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Vladimir Putin e Wang Yi (Foto: Grigory Sysoev, RIA Novosti)

China e Rússia: nossa relação está mais forte do que nunca, rumo ao mundo multipolar

Ainda segundo China e Rússia, uma das principais tarefas agora é dar “maior impulso ao desenvolvimento global”; encontro entre líderes em Moscou reafirmou solidez da relação biletaral

Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Tradução: Beatriz Cannabrava

Ao receber nesta terça-feira (1º) o chanceler chinês, Wang Yi, o titular do Kremlin, Vladimir Putin, expressou sua satisfação pela forma como as relações entre Moscou e Pequim estão se desenvolvendo e destacou o papel desempenhado pelos respectivos ministérios das Relações Exteriores nos preparativos para a visita à capital russa que será realizada pelo presidente da China, Xi Jinping, por ocasião do 80º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista, no próximo 9 de maio.

“Teremos a oportunidade de falar tanto sobre o estado atual da relação bilateral quanto sobre nossa interação nas plataformas internacionais, entre as quais cabe mencionar, em primeiro lugar, a Organização das Nações Unidas (ONU), seu Conselho de Segurança, a Organização de Cooperação de Xangai, o Brics e outras instâncias em que cooperamos com êxito”, comentou Putin a Wang, antes de pedir que transmitisse uma afetuosa saudação a “nosso bom amigo” Xi.

O visitante chinês afirmou que “a cooperação entre China e Rússia não está dirigida contra terceiros países nem está sujeita a interferências externas” e enfatizou que a visita de Xi “dará um novo impulso aos laços bilaterais”. E sobre essa aliança, acrescentou: se sustenta em “nossa amizade de longo prazo, que não é conjuntural”.

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Wang Yi: “A China está pronta para desempenhar um papel construtivo na solução do conflito (com a Ucrânia)” (Foto: Grigory Sysoev, RIA Novosti)

O chanceler chinês esteve na capital russa por convite de seu homólogo, Serguei Lavrov, com quem se reuniu na terça para ultimar os detalhes do programa da visita de Xi e reforçar os laços entre ambos os países.

Para Lavrov, graças aos dois líderes, a relação bilateral alcançou “um nível sem precedentes” e certamente seguirá se desenvolvendo “em todas as áreas”.

O chefe da diplomacia russa assinalou que “Moscou e Pequim são conscientes da grande responsabilidade que têm por manter uma estreita coordenação no âmbito internacional”, pois “os países da maioria mundial veem nisso, seguramente, o mais importante fator estabilizador nestes difíceis momentos do desenvolvimento da política mundial”.

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Durante o encontro dos chanceleres, Wang indicou que Pequim compartilha a intenção de Moscou de “forjar um genuíno mundo multipolar e democratizar as relações entre os Estados”. Opinou que é necessário promover o cumprimento, por parte de todos os países, dos princípios da Carta das Nações Unidas.

Mencionou as três grandes tarefas da cooperação entre ambos os países: “criar uma sólida base material para a relação bilateral”, “multiplicar as possibilidades para o florescimento conjunto” e “dar um maior impulso ao desenvolvimento global”.

Guerra na Ucrânia

Wang afirmou que a China – país que assume uma posição neutra em favor do cessar das hostilidades russo-ucranianas e considera que deve ser respeitada a integridade territorial da Ucrânia, ao mesmo tempo em que as legítimas preocupações da Rússia também devem ser atendidas – está na melhor disposição para contribuir com a paz.

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“A China está pronta para desempenhar um papel construtivo na solução do conflito (com a Ucrânia), levando em conta as aspirações das partes envolvidas”, disse Wang a Lavrov, ratificando o que havia afirmado horas antes em entrevista à agência de informação russa RIA Novosti.

Wang apoiou a vontade de normalizar as relações entre Rússia e Estados Unidos, que, segundo ele, é um processo positivo para o equilíbrio de forças entre as maiores potências nucleares.

Também celebrou o avanço, “ainda que não seja tão grande”, dado em direção à paz na Ucrânia pelo presidente Vladimir Putin e seu homólogo estadunidense, Donald Trump.

“De braços cruzados, nunca se poderá alcançar a paz”, concluiu Wang.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul Global – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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