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Kast despenca nas pesquisas enquanto 56% dos chilenos veem piora na economia familiar

Promessa de ordem econômica perdeu força após aumento dos combustíveis e do desemprego; apenas 30% aprovam a gestão de economia e emprego, e metade rejeita o pacote tributário do governo

Antonio Paez
Esquerda Diário
Santiago del Chile

Tradução:

Tradução: Ana Corbisier

O direitista José Antonio Kast é presidente do Chile a apenas quatro meses. Assumiu em 11 de março e, onze dias depois, já era desaprovado por mais gente do aquelas que o aprovavam. Em 24 de março a pesquisadora Cadem registrava 47% de aprovação contra 49% de desaprovação. Desde então a diferença só aumentou. A última medição em Praça Pública, realizada em 10 de julho junto a 1.000 casos, mostra 38% de aprovação e 58% de desaprovação, um saldo líquido de -20 pontos.

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José Antonio Kast – wikipedia

A queda nas pesquisas por parte do governo tem picos claros. O primeiro coincide, segundo a própria série da Cadem, com o aumento histórico dos combustíveis: entre 20 e 26 de março a aprovação caiu de 51% a 43% e a desaprovação subiu de 42% para 51%. O benzinaço inaugurou o mandato, e o que em qualquer outro governo teria sido a “lua de mel”, neste foi o início de um ajuste sobre os bolsos populares. O segundo golpe chegou no começo de julho, com os dados de desemprego e do Indicador Mensal de Atividade Econômica (Imacec), quando a desaprovação chegou a 60%.

Quinze semanas em que a angústia econômica comanda

O dado mais eloquente do estudo não está na aprovação presidencial, mas na avaliação que as famílias fazem de sua própria situação. 56% qualificam de ruim ou muito ruim sua situação econômica familiar, a cifra mais alta desde março de 2014. Já são quinze semanas consecutivas em que a avaliação negativa supera a positiva, uma tendência que se aproxima das dezoito semanas registradas durante a pandemia.

As expectativas apontam na mesma direção. As expectativas negativas de consumo chegam a 79% (+5 pontos), o nível mais alto desde junho de 2014. As expectativas negativas de emprego chegam a 88%, o registro mais alto desde abril de 2021.

80% consideram que a economia chilena está estancada ou retrocedendo, e só 17% acreditam que está progredindo. Perguntados sobre o rumo do país, 57% respondem que vai por um mau caminho.

Há um cruzamento que ordena todo o quadro. Enquanto 56% avaliam negativamente a economia de sua própria casa, 56% qualificam de boa ou muito boa a situação econômica das empresas. A percepção social capta com precisão o que as contas nacionais confirmam: a crise não se distribui de maneira equitativa. Há aqueles que a pagam e há aqueles que a administram de uma posição vantajosa.

A megarreforma: rejeição dos presentes tributários

O Plano de Reconstrução Nacional e Desenvolvimento Econômico, que tramita no Senado, é o eixo do programa econômico do governo. A pesquisa o registra como a segunda notícia mais importante da semana (20%). E o balanço é adverso: 50% está em desacordo com o pacote de medidas e 44% de acordo.

O que é decisivo aparece quando se abre o plano medida por medida. Quando se pergunta quanto a destinar mais recursos à reconstrução das zonas afetadas pelos incêndios em Ñuble e Biobío, o apoio é transversal e chega a 81%.

Mas quando se pergunta pelo coração do projeto —a transferência de recursos públicos ao grande capital — a aprovação cai: reduzir gradualmente o imposto das empresas de 27% para 22% em três anos: apenas 39% de acordo e 56% em desacordo; aliás, é a medida mais rejeitada de todo o plano.3

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Garantir invariabilidade tributária por períodos de entre 10 e 20 anos para os grandes projetos de investimento: 42% de acordo e 44% em desacordo. Avançar para um sistema tributário integrado, em que as empresas e seus proprietários paguem de maneira conjunta: 50% de acordo. Agilizar as licenças ambientais e administrativas para projetos de investimento: 53% de acordo, e 40% que se opõem.

Consultados sobre os efeitos esperados do plano, só 32% confiam em que melhorará os salários e apenas 30% que reduzirá o custo de vida, enquanto 47% confiam em que servirá para atrair investimentos para o Chile. A população acredita que o plano funcionará para os investidores e não para quem vive de salário. Este é exatamente o desenho do projeto, e o governo sabe disso.

Cai o eixo da campanha

A queda não se limita ao terreno econômico. A avaliação por áreas de gestão mostra o maior retrocesso justamente no assunto com que Kast construiu sua candidatura: delinquência e narcotráfico caem 8 pontos para 36% de aprovação, e 58% de desaprovação. Justiça fica em 23% (-7 pontos), a pior de todas as áreas; a relação com o Congresso, 28% (-6); economia e emprego, 30% (-4). Nenhuma área supera 44%.

A promessa de “ordem” que sustentou a campanha se esgota na mesma velocidade que a promessa de prosperidade. É a lógica de um governo que governa para uma minoria e precisa, cedo ou tarde, descarregar o custo sobre a maioria.

O que as pesquisas não medem

Junto com a megarreforma, o Executivo impulsiona uma agenda trabalhista dirigida ao mesmo objetivo por outra via: o contrato por horas reativado no Senado, o retrocesso quanto às 40 horas e a reestruturação das indenizações por anos de serviço mediante contas individuais, com o modelo das AFP [aposentadoria privada] como espelho.

Nenhuma dessas medidas foi incluída no questionário da Cadem. A omissão não é casual. Trata-se da parte do programa que o governo prefere tramitar sem ruído, enquanto a discussão pública gira em torno da reconstrução.

O desgaste que as pesquisas registram expressa um mal-estar real, mas por si só não detém nenhuma lei. A direita no governo seguirá em frente com a megarreforma enquanto encontrar no Congresso uma oposição disposta a negociar seus termos e só no parlamento em vez de enfrentá-la nas ruas e com mobilização.

Frear a transferência de recursos para o grande empresariado e a ofensiva contra os direitos trabalhistas exige que o movimento operário e suas organizações tomem o assunto em suas próprias mãos, com mobilização e um programa que ponha a crise nas costas daqueles que a geraram.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Antonio Paez Delegado e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Starbucks Coffee Chile.

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