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Terremotos na Colômbia e Venezuela expõem dívida latino-americana com prevenção e emergência

Terremoto de 7,4 em Chocó ocorreu a mais de 90 quilômetros de profundidade, enquanto o dupleto que atingiu a Venezuela em junho foi muito mais superficial; diferença ajuda a explicar os impactos distintos dos dois eventos

Redação Tiempo Argentino
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Buenos Aires

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Tradução: Isabelle Paiva

O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu nesta segunda-feira o oeste da Colômbia não pode ser interpretado como um fato isolado. Para os geólogos e os organismos de assistência humanitária, o fenômeno ativou imediatamente a lembrança de uma tragédia recente: o dupleto sísmico que atingiu o norte da Venezuela no último dia 24 de junho, que deixou um saldo trágico superior a 6.000 mortos.

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O Terremoto na Colômbia foi de Magnitude 7.4; epicentro: San José del Palmar-Chocó – Print Twitter X

Além da proximidade temporal e da óbvia geografia compartilhada, ambos os eventos expõem uma série de variáveis comuns e paralelismos estruturais que acendem os alertas sobre a preparação da região diante de catástrofes de grande escala.

A primeira grande coincidência reside na monumental liberação de energia. O terremoto registrado nesta manhã na localidade colombiana de San José del Palmar (Chocó) alcançou uma magnitude de 7,4, uma cifra tecnicamente equivalente à do evento principal que destruiu grande parte do estado venezuelano de La Guaira e áreas de Caracas exatamente dois meses atrás, o qual foi medido em 7,5 pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

Ambos os movimentos estão formalmente entre os terremotos mais potentes sofridos por ambas as nações no que vai do século 21.

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Uma constante nas crônicas de junho e agosto é a vulnerabilidade das fronteiras. Assim como o terremoto da Venezuela foi sentido com força nos departamentos do norte da Colômbia, o terremoto colombiano desta segunda-feira repercutiu com força no oeste venezuelano — ativando comitês de emergência em Táchira e Zulia — e obrigou a evacuações em massa nos centros urbanos do Equador e do Panamá.

A geografia do pânico não reconhece limites aduaneiros: grandes capitais como Bogotá, Cali e Caracas vivenciaram cenas idênticas de cidadãos que se autoevacuaram para as ruas em meio ao som das sirenes.

Tanto o sistema de falhas transcorrentes que interage entre as placas do Caribe e Sul-Americana (causa do desastre venezuelano) quanto o complexo bloco de subducção da placa de Nazca no Pacífico colombiano confirmam que o norte da América do Sul atravessa um período de intensa reorganização tectônica.

Esse paralelismo expõe a dívida histórica em infraestrutura residencial e protocolos de emergência nos bairros populares de nossa região. Enquanto a Colômbia começa a contabilizar suas vítimas em Pereira e no Valle del Cauca, a ferida aberta da Venezuela lembra que o continente treme sob as mesmas regras de vulnerabilidade social.

O fator profundidade: a chave da diferença

Apesar das semelhanças em potência, existe uma divergência técnica crucial que explica por que o cenário na Colômbia ainda não apresenta os níveis de destruição em massa da Venezuela.

O desastre de junho: na Venezuela ocorreu um fenômeno incomum de “dupleto” (dois terremotos quase simultâneos, com apenas 39 segundos de diferença) e com uma profundidade extremamente superficial de apenas 10 quilômetros. As ondas atingiram as estruturas de forma direta e letal.

O terremoto de agosto: o terremoto desta segunda-feira em Chocó teve origem a uma profundidade superior a 90 quilômetros. Embora a faixa intermediária tenha permitido que as ondas viajassem centenas de quilômetros, afetando mais cidades, o impacto vertical chegou amortecido à superfície, evitando — até o momento — um colapso generalizado de arranha-céus.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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