São conhecidas como as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR). Seu nome já deixa claro que este grupo rebelde não mantém boas relações com o governo de Kigali. E isso é dizer pouco. Fundadas em maio de 2000, as FDLR estão decididas a ajustar contas com o presidente ruandês Paul Kagame, que nem sequer reconhecem.
Compostas principalmente por antigos perpetradores hutus do genocídio que se refugiaram na República Democrática do Congo (RDC), as FDLR costumam ser notícia por suas letais incursões em Ruanda, a ponto de Kigali tê-las qualificado de “eixo do mal”.

Mas dado que estes rebeldes se beneficiam do apoio de Kinshasa, que lhes proporcionou refúgio e sustento, Kigali decidiu tomar represálias, criando o M23, um grupo composto majoritariamente por tutsis congoleses que está se tornando um formidável adversário para seu vizinho, o presidente Félix Tshisekedi. Daí as persistentes tensões e a crise de confiança entre Ruanda e a RDC.
De fato, cada lado vela por seus próprios interesses, acusando o outro de intenções desestabilizadoras. A situação tinha chegado a um ponto de não retorno, o que estimulou os esforços de mediação para reconciliar os dois países vizinhos.
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Kigali exigiu a neutralização das FDLR, e é provável que isso tenha sido conseguido. Kinshasa anunciou a assinatura de um protocolo de rendição com o grupo rebelde. O que representa, sem dúvida, um avanço.
A confiança não é algo que se compartilhe amplamente
Se isto não for simplesmente uma manobra publicitária ou um anúncio sem efeito, pode-se dizer que a RDC obteve um verdadeiro êxito diplomático. Se as FDLR aceitam depor as armas, a crise de segurança no leste do país poderia começar a resolver-se.
Seja qual for o caso, enquanto se espera um plano operativo com um cronograma para esclarecer este protocolo de rendição, cujo conteúdo ainda não veio a público, pode se dizer que Kinshasa cumpriu sua parte na implementação do acordo de paz assinado em Washington com Kigali. No entanto, continua sendo duvidoso que a situação mude realmente.
Logo que se anunciou a assinatura deste protocolo de rendição com as FDLR, as autoridades ruandesas reagiram, qualificando-o de “manipulação” por parte de seu vizinho.
Em outras palavras, o governo ruandês não acredita nele. Pensa que Kinshasa está empregando uma tática de diversionismo para dar a impressão à opinião pública nacional e internacional de que está comprometida com uma política de apaziguamento com seu vizinho.
Não é preciso dizer que ainda estamos longe da solução, já que a confiança está bem longe de ser generalizada. Dito isto, se se deseja um progresso concreto, toca ao mediador, sem deixar de pressionar a RDC e Ruanda, equipar-se para supervisionar a aplicação do acordo no terreno.





