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ToggleRedução de tarifas de Noboa aponta para favorecer candidata de direita na Colômbia – 05/05
Uma intromissão nos assuntos internos e nas eleições da Colômbia ficou evidente no dia 5 de maio, quando, em uma decisão unilateral, o presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou que seu país reduziria a carga tarifária sobre as exportações colombianas em 25%.
A decisão de Noboa não foi resultado de uma conversa de Estado para Estado ou de governo para governo; tornou-se pública quando a candidata presidencial da extrema-direita colombiana, Paloma Valencia, revelou em sua conta no X que havia conversado por telefone com o mandatário equatoriano e conseguido que o país amazônico reconsiderasse sua postura e reduzisse as tarifas de 100 para 75%.
“Hoje conversei com o presidente Noboa e expressei nossa vontade de cooperar na luta contra o narcotráfico e o crime organizado na fronteira. Como demonstração de boa vontade com a Colômbia, o governo do Equador informou que reduz as tarifas de 100 para 75%. Uma boa notícia para o sudoeste do país. Esperamos que, com a boa relação que vamos construir a partir de 7 de agosto, as tarifas voltem a 0 por cento”, escreveu a candidata apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, líder da ultradireita colombiana.
Após a conversa, o Palácio de Carondelet, residência do presidente do Equador, publicou um comunicado no qual, além de revelar a redução da taxa tarifária contra os produtos colombianos, anuncia que “a medida entrará em vigor a partir de 1º de junho de 2026”.
A data é importante, uma vez que a Colômbia realizará eleições, em primeiro turno, no próximo dia 31 de maio, e a candidata Valencia, “em um ato de desespero”, segundo setores da opinião pública, busca subir nas pesquisas nas quais o candidato do Pacto Histórico de esquerda, Iván Cepeda, a supera por mais de 30%.
Do governo do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, tomou a palavra o ministro do Trabalho e Seguridade Social, Antonio Sanguino, que em sua conta no X interpelou a candidata ao assegurar que “é um ato de traição à pátria. Não há outra qualificação para apoiar quem agride a Colômbia. Indigno!”.
Das fileiras da extrema-direita colombiana personificada na imagem do ex-presidente Álvaro Uribe, sempre se recorreu ao governo do Equador para influenciar o debate eleitoral colombiano, uma vez que o sudoeste do país cafeeiro está ligado à fronteira equatoriana em uma linha de 600 quilômetros e, do lado colombiano, a esquerda é forte em termos eleitorais, pois ali vivem populações historicamente marginalizadas e excluídas pela ultradireita uribista.
“Não me surpreende que estejam conspirando a partir do Equador. Lembrem-se de que de lá lançaram bombas e o uribismo no governo de (o uribista Iván) Duque (2018-2022), com o procurador (Francisco) Barbosa (cuja gestão foi de 2020 a 2024), conseguiu influenciar as eleições equatorianas quando acusaram o candidato (Andrés) Arauz, da Revolução Cidadã, de ter vínculos com o ELN (grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional). Estão retribuindo favores”, disse aos meios públicos a filósofa e socióloga Luciana Cadahia.
A 25 dias das eleições presidenciais na Colômbia, o candidato continuísta do Pacto Histórico, Iván Cepeda Castro, desponta como vencedor de acordo com as pesquisas recentemente publicadas pelos meios de comunicação privados e, para ninguém é segredo, que, desde a extrema-direita, não apenas equatoriana, mas também de Miami, Flórida, recorre-se a todo tipo de artifício para evitar que a proposta do presidente Petro, com 49,4 por cento de imagem positiva, se consolide.
Por outro lado, o presidente Gustavo Petro repercutiu as denúncias relacionadas a áudios nos quais, aparentemente, o ex-presidente de Honduras, condenado por narcotráfico e indultado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Juan Orlando Hernández, estaria conspirando para desestabilizar os governos do México e da Colômbia.
“Já sabemos que com dinheiro ilegal da extrema-direita, incluindo o de presidentes atuais, um narcotraficante ex-presidente de Honduras queria destruir comunicacionalmente os governos do México e da Colômbia”, comentou Petro em sua conta no X.
Colômbia apreende 1,1 tonelada de cocaína – 10/02
A Colômbia reportou no dia 9 de fevereiro a apreensão de 1,1 tonelada de cocaína na ilha Gorgona, localizada no Pacífico colombiano, a 28 quilômetros de Guapi, no departamento do Cauca, no sudoeste do país.
A informação foi divulgada pelo presidente colombiano, Gustavo Petro, na rede social X. Segundo ele, jovens integrantes do grupo de guarda-costas, formado por marinheiros colombianos, realizaram a apreensão na madrugada de 09 de fevereiro em águas próximas à ilha Gorgona.
Horas depois, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou também no X que, com seu “apoio”, “as forças de segurança colombianas executaram uma operação conjunta para atacar um narcosubmarino. Foram destruídas 10 toneladas de cocaína com um valor de 441 milhões de dólares e quatro narcotraficantes foram presos. Alianças sólidas dão resultados sólidos”, acrescentando uma bandeira dos Estados Unidos e outra da Colômbia. Até o fechamento desta edição, o governo colombiano não havia confirmado nem desmentido essa publicação.
“Na estação de guarda-costas de Tumaco entregamos à Promotoria 1,1 tonelada de cocaína apreendida nesta madrugada perto de Gorgona por jovens integrantes do quartel”, afirmou o presidente Petro.
A operação foi realizada por militares colombianos e não contou com a colaboração de agências internacionais nem com cooperação de outros países. Tampouco foram reportadas detenções.
O próprio presidente Petro acompanhou a informação com uma foto na qual aparece o pessoal da guarda-costas responsável pela operação e os 1.100 quilos de cocaína apreendidos.
Como dado curioso, ele comentou que são inúmeros os submersíveis (submarinos artesanais) que os marinheiros colombianos já apreenderam. “Isso parece Pearl Harbor bombardeado pelos japoneses, ao ver as embarcações apodrecendo”, afirmou.
Ele também recordou a experiência da força pública colombiana em apreensões e destacou que seu governo é o que mais confiscou cocaína de narcotraficantes, superando 3.300 toneladas nos três anos e seis meses de sua administração.
“Na Colômbia, cada vez é mais difícil para o narcotráfico exportar cocaína, senhores presidentes do mundo, do Equador e dos Estados Unidos”, destacou Petro.
Por fim, com certa ironia, Petro enviou uma mensagem ao presidente equatoriano, Daniel Noboa, afirmando: “podemos ensinar ao mundo, e sobretudo ao Equador, como se faz. Não cobramos, e pode ser desde já — como, aliás, já vinha sendo feito.”
“Não queremos que o Estado equatoriano seja tomado pela máfia e eu, pessoalmente, que lutei com a própria vida para que o crime não tomasse o Estado colombiano, estou pronto e firme para ajudar”, enfatizou.
O governo do Equador, após criticar a Colômbia por uma suposta inação contra o narcotráfico, decidiu aumentar em 30% as tarifas sobre produtos colombianos. Em resposta, o governo de Petro adotou a mesma medida.





