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A China não é o problema que nos contam. Os EUA são o império que parecem ser

Dados sobre aposentadoria, combate à pobreza e condições de vida sustentam a crítica à propaganda ocidental que demoniza a China enquanto relativiza as desigualdades e o intervencionismo dos Estados Unidos

Redação indymedia argentina
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Tradução: Ana Corbisier

Há uma operação de propaganda tão antiga quanto o próprio imperialismo: transformar o inimigo de classe em vítima e o verdugo em salvador. Há décadas fazem isso com a China. E, enquanto o Ocidente repete o bordão do “totalitarismo chinês”, convém perguntar: quem realmente tirou 800 milhões de pessoas da pobreza extrema?

Quem melhorou, ano após ano, as condições materiais de sua classe trabalhadora? E quem, em contrapartida, mergulha a sua na precariedade, na coparticipação nos custos da saúde e em uma aposentadoria cada vez mais distante?

Vamos aos dados, que são teimosos e não admitem narrativas.

A idade de aposentadoria, sem armadilhas nem truques

A China elevou a idade de aposentadoria a partir de 2025: os homens passarão de 60 para 63 anos; as mulheres que exercem funções administrativas, de 55 para 58; e as trabalhadoras manuais, de 50 para 55 anos. Em contrapartida, atenção: a mudança será aplicada de forma progressiva ao longo de 15 anos, respeitando os direitos adquiridos de cada geração.

Comparemos sem truques: nos Estados Unidos, berço do “mundo livre”, a idade plena de aposentadoria é de 67 anos. Na Espanha, com a reforma das pensões de 2013, essa mesma idade será alcançada em 2027.

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Xi Jinping – wikipedia

Ou seja: a potência “comunista” continua tendo, mesmo após a reforma, uma das menores idades de aposentadoria do planeta, muito abaixo das duas potências capitalistas que se apresentam como juízas morais do mundo. Quem representa mais sua classe trabalhadora, camaradas? Os dados não mentem, embora a mídia tente.

Um marco histórico que o Ocidente não pode perdoar

A China derrotou a pobreza extrema. Não é propaganda, é um fato reconhecido até mesmo por organismos internacionais nada suspeitos de simpatia pelo comunismo.

Isso não significa que não exista pobreza na China — ela existe, e as contradições do gigante asiático são reais e merecem uma análise séria —, mas a erradicação da pobreza extrema, planejada pelo Comitê Central do Partido em 2015 e concretizada em 2020, é uma conquista que nenhum país capitalista pode exibir.

Tarifas, Pix, terrorismo e minerais críticos: como os EUA pressionam o Sul Global na disputa contra a China

Nem a Espanha, nem os Estados Unidos, nem a União Europeia como um todo podem dizer o mesmo de seus próprios pobres, de seus bairros esquecidos, de suas periferias condenadas à exclusão estrutural.

Xi Jinping percorreu dezenas de aldeias empobrecidas antes de anunciar a vitória e sequer a comemorou com a euforia que se poderia esperar, conscientes seus dirigentes das tarefas ainda pendentes.

Essa é a diferença entre planejar o bem-estar de um povo e deixá-lo nas mãos do mercado: aqui, a moradia, a saúde e a aposentadoria são mercadorias; lá, ainda que com contradições, constituem objetivos do Estado.

O verdadeiro rosto do império

Enquanto a China planeja, o Ocidente destrói. Donald Trump declarou uma guerra tarifária ao mundo inteiro, atingindo aliados e adversários igualmente, sem outra bússola que não os interesses de seus multimilionários. O império estadunidense não tem amigos: tem apenas súditos temporários e inimigos por decreto. Ficou claro para qualquer pessoa disposta a enxergar: nem a Europa, nem o Canadá, nem o México, ninguém está a salvo de se tornar o próximo alvo de sua agressão comercial.

Diante dessa arrogância imperial, a resposta de Xi Jinping foi categórica: “Não permitimos em absoluto que nenhuma força exterior nos atropele, oprima ou escravize; se alguém tentar, arrebentará sua cabeça ensanguentada contra a férrea grande muralha de carne e osso dos mais de 1,4 bilhão de chineses.” Essa dignidade soberana, camaradas, é precisamente o que Cuba, Venezuela e tantos povos do Sul Global vêm defendendo há décadas contra o mesmo império.

Quem é o verdadeiro inimigo

O mundo muda e, em tempos de mudança, como advertia Gramsci, nascem os monstros. O fascismo avança na Europa e na América Latina, alimentado pelo mesmo desespero social gerado pelo capitalismo em decomposição. E, diante desse avanço, a esquerda não pode continuar apontando o inimigo errado.

O verdadeiro inimigo da classe trabalhadora mundial não é a República Popular da China. Não é Cuba. Não é a Venezuela. O verdadeiro inimigo tem sede em Washington, sobrenome de multimilionário e veste terno caro.

É a internacional fascista do capital financeiro, disfarçada de defensora da liberdade enquanto mergulha seu próprio povo na precariedade e bombardeia o resto do planeta com sanções, tarifas e golpes de Estado.

Que fique claro, companheiros e companheiras: não se trata de idealizar ninguém, mas de olhar os fatos de frente. E os fatos mostram que quem tirou seu povo da miséria não foi quem nos apontam como o vilão. O vilão, camaradas, é quem parece ser.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Redação indymedia argentina

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