Juca Martins

Livro Resistência e Anistia: a luta por Justiça contada por seus protagonistas

Em celebração aos 40 anos da Lei da Anistia, Paulo Cannabrava Filho resgata a história do movimento por eleições diretas e durante o período ditatorial

Redação Diálogos do Sul

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São Paulo (SP) (Brasil)

Em seu novo livro Resistência e Anistia, o jornalista Paulo Cannabrava Filho, editor da Revista Diálogos do Sul, resgata a história das lutas do povo brasileiro contra a ditadura repressiva e regressiva, de 1964 a 1985, contada pelos seus protagonistas e através de exaustiva pesquisa documental. 

O livro, que está sendo editado pela Alameda Casa Editorial, está com uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar sua impressão e distribuição. Para cada faixa de contribuição é oferecida uma recompensa exclusiva, como é possível verificar aqui.

A jornalista, historiadora e cientista política e  Beatriz Bissio ressalta  a importância de se abordar um tema tão relevante para o atual contexto político no Brasil, onde diversas pessoas estão negando o que ocorreu durante o período da ditadura militar no país. 

“Esse livro tem que sair, porque esse é o momento de voltar a trabalhar,  sobretudo com as novas gerações, a questão da memória da resistência e da luta”, diz Bissio, em declarações à Revista Diálogos do Sul. Ela destaca ainda a necessidade de engajamento na campanha de financiamento coletivo: “não podemos deixar essas páginas no esquecimento. Não vamos deixar essa pesquisa cair no esquecimento como tantas outras por falta de financiamento”, ressalta. 

Juca Martins
Passeata do Movimento pela Anistia. Eva Wilma, Renato Consorte, Carlos Augusto Strazzer, Denise Del Vecchio. SP. 1979.

De acordo com a professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o livro trata de um período importante da história brasileira: “alguns até deram sua vida para que tivéssemos novamente um processo democrático, se mobilizaram, elevaram suas vozes, saíram às ruas, foram perseguidos e torturados, estiveram anos separados de suas famílias. (…) Essa memória e a resistência de tantos brasileiros idealistas precisa ser preservada.”

Anistia sob ameaça

O livro é lançado no marco da comemoração aos 40 anos da promulgação da Primeira Lei de Anistia. De acordo com Paulo Cannabrava, trata-se de “um dos momentos mais críticos da história brasileira, confrontada por um poder que quer mudar o curso da história, em que os algozes do povo são heróis e as vítimas desses algozes são demonizados”. Por essa razão, ele considera esta uma obra mais do que oportuna “para mostrar à sociedade a verdade contada pelos protagonistas da história e fundada em farta documentação pública”.

Cannabrava relata, em sua obra, o que foi o processo da Justiça de Transição, a luta do povo pela pela democracia, o movimento por eleições diretas e pela anistia a todos os presos e perseguidos políticos.  Essas conquistas, no entanto, estão sendo alvo de ataques por integrantes do governo Bolsonaro.

“Nós conquistamos a anistia ainda sob a ditadura. O Estado brasileiro decidiu não considerar criminosas aquelas pessoas que lutaram contra o regime. Então nós passamos a ter nossos direitos plenos”, diz Amelinha Teles à Diálogos do Sul. Ela foi presa política e torturada durante o governo de exceção  e hoje é uma referência nacional na luta pela memória e Justiça. 

“Essa anistia é fruto de uma luta de mães, de companheiras, irmãs, muitas mulheres, muitos jornalistas, advogados(as), intelectuais, estudantes, sindicalistas e operários que participaram das manifestações em prol da anistia”, lembra Amelinha.

Amelinha, que faz parte da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, destaca que a anistia é um instituto nacional no Brasil e, por isso, não pode ser revista, já que é uma decisão de Estado. “Depois de 40 anos, a anistia se vê ameaçada por atitudes arbitrárias. A lei passou por todos os trâmites legais e institucionais, portanto não tem como voltar atrás”, explica. 

Anistia é um instituto jurídico e foi incorporada na Constituição Federal Brasileira no ano de 1988. Ela garante não só a anulação das condenações, como exige do Estado reparações pelas graves violações de direitos de cometidos pelos agentes de Estado. “O presidente foi eleito de acordo com a Constituição brasileira, mas não está agindo como manda essa Constituição, e os assessores que o orientam têm que enxergar isso, que é uma conquista consolidada do povo brasileiro. A anistia é necessária e histórica, não há como voltar atrás, acho bom que eles se lembrem disso”, assegura Amelinha.

O livro Resistência e Anistia é o confronto da verdade com aqueles que querem mudar o curso da história. “Um livro que conta toda a história e importância dessa conquista, o quanto a sociedade tem sido beneficiada, porque anistia significa liberdade e democracia, e a sociedade precisa disso para produzir, para crescer e se desenvolver", diz Amelinha Teles, “nós precisamos conhecer a história do Brasil e esse livro contribui para isso”.

Você pode contribuir  com o resgate dessa memória ajudando a viabilizar a impressão dos exemplares que precisamos para chegar ao grande público. Basta acessar o site da campanha e colaborar com qualquer quantia.

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