após o terremoto duplo ocorrido em 24 de junho (…) os dois países acordaram continuar sua cooperação técnica bilateral decorrente da resposta de emergência e dos esforços de reconstrução posteriores ao terremoto duplo”.

O texto faz referência à delegação enviada pelo governo de Israel para apoiar as tarefas de busca e resgate de vítimas, assim como na recuperação da infraestrutura diante da emergência provocada pelo evento sísmico.
Engenheiros do Comando da Frente Interna, pessoal da Autoridade Nacional de Gestão de Emergências e representantes do Ministério das Relações Exteriores de Israel permaneceram no país até 22 de julho, período durante o qual realizaram inspeções técnicas e prestaram assessoria em matéria de demolição e reconstrução.
Também estiveram presentes 16 socorristas das Forças de Defesa de Israel (FDI), junto a membros da empresa de gestão de desastres e emergências Magen e das ONGs israelenses Ready for Rescue e SmartAID.
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Esse mecanismo de cooperação gerou críticas de alguns movimentos de base do chavismo, que protestaram em julho na praça Bolívar, em Caracas, contra a presença dos exércitos de Israel e dos Estados Unidos.
Em 10 de agosto, o chanceler Félix Plasencia recebeu o rabino principal da Associação Israelita da Venezuela, Isaac Cohen, que entregou uma carta dirigida à presidenta Delcy Rodríguez propondo a consideração de “restabelecer as relações diplomáticas e consulares em benefício da comunidade judaica”.
Embora não se fale diretamente em restabelecimento das relações diplomáticas, a nota conjunta dos governos de Delcy Rodríguez e Benjamin Netanyahu afirma que decidiram “estabelecer um mecanismo de coordenação que permita a prestação de serviços consulares a seus respectivos cidadãos residentes no outro país, conforme necessário”, o que, na prática, abre caminho para um novo relacionamento.
Venezuela e Israel não mantêm relações diplomáticas desde 15 de janeiro de 2009, quando o então presidente Hugo Chávez expulsou todo o pessoal da embaixada israelense como resposta ao massacre militar de Tel Aviv sobre a Faixa de Gaza na Operação Chumbo Fundido. Chávez acusou Israel de estar cometendo “um holocausto” contra o povo palestino. Maduro manteve a mesma posição durante seus quase 13 anos no poder, até sua queda em 3 de janeiro passado, com a agressão militar estadunidense.





