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Foto: Roque de Sá / Agência Senado

Cannabrava | Condenação histórica de Bolsonaro e generais golpistas: vitória da democracia, tensão entre poderes

Condenação de Bolsonaro e outros golpistas mostra que as instituições podem reagir, mas também expõe os limites da democracia representativa diante da chantagem parlamentar

Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

Pela primeira vez na história do Brasil, a Justiça condenou um ex-presidente e generais de alta patente pelo envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. O Supremo Tribunal Federal impôs a Jair Bolsonaro a pena de 27 anos e 3 meses de prisão — sendo 24 anos e 9 meses em regime fechado e 2 anos e 6 meses em regime aberto ou semiaberto.

A lista dos condenados

  • Jair Bolsonaro – 27 anos e 3 meses de prisão (24 anos e 9 meses em regime fechado + 2 anos e 6 meses em regime aberto ou semiaberto).
  • General Walter Braga Netto – condenado a 26 anos de prisão.
  • General Augusto Heleno – condenado a 21 anos de prisão.
  • General Paulo Sérgio Nogueira – condenado a 19 anos de prisão.
  • Almirante Almir Garnier – condenado a 24 anos de prisão
  • Anderson Torres, ex-ministro, condenado a 24 anos de prisão
  • Alexandre Ramagem – deputado federal condenado a 16 anos de prisão
  • Tenente-coronel Mauro Cid – condenado a 2 anos, em regime aberto, por ser delator premiado.

As sentenças reconhecem o papel central dos militares no governo anterior e em sua tentativa de ruptura institucional.

O simbolismo da data

A decisão foi anunciada em 11 de setembro, data em que se recorda o golpe militar no Chile, que levou à morte de Salvador Allende e instaurou uma ditadura de 17 anos, com mais de 40 mil vítimas. A coincidência reforça o peso simbólico da condenação e ecoa a luta pela democracia no Brasil e na América Latina.

Votos no Supremo

Na Primeira Turma do STF, votaram a favor da condenação Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Janin, Flávio Dino e Cármen Lúcia. O ministro Luiz Fux foi voto vencido: argumentou que o Supremo não era competente para julgar Bolsonaro, já que ele não estava mais no cargo, e que o caso deveria ter sido levado ao plenário. Defendeu ainda que as provas não sustentavam a totalidade das acusações. Fux votou pela absolvição de Bolsonaro e de outros réus, mas reconheceu a culpa de Mauro Cid e Walter Braga Netto por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Seu voto durou cerca de 14 horas e ocupou mais de 400 páginas.

Repercussões e contradições

As defesas dos condenados afirmaram respeitar a decisão da Justiça, mas registraram indignação e discordância, sinalizando que não abandonaram o espírito conspirador. Nos Estados Unidos, a decisão surpreendeu: o governo estadunidense já havia punido ministros do Supremo com sanções, como a perda de vistos de entrada e a aplicação da chamada Lei Magnitsky. Essa submissão externa contrasta com a defesa da soberania brasileira diante do golpismo interno.

Cannabrava | Soberania ou submissão: a absolvição de Bolsonaro por Fux

Impasse entre poderes

O julgamento aprofunda a tensão entre o Judiciário e um Legislativo considerado o mais fraco e conservador da história recente. Esse parlamento, dominado pelo que muitos chamam de “ditadura da maioria”, torna o país praticamente ingovernável, como já discuti em meu livro A Governabilidade Impossível (Alameda Editorial). A condenação dos golpistas mostra que as instituições podem reagir, mas também expõe os limites da democracia representativa diante da chantagem parlamentar.

O recado aos conspiradores

Com os golpistas agora reclusos, a expectativa é que a sentença histórica desestimule futuras tentativas de ruptura. O Brasil envia um recado firme: a democracia, ainda que frágil e sob ataques, não se curva diante da violência e da chantagem. Fica também a advertência de que os crimes cometidos durante os 21 anos de ditadura no Brasil, como tortura e desaparecimento, são imprescritíveis e devem ser julgados.

* Texto redigido com auxílio do ChatGPT.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul Global, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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