Pesquisar
Pesquisar
Foto: Gustavo Petro / Facebook

Colômbia: Petro dispensa acordos com oligarquia em reforma de ministérios

Gustavo Petro escolheu Ángela Buitrago para o Ministério da Justiça, especialista em Direitos Humanos e responsável por investigar violações na Colômbia e no México
Jorge Enrique Botero
La Jornada
Bogotá

Tradução:

Beatriz Cannabrava

Nesta segunda-feira (1), começou a anunciada “reforma total” dos ministérios do governo do presidente Gustavo Petro com a substituição do titular da Justiça, Néstor Osuna, que será substituído pela renomada jurista Ángela María Buitrago, até há alguns meses candidata a Procuradora-Geral.

Reconhecida na Colômbia por suas investigações sobre violações aos direitos humanos pelas Forças Militares após a tomada do Palácio da Justiça executada pelo M-19 em 1985, a nova ministra foi nomeada em 2015 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) como especialista de um grupo interdisciplinar para investigar o desaparecimento forçado dos 43 estudantes de Ayotzinapa, México.

Leia também | Força popular contra golpismo: mais da metade da Colômbia apoia reformas de Petro

Depois de demonstrar que a verdade oficial era muito diferente da verdade judicial, Buitrago teve que renunciar devido a pressões do exército mexicano, com o qual teve duros enfrentamentos. Sua chegada à equipe ministerial de Petro foi considerada uma recompensa para os defensores dos direitos humanos e um reconhecimento a quem enfrentou temíveis poderes de políticos e chefes regionais aliados a grupos paramilitares.

Sem “acordo nacional”

Analistas locais opinam que sua nomeação é um golpe àqueles que apostavam que as mudanças no gabinete presidencial teriam o propósito de aproximar setores das forças tradicionais em busca de um “acordo nacional”.

“Agradeço ao ministro Osuna por sua imensa colaboração com nosso governo. Um verdadeiro jurista progressista. Agora nos acompanhará a doutora Ángela María Buitrago”, escreveu o presidente Petro em sua conta no X para anunciar a primeira substituição em seu gabinete a 36 dias de chegar à metade de seu mandato.

Leia também | “Saída do neoliberalismo”: Petro celebra aprovação da reforma da previdência na Colômbia

O chefe de Estado, que assistiu também na última segunda-feira à posse do novo presidente do Panamá, José Raúl Mulino, havia anunciado no fim de semana a saída do ministro do Interior, Luis Fernando Velasco. O líder colombiano ainda não especificou quem o substituirá no cargo.

Em meio a uma onda de especulações, previsões e prognósticos, o mundo da política está à espera de como ficará composto o novo time de governo que acompanhará o primeiro mandatário na segunda metade do mandato.

Qual será o rumo?

A maioria dos analistas considera que as iminentes substituições serão um sinal inequívoco do rumo que o presidente Petro quer dar à sua administração, até agora – opinam os especialistas – distante das grandes mudanças que ele ofereceu em sua campanha.

O chefe de Estado teve que enfrentar uma oposição feroz da classe empresarial e dos partidos tradicionais ao seu pacote de reformas sociais, e teve que vencer toda classe de obstáculos em seu trâmite pelo poder legislativo.

Assine nossa newsletter e receba este e outros conteúdos direto no seu e-mail.

Com as pesquisas marcando 61% de rechaço à sua gestão, Petro espera respirar um novo ar, baseado nas experiências aprendidas em seus dois primeiros anos na Casa de Nariño, o frio palácio de grandes colunas onde o chefe de Estado se debate no dilema de radicalizar sua gestão, usando os poderes presidenciais e gerando uma grande mobilização popular, ou buscar um acordo com os setores menos conservadores para ter uma governabilidade pacífica até 2026.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Jorge Enrique Botero Jornalista, escritor, documentarista e correspondente do La Jornada na Colômbia, trabalha há 40 anos em mídia escrita, rádio e televisão. Também foi repórter da Prensa Latina e fundador do Canal Telesur, em 2005. Publicou cinco livros: “Espérame en el cielo, capitán”, “Últimas Noticias de la Guerra”, “Hostage Nation”, “La vida no es fácil, papi” y “Simón Trinidad, el hombre de hierro”. Obteve, entre outros, os prêmios Rei da Espanha (1997); Nuevo Periodismo-Cemex (2003) e Melhor Livro Colombiano, concedido pela fundação Libros y Letras (2005).

LEIA tAMBÉM

Onix Lorenzon representa a extrema direita brasileira
Aliança pela Liberdade: Coalizão conservadora de Eduardo Bolsonaro planeja fortalecer direita na Europa
China-US-and-LATAM-COLLAGE1
Rivalidade EUA-China: o campo de batalha geopolítico em El Salvador reflete o cenário latino-americano
Niegan-libertad-condicional-a-Salvatore-Mancuso
Pânico: Elites colombianas temem que Salvatore Mancuso exponha segredos como massacres, deslocamentos e assassinatos seletivos
Peru
Lei da impunidade: Congresso do Peru aprova lei que beneficia Fujimori e repressores acusados de crimes de lesa humanidade