Para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o interesse de seu homólogo estadunidense, Donald Trump, em se apoderar da Groenlândia, tem raízes históricas e confirma a intensificação da competição geopolítica no Ártico.
“É óbvio que o papel e a importância do Ártico estão crescendo tanto para a Rússia quanto para o resto do mundo. Mas, infelizmente, também está ganhando força a competição geopolítica e a luta pela influência nesta região”, afirmou Putin na última quinta-feira (27), na sessão plenária do Fórum Internacional do Ártico, realizado na cidade russa de Murmansk.
O líder do Kremlin aproveitou a tribuna para enviar uma mensagem implícita a Trump: “Todo o mundo está atento aos planos dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia. Mas isso só parece surpreendente à primeira vista e seria um grande erro acreditar que se trata de algum tipo de capricho extravagante da nova administração estadunidense. Não é bem assim. Já no século 19, os Estados Unidos tinham planos semelhantes para anexar a Groenlândia e a Islândia, embora na época o Congresso não tenha apoiado a Casa Branca”.
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Putin continuou seu relato histórico sobre as tentativas de tomada da Groenlândia e lembrou que, “em 1910, foi preparado um acordo trilateral para a troca de territórios entre Estados Unidos, Alemanha e Dinamarca, que previa que a Groenlândia passaria a fazer parte dos Estados Unidos, mas, no final, esse pacto fracassou”. Ele acrescentou que, “durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos instalaram bases militares na Groenlândia para evitar que os nazistas a capturassem”.
“Portanto — considera o presidente russo — estamos falando de planos sérios em relação à Groenlândia, planos que têm raízes históricas”.
Putin: Rússia não permitirá ataques à sua soberania
E, nesse sentido, “é óbvio que os Estados Unidos continuarão promovendo de maneira sustentada seus interesses geoestratégicos, político-militares e econômicos no Ártico”, avaliou Putin, esclarecendo:
“No que diz respeito à Groenlândia, trata-se de um assunto que compete a dois Estados específicos e não tem nada a ver conosco. No entanto, nos preocupa, é claro, o fato de que os membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), como um todo, percebam o Extremo Norte como uma plataforma para eventuais conflitos e se preparem para utilizar tropas nessas condições”.

A Rússia, afirmou o presidente, nunca ameaçou ninguém no Ártico, mas também “não permitirá que ninguém atente contra sua soberania” e fará o que for necessário para “defender seus interesses nacionais”.
Putin convidou os “países amigos” a participarem de projetos globais no Ártico e ressaltou que a Rússia está pronta para cooperar com “todos aqueles que, assim como nós, compartilham a responsabilidade por um futuro estável e sustentável para o planeta e sejam capazes de tomar decisões equilibradas para as próximas décadas”.
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