Foto: Isac Nóbrega/PR

A expansão evangélica e neopentecostal no Estado: Do Executivo ao Judiciário

“A via eleitoral permitiu aos evangélicos e neopentecostais ascenderem a posições do Executivo e do Legislativo, mas não na composição das cortes superiores do Judiciário"

Apesar de a religião estar influenciando cada vez mais os processos eleitorais e a recomposição das esferas de poder, o fator determinante para a eleição do presidente Jair Bolsonaro, inclusive entre os evangélicos, foi o antipetismo. “O que foi forte entre os evangélicos que votaram no Bolsonaro foi o antipetismo, fruto da centralidade do tema da corrupção durante a campanha eleitoral. A corrupção pegou pesado, mais do que as pautas morais — essas ganharam mais força em meio à crise econômica e à percepção de corrupção da esquerda”, diz Ronaldo Almeida, doutor em Antropologia, à IHU On-Line.

Ele lembra que nas eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010, “boa parte dos evangélicos votou nos governos petistas” porque “Lula conseguiu falar aos evangélicos numa chave econômica, do emprego e do consumo, e o discurso dele atravessou as diferenças religiosas, porque era um discurso bastante generalizador num momento de prosperidade”. Já no último pleito, menciona, “com a crise econômica e a corrupção que enfraqueceram o discurso petista, os temas da segurança pública e dos costumes morais foram colocados em primeiro plano pelas ‘pessoas de bem’, entenda-se: as não de esquerda”.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone para a IHU On-Line, Almeida analisa o slogan do governo Bolsonaro “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos” e destaca que “o Deus de Bolsonaro é, antes de mais nada, cristão. Ele está olhando para uma nação religiosa, mas de maioria cristã, que combina elementos católicos e evangélicos. Na verdade, um Deus cristão cada vez mais evangélico e com cores católicas em baixa intensidade”.

O pesquisador também comenta a ascensão dos evangélicos na política e um possível projeto para ampliar a participação deles nas demais esferas do Estado, como no Judiciário. “A via eleitoral permitiu aos evangélicos ascenderem a posições do Executivo e do Legislativo, mas na composição das cortes superiores do Judiciário, por exemplo, os trilhos são outros, requerem mais capitais cultural e social. São pessoas com perfil sociológico mais a fim com as elites tradicionais e católicas, ou mesmo kardecistas e judaicas. Bolsonaro sinalizou recentemente a possibilidade de indicar um ministro evangélico para o STF. A fala dele indicou a pretensão de ocupar espaço nessas instituições e ele quer ser um indutor deste processo”, avalia.

Ronaldo Almeida é graduado em Ciências Sociais e mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp e doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo - USP. Realizou  pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, França. Atualmente é professor adjunto no Departamento de Antropologia da Unicamp e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.

Foto: Gustavo Rossi
Ronaldo Almeida

Confira a entrevista.

IHU On-Line: Nas análises sobre política e conjuntura eleitoral, uma das vias de análise diz respeito à influência das religiões nos processos eleitorais. Há de fato essa influência nos últimos anos? Qual tem sido o peso dos votos religiosos nas eleições?

Ronaldo Almeida — Com certeza a religião, cada vez mais, está presente na esfera pública e, sobretudo no período eleitoral, ela influencia a recomposição das esferas de poder. Isso vem crescendo e a minha sensação é que isso se amplia a cada eleição; mas essa influência se dá de maneira diferente em algumas religiões: algumas participam mais e outras, menos. Há uma predominância de alguns setores, como os evangélicos, que têm um peso muito forte nas eleições na medida em que concorrem por esses espaços e têm uma agenda pública. Isso não é novo, mas a cada eleição eles sobem mais um patamar e, nesse último pleito, a participação religiosa foi muito forte.

Os evangélicos são os que mais têm influência no processo eleitoral?

Na concorrência eleitoral, sim, mas na constituição do Estado, nem tanto. A via eleitoral permitiu aos evangélicos ascenderem a posições do Executivo e Legislativo, mas na composição das cortes superiores do Judiciário, por exemplo, os trilhos são outros, requerem mais capitais cultural e social. São pessoas com perfil sociológico mais a fim com as elites tradicionais e católicas, ou mesmo kardecistas e judaicas. Bolsonaro sinalizou recentemente a possibilidade de indicar um ministro evangélico para o STF. A fala dele indicou a pretensão de ocupar espaço nessas instituições e ele quer ser um indutor deste processo.

Na verdade, cada vez são necessárias mais pesquisas sobre evangélico sem outros poderes e corporações do Estado. Além do Judiciário, penso no Ministério Público, nas Forças Armadas e nas polícias (militar e civil). Existem pesquisas nessas áreas, mas qual o panorama geral? E mais: como estão se comportando e se articulando neste novo cenário político?

Qual foi e tem sido o significado do slogan “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos” nas eleições presidenciais de 2018? Como o senhor interpreta esse slogan e como, segundo suas pesquisas, essa ideia repercutiu entre os eleitores religiosos?

De fato, o slogan é uma parte de um conjunto de sinalizações dadas por Bolsonaro durante a campanha. “Brasil acima de tudo” vem das Forças Armadas e “Deus acima de todos” foi acrescentado posteriormente. Em 2016, após elogiar o torturador Brilhante Ustra, Bolsonaro concluiu seu voto pelo impeachment da Dilma com o slogan. Aliás, três temas apareceram recorrentemente nos discursos daqueles que votaram pelo impeachment: Deus, família e nação. Essa trinca emoldura o bolsonarismo evangélico.

É importante mencionar que o Deus do Bolsonaro é, antes de mais nada, cristão. Ele está olhando para uma nação religiosa, mas de maioria cristã que combina elementos católicos e evangélicos. Na verdade, um Deus cristão cada vez mais evangélico e com cores católicas em baixa intensidade — lembro que Bolsonaro colocou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em sua casa somente após a eleição. Mas antes disso, depois da facada, ele concedeu uma entrevista para a Record e atrás dele havia um candelabro judaico. Sua sinalização passa por esse universo judaico-cristão. É sintomático, de outro lado, uma ausência de sinais que remetam ao espiritismo e às religiões afro-brasileiras. Nem contra, nem a favor. Há um vácuo, um silêncio de sinais.

É sintomático, de outro lado, uma ausência de sinais que remetam ao espiritismo e às religiões afro-brasileiras. Nem contra, nem a favor. Há um vácuo, um silêncio de sinais - Ronaldo Almeida

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Esse “Deus acima de todos” tem cara, o que pode ser visto pelos que orbitam em torno dele: Damares Alves, Michelle Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Bispo Macedo, Rede Record, Bancada Evangélica, Silas Malafaia, Marcos Feliciano, Marcha para Jesus, Vélez Rodrigues, Olavo de Carvalho, Ernesto Araújo etc. Podem existir discordâncias entre estes, mas são as faces mais visíveis do cristianismo desse governo que trabalha pela moralização dos costumes, quer evangelizar indígenas, defende a cultura cristã ocidental e sua matriz católica conservadora, opõe-se ao discurso do Papa Francisco, celebra Israel como povo eleito, articula-se ao fundamentalismo evangélico sionista norte-americano etc. Há um caldo religioso aí, não propriamente orientando o governo, pois este depende de outras negociações, mas funcionando como sustentação político-ideológica.

Qual foi o peso dos votos evangélico, católico, judeu e espírita nas eleições presidenciais do ano passado? Que percentual desses grupos votou em Bolsonaro e em Haddad?

O melhor dado que tenho sobre isso tirei do site do IHU, da análise do José Eustáquio Alves (Tabela A abaixo). Na tabela por ele formulada vejo, em primeiro lugar, como as eleições bateram diferenciadamente entre as religiões. A diferença de votos válidos ficou em torno de 10% a favor de Bolsonaro. Os espíritas ficaram nessa média geral. Entre os votos pró-Haddad estavam os das religiões afro-brasileiras, os sem religião e os ateus, e pró-Bolsonaro estavam os evangélicos e os judeus. Curiosamente, o catolicismo é o que teve a menor diferença em números absolutos, embora seja o maior contingente demográfico. É impressionante como o catolicismo ainda é, apesar do declínio, o grande mediador cultural deste país. Em outro sentido, entre os evangélicos, cerca de 70% votaram no Bolsonaro. A diferença em relação a Haddad foi superior a 10%. Portanto, na eleição se configurou um voto evangélico em Bolsonaro.

Tabela A 

Mas antes de ser um “voto religioso”, para mim, o mais determinante foi o antipetismo. O que foi forte entre os evangélicos que votaram no Bolsonaro foi o antipetismo, fruto da centralidade do tema da corrupção durante a campanha eleitoral. A corrupção pegou pesado mais do que as pautas morais — essas ganharam mais força em meio à crise econômica e à percepção de corrupção da esquerda.

Mas isto não significa a não desconfiança dos evangélicos em relação aos políticos evangélicos. Regra geral, misturar religião e política sempre foi um tema tenso entre os fiéis evangélicos, uma vez que política e corrupção são facilmente associados. Não por acaso, figuras como Sérgio Moro, Marcelo Bretas e Deltan Dallagnol, homens da justiça, encontram, entre os evangélicos, bastante receptividade, especialmente quando os dois últimos se declaram evangélicos. Como já disse, há uma ampla bibliografia sobre evangélicos e sistema político, mas como pensar politicamente os evangélicos no sistema de Justiça e nas corporações militares? Nesta semana um general evangélico foi nomeado para Secretaria de Governo.

Misturar religião e política sempre foi um tema tenso entre os fiéis evangélicos, uma vez que política e corrupção são facilmente associados - Ronaldo Almeida

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Os evangélicos sinalizam a intenção de atuar no Judiciário ou têm um projeto nesse sentido?

Este meio é muito diverso, mas há projetos, sim, na bancada evangélica, especialmente por aqueles que já estão fazendo política, como o [Silas] Malafaia, o [Marco] Feliciano, o Edir Macedo. Para eles, os evangélicos se espalharem nas esferas estatais é visto como vantajoso. Não se trata de resistir ao mundo, mas de disputar o ordenamento público e jurídico. Não apenas se proteger como minoria religiosa, como fazia antigamente, mas disputar a moralidade pública, de evangélicos e de não evangélicos, ancorando-se em um discurso de maioria cristã.

Para além do antipetismo e da corrupção, é possível identificar quais são as variáveis que determinam o voto de grupos religiosos em certo candidato? Que variáveis determinaram o voto religioso em Bolsonaro, considerando que parte significativa do eleitorado dele também foi o eleitorado do ex-presidente Lula anteriormente?

É muito difícil dizer quais variáveis são determinantes no voto, por isso prefiro pensar a partir dos casos. Você mesmo mencionou dois casos emblemáticos, Lula e Bolsonaro. O que é o lulismo e o bolsonarismo para os evangélicos? Nas eleições de 2002, nas de 2006 e depois, na eleição da própria Dilma, boa parte dos evangélicos votou nos governos petistas. O Edir Macedo entrou em 2002, apoiando o Lula, e largou o governo petista 40 dias antes do impeachment de Dilma; foi um dos últimos a pular fora. Que conexão se estabeleceu nesse período? Lula conseguiu falar aos evangélicos numa chave econômica, do emprego e do consumo, e o discurso dele atravessou as diferenças religiosas, porque era um discurso bastante generalizador num momento de prosperidade.

Figuras como Sérgio Moro, Marcelo Bretas e Deltan Dallagnol, homens da justiça, encontram, entre os evangélicos, bastante receptividade, especialmente quando os dois últimos se declaram evangélicos - Ronaldo Almeida

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Com a crise econômica e a corrupção que enfraqueceram o discurso petista, creio que os temas da segurança pública e dos costumes morais foram colocados em primeiro plano pelas “pessoas de bem”, entenda-se: as não de esquerda.

O discurso de Bolsonaro se aproximou e se aproxima em alguma medida do ideário da teologia da prosperidade?

A teologia da prosperidade dialogou muito com a situação de informalidade e de precariedade no mundo do trabalho dos anos 1980 e 1990, com a ideia de empreender, de se virar, de ser patrão de si mesmo. Num momento de terceirização, de informalidade, de precarização do emprego, havia um discurso religioso que animava as pessoas a se virar, a empreender, a ir em frente.

Quando veio o governo Lula e o período de consumo dos anos 2000, é interessante observar como a teologia da prosperidade também ganhou nesse novo contexto, dizendo que consumir é bom, que é bom ter as coisas etc. A minha conclusão é que a teologia da prosperidade tem uma ampla extensão metafórica, que foi plausível tanto nos momentos de crise econômica como, posteriormente, na expansão do consumo. Ela ganha nas duas pontas.

Fala-se que a esquerda não sabe falar com os evangélicos, mas o Lula conversou com uma ampla parcela deles por meio do vetor da prosperidade.

Que semelhanças e diferenças o senhor percebe entre a teologia da prosperidade e a teologia da libertação e suas relações com a política?

A grande diferença está, de um lado, em que uma joga seus problemas no indivíduo e a outra nas estruturas sociais. Além disso, cada uma compreende a desigualdade social de um jeito. A teologia da libertação entende a desigualdade social como algo não justo, que precisa ser superado pelos valores de igualdade do Reino de Deus, que começa a ser construído aqui e agora. A teologia da prosperidade também é uma religião do “já”, pensada e orientada para este mundo. No entanto, a igualdade não está no seu horizonte de utopia. A desigualdade faz parte do mundo e a realização do Reino de Deus para o fiel neste mundo ocorre por meio de sua ascensão econômica entre relações sociais desiguais. Em termos weberianos, diria que a Teologia da Libertação e Teologia da Prosperidade são duas orientações religiosas intra mundanas, uma resistindo a este mundo e a outra aderindo a ele.

Teologia da Libertação e Teologia da Prosperidade são duas orientações religiosas intramundanas, uma resistindo a este mundo e a outra aderindo a ele - Ronaldo Almeida 

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Que tipo de diversidades internas o senhor percebe nos grupos religiosos acerca de pautas polêmicas, como a própria pauta dos costumes, a relação homoafetiva, o aborto, o direito das mulheres?

Em várias oportunidades, quando eu e outros pesquisadores tratamos do campo evangélico, mencionamos que ele é amplo, que nem todos são iguais. Mas cada vez mais surge a questão: quem são eles? Tenho me dedicado nos últimos meses a circunscrever um universo evangélico não conservador. Por enquanto, refiro-me a todo aquele que está fora dessa linha hegemônica, e está situado mais à centro-esquerda e à esquerda politicamente. É algo tímido comparado ao segmento hegemônico, mas que tem ganhado forma de ação e visibilidade.

Estive num encontro na Igreja Anglicana em São Paulo, entre igrejas e comunidades LGBT durante a semana da Parada Gay. Não estavam presentes só as Igrejas Inclusivas, mas fiéis de outras denominações protestantes e pentecostais, além de kardecistas, católicos (leigos e clero) e budistas. Os participantes não foram na Marcha para Jesus, mas formaram o bloco “Gente de Fé” na Parada Gay. Me chamou bastante a atenção como a teologia da libertação foi a referência de uma certa geração dos participantes. A teologia da libertação tinha um discurso marxista, de classe, ligada ao mundo do trabalho, de tal forma que a questão LGBT não estava posta nos anos 1980 no Brasil. Havia um conservadorismo na própria esquerda em relação a essa temática. Da mesma forma, a questão racial estava englobada pela de classe. Mas essas teologias foram se produzindo depois desse período, assim como os movimentos sociais também foram diferindo.

Da mesma forma como as questões de sexualidade e gênero têm criado força entre setores evangélicos, vale destacar também como a questão racial tem se desenvolvido entre eles. Enfim, cada vez mais vejo a necessidade de compreender esses setores evangélicos, que também precisam criar novas referências com visibilidade para não serem empacotados como um bloco uníssono e conservador.

Qual foi e qual tem sido a relação de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e de Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, com os presidentes do país, como, por exemplo, com o ex-presidente Lula e mais recentemente com Bolsonaro? O que a relação entre governantes e líderes religiosos expressa?

O Malafaia não se aproximou do petismo; ele grudou no [José] Serra, sobretudo, em 2010. O Edir Macedo é o sujeito que mais muda, porque o Malafaia foi oposição, enquanto o Macedo foi governo nos governos Lula e Dilma. Feito o golpe, ele já passou para o governo Temer e, durante a campanha eleitoral, cedeu a Record para o Bolsonaro. Hay gobierno, soy a favor.

A relação da Universal com o Bolsonaro tende a ser mais orgânica do que foi com Lula ou Dilma - Ronaldo Almeida

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Minha impressão é que a relação da Universal com o Bolsonaro tende a ser mais orgânica do que foi com Lula ou Dilma, embora ambos tenham liberado muitas coisas para Edir Macedo. A já longeva oposição Record/Igreja Universal versus Globo/Igreja Católica tem pendido a favor da primeira com Bolsonaro.

Na sua avaliação, os líderes religiosos se utilizam da política ou a política se utiliza dos líderes religiosos, ou as duas coisas?

Essas coisas são mais embrulhadas. Costuma-se dizer que a Record e o PRB são braços da Igreja Universal. Acho que a imagem já não retrata a realidade atual. Cada vez mais entendo que Record, PRB e Universal formam um sistema político-econômico-religioso. Esta é a unidade de análise: ora Macedo é um religioso, ora ele é equivalente ao Silvio Santos ou ao Irineu Marinho, ora ele é dono de partido. O ponto de convergência do sistema político-econômico-religioso não é propriamente a Igreja Universal, de onde sairiam os seus braços, mas o bispo Macedo e o seu núcleo próximo.

A sua pesquisa de mestrado em 1996 foi sobre a Igreja Universal do Reino de Deus. Como o senhor avalia o desenvolvimento e o crescimento da Igreja no Brasil pouco mais de 20 anos depois? Que movimentos e articulações marcaram a Igreja Universal nessas duas décadas?

Meu trabalho pegou o começo da igreja, no início dos anos 1990, onde seu grande contraponto era a umbanda e o candomblé, mas com o passar do tempo ela foi arrefecendo esse discurso, embora ainda o mantenha.

Quando começamos a entrevista, eu estava dizendo que a cada eleição a participação religiosa aumenta. A Universal está nesse fluxo de expansão. Entretanto, o censo de 2010 mostrou uma queda de cerca de 200 mil pessoas da Universal em relação a 2000. Uma das explicações é que seus fiéis saíram para outras igrejas evangélicas que têm DNA Universal. Essa é uma explicação bastante plausível. Mas eu não consigo olhar só isso. Os anos 2000, sobretudo com a presença da Igreja Universal no governo petista, foi um período de fortalecimento da igreja. De um ponto de vista político, o PRB (antes o PL) se estruturou e a igreja se consolidou no Legislativo. Nos meios de comunicação, a Record ultrapassou o SBT e rivalizou em vários momentos com a Globo. Ao mesmo tempo, ela fez uma expansão muito significativa neste período para outros países. Isso significa redirecionamento de recursos financeiros e humanos. Quando pesquisei a Igreja Universal em Paris, em 2011, eu ouvia uma pregação de Macedo no Brasil pela internet e dois dias depois o material já estava circulando nos templos em francês. A Universal é uma empresa global que deu passos grandes. Em síntese, apesar da perda de fiéis no Brasil, ela estava mais forte em 2010 do que em 2000.

Expressão mais recente deste fortalecimento foi a construção do Templo de Salomão, inaugurado em 2014. Ele marca a paisagem de São Paulo e se tornou um lugar de turismo. Sempre gostei de levar pessoas que não conhecem São Paulo para passear pelo centro da cidade, quase sempre passando pela Praça da Sé e sua imponente catedral católica. Hoje, cada vez mais, me pedem para conhecer o Templo de Salomão.

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