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Julgamento de Assange nos EUA ameaça atividade jornalística advertem especialistas

De acordo com ativistas, um processo contra o fundador do Wikileaks "abriria a porta para investigações criminosas de outras organizações de notícias"

A União Estadunidense de Liberdades Civis (ACLU) advertiu nesta quinta-feira (11) que qualquer julgamento por parte de Washington do fundador de Wikileaks, Julian Assange, seria um fato sem precedentes e inconstitucional.

As autoridades de Londres prenderam Assange nesta quinta com base em uma ordem de extradição em nome das autoridades dos Estados Unidos, como indica a organização em uma nota emitida esta manhã.

Qualquer decisão por parte dos Estados Unidos contra o senhor Assange pelas operações de publicação de Wikileaks seria sem precedentes e inconstitucional, assinalou o diretor do Projeto de Discurso, Privacidade e Tecnologia da ACLU, Ben Wizner.

De acordo com o ativista, um processamento do australiano neste país "abriria a porta para investigações criminosas de outras organizações de notícias".

Além disso, agregou Wizner, "processar um editor estrangeiro por violar as leis de segredo dos Estados Unidos seria um precedente especialmente perigoso para os jornalistas norte-americanos, que violam rotineiramente as leis de segredo estrangeiro para entregar informação vital para o interesse público".

As forças da ordem pública da capital britânica prenderam o jornalista na embaixada do Equador nessa cidade, depois que o Governo equatoriano deu por terminado seu asilo de sete anos.

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"Não atire no mensageiro", diz cartaz em protesto em defesa de Julian Assange, em Sidney, 2010

Segundo a Polícia Metropolitana, Assange foi transferido sob custodia até uma estação policial do centro de Londres, onde permanecerá detido até que compareça diante do Tribunal de Magistrados de Westminster "o mais rápido possível".

A detenção, explicaram as autoridades, responde a uma ordem de captura emitida por essa corte em 29 de junho de 2012, data em que o jornalista australiano devia ser apresentado à justiça britânica, mas optou por refugiar-se na embaixada equatoriana.

O Wikileaks, portal digital que ficou famoso entre outros temas, por publicar milhares de documentos secretos do Departamento de Estado, tinha denunciado ontem que o jornalista estava sendo submetido a uma extensa operação de espionagem dentro da embaixada do país sul americano.

Ainda que as autoridades suecas tenha arquivado, em 2017, o caso por supostos delitos sexuais que motivaram, naquele momento, o pedido de extradição para o Reino Unido, Assange teme ser enviado aos Estados Unidos, onde poderia ser condenado à pena de morte por divulgar informação sigilosa.

Na semana passada, o relator especial da ONU sobre a tortura, Nils Melzer, pediu que o governo equatoriano não expulsasse o jornalista de sua embaixada em Londres nem suspendesse seu asilo político, diante da possibilidade de que ele fosse extraditado para o território norte-americano.

Neste país, segundo o especialista, Assange poderia estar exposto "a um risco real de violações graves de seus direitos humanos, incluída sua liberdade de expressão, seu direito a um julgamento justo e a proibição de tratos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes".

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