UOL - O melhor conteúdo
Pesquisar
Pesquisar

Chile: "Não são delinquentes”, diz Boric sobre indulto a condenados por protestos em 2019

"É um compromisso pessoal, são decisões complexas, mas as assumo responsavelmente”, acrescentou o presidente chileno diante de ataques da direita
Aldo Anfossi
La Jornada
Santiago

Tradução:

O presidente chileno Gabriel Boric indultou, na sexta-feira passada (30), 12 pessoas que cumpriam condenações por fatos de violência protagonizados no marco da explosão social de 2019, cumprindo assim com um de seus mais controversos e sentidos compromissos de governo, particularmente com as organizações sociais e os familiares de cujos integrantes se levantaram durante semanas e meses contra a ordem estabelecida. 

O indulto presidencial favoreceu também a um ex-membro da subversiva Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) – uma organização inicialmente vinculada ao Partido Comunista que optou pela via armada para derrocar o ditador Augusto Pinochet –, sentenciado a 16 anos de prisão por seu papel em um assalto a um banco em 2013.

Continua após o anúncio

Chile: Boric pede justiça a crimes de Estado cometidos durante estalido social, em 2019

A decisão provocou o unânime e instantâneo repúdio da oposição direitista, que decidiu retirar-se das negociações para chegar a um consenso nacional de segurança em matéria preventiva e repressiva do delito. Além disso, anunciou que acusará constitucionalmente a ministra de Justiça, Marcela Ríos, autoridade política encarregada de recomendar e executar os indultos.

Continua após o anúncio

“Enquanto o país clama que os delinquentes estejam presos, o senhor se dedica a libertá-los. Não vamos seguir conversando com o governo nessas condições”, disse o chefe de deputados da Renovação Nacional, Andrés Longton, dirigindo-se a Boric.

"É um compromisso pessoal, são decisões complexas, mas as assumo responsavelmente”, acrescentou o presidente chileno diante de ataques da direita

Opera Mundi
Presidente chileno havia prometido dar perdão judicial a alguns dos presos por fatos ocorridos durante a revolta social




“Não são delinquentes”

O mandatário, respondendo ao enconado ataque e referendando a sua decisão, assegurou que os indultados “não são delinquentes”, que a sua foi “uma decisão difícil e muito meditada”, que é “um compromisso e eu cumpro meus compromissos” e que “a faço pensando no bem da pátria”.

“Temos que sanar estas feridas, aqui vivemos um processo que foi tremendamente complexo e no qual estes jovens não são delinquentes. É um compromisso pessoal, são decisões complexas, mas as assumo responsavelmente”, resumiu.

Continua após o anúncio

A respeito da reação da direita, o governante opinou que “como enfrentamos a delinquência, colocamos pessoas diante das disputas políticas”.


Outubro de 2019

A explosão social iniciada em 18 de outubro de 2019, que se prolongou com maior ou menor intensidade durante meses e que só a pandemia da covid-19 logrou aplacar em março de 2020, se caracterizou por imensas multidões indignadas nas ruas do Chile, algumas das quais protagonizaram fatos delitivos – incêndios intencionais, saques de comércios, destruição de bens públicos e privados etc. – cuja repressão da polícia e militares causou 34 mortos confirmados, centenas de feridos à bala e por disparos de escopeta, mutilação de rostos, cegueiras parciais e/ou totais, além de aproximadamente 9 mil detidos que por anos cumpriram prisão preventiva sem receber acusações penais ou ir a julgamento. 

Entenda contexto social por trás da histórica onda de protestos no Chile

Os indultados sofreram condenações entre 3 e 15 anos de prisão por delitos de incêndio, tentativa de homicídio contra funcionário policial, lançamento de artefato incendiário em via pública contra carabineiros, posse ou porte ilegal de partes ou peças de armas de fogo e cartuchos, lançamento de bombas molotov e elaboração de artefatos incendiários. 

Continua após o anúncio

Aldo Anfossi | Especial para o La Jornada, direto de Santiago do Chile.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Assista na TV Diálogos do Sul


Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Aldo Anfossi

LEIA tAMBÉM

Fala de Milei sobre Malvinas invalida luta histórica e ataca soberania argentina, afirma entidade
Milei ataca soberania argentina e invalida luta histórica sobre Malvinas, denuncia entidade
Paul Flores como assassinato do cantor no Peru aprofundou revolta contra Boluarte (3)
Paul Flores: por que assassinato do cantor no Peru reacendeu revolta contra Boluarte
Eleições Chile conheça nomes para sucessão de Boric e o que dizem as pesquisas (3)
Eleições no Chile: os nomes para sucessão de Boric e o que dizem as pesquisas
Fim da pobreza e integração regional as chaves contra o narcotráfico no Equador e na América Latina (3)
Fim da pobreza e integração regional: as chaves contra o narcotráfico no Equador e na América Latina