Foto: Divulgação Rede Globo

Ex-BBB Bial “não reconhece” Petra e feminismo de esquerda. E macho precisa reconhecer?

Seu machismo e a carapuça que veste, por ser parte ativa da elite que coordenou o golpe contra Dilma, ficam claros em seu ataque de pelanca ao documentário

Em entrevista à rádio Gaúcha, o ex-apresentador do BBB Pedro Bial não só atacou a cineasta Petra Costa, diretora de Democracia em Vertigem, a quem chamou de “menina” e cujo documentário indicado ao Oscar, tachou de “uma ficção alucinante”. Bial afirmou “não reconhecer” o feminismo “marxista”. “O feminismo no Brasil virou algo, em sua maioria, marxista. Eu não reconheço como feminismo”, disse.

Só no Brasil de Jair Bolsonaro que um homem pode achar que o feminismo, seja ele marxista, de direita, de centro, negro, branco ou o que for, precisa de reconhecimento de macho. E ainda ter a pachorra de defender isso publicamente. Que coisa ridícula é essa? Feminismo é um movimento de emancipação das mulheres. Pertence às mulheres. Homens não têm que aceitar ou rejeitar feminismo algum.

O que Bial quer? Que peçamos licença aos homens para escolher a vertente de feminismo que quisermos seguir? E que raios o apresentador quer dizer com “feminismo marxista”? Seria um feminismo que prega que as mulheres devem ganhar um salário igual ao dos homens, em vez de 79,5%, mesmo ocupando a mesma função? É isso que preocupa um dos maiores salários da tevê brasileira?

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O que Bial quer? Que peçamos licença aos homens para escolher a vertente de feminismo que quisermos seguir?

Não existe feminismo “reconhecido” por homens. O feminismo surgiu justamente para desafiar homens como Pedro Bial, que se comporta como um sinhozinho pseudoliberal que deixa a mulher usar minissaia, desde que ele estabeleça o comprimento. “Saia curta assim eu não reconheço! Decote até o umbigo eu não reconheço!” 


O machismo do ex-BBB e a carapuça que veste, por ser parte ativa da elite branca e da mídia que coordenou o golpe contra Dilma, ficam claros em seu ataque de pelanca ao filme de Petra. “É um filme de uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica. Foram os maus do mercado, essa gente feia, homens brancos, que nos machucaram e nos tiraram do poder, porque o PT sempre foi maravilhoso e Lula é incrível”, atacou. 

Por que “menina”? Petra tem 36 anos, é apenas três anos mais nova do que a atual mulher de Bial, Maria Prata, que tem 39 –ele tem 61. A juventude, desde que não seja para casar com eles, parece incomodar tanto o apresentador quanto o presidente da República, que tem 65 e é casado com Michelle, de 37. Ambos, Bial e Bolsonaro, recorreram à idade para atacar gente que pensa diferente. Petra virou a “menina que quer agradar à mamãe” para Bial, Greta Thunberg virou a “pirralha” para Bolsonaro. Homens brancos hétero de meia-idade são tão óbvios!

O que perturba o jornalista e o capitão em Greta e em Petra é a mesma coisa: alguém com lugar de fala denuncia ao mundo o desastre que se tornou o Brasil desde que arrancaram o PT do poder. Desastre ambiental, de direitos humanos, político. E ainda por cima são duas jovens mulheres que estão fazendo isso. Na cabeça do macho branco, é muito desaforo. Daí a atitude de Bial e Bolsonaro de tentar reduzi-las intelectualmente. Será que, na intimidade, fazem isso com suas próprias mulheres?

Queiram ou não os Bolsonaro e Bial da vida, a mulher ganhou voz e protagonismo. Não está mais sujeita à tutela dos pais, dos irmãos, dos maridos. O feminismo não está sujeito à tutela dos homens. Ele será marxista, leninista, behaviourista, butlerista… Quem decide isso somos nós, mulheres. Seu não-reconhecimento, Bial, não serve para nada a não ser para mostrar que você é só um machistinha com recalque da menina que foi indicada ao Oscar, enquanto você, como jornalista, é o “eterno apresentador do Big Brother”.


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