EUA já não têm força, representam apenas um terço da economia da China, diz Amir Khair

“Se depender de Bolsonaro, [teremos] submissão total aos Estados Unidos", analisa um dos maiores economistas do país, em entrevista à TV Diálogos do Sul

Mariane Barbosa

Diálogos do Sul Diálogos do Sul

São Paulo (SP) (Brasil)

A TV Diálogos do Sul abriu as portas para que um de nossos colaboradores, o jornalista Amaro Augusto Dorneles, pudesse entrevistar um dos maiores nomes da economia do nosso país, Amir Khair, que é consultor financeiro e foi secretário de Finanças da cidade de São Paulo durante governo de Luiza Erundina.

Fazendo uma análise crítica junto ao economista, Dorneles abordou questões sobre as expectativas da economia para 2020 e e não só questões relativas ao governo bolsonaro, mas também sobre a guerra econômica entre Estados Unidos e a China e a relação entre os governos estadunidense e brasileiro.

Amir Khair ressalta que hoje em dia, o Brasil não pode "prescindir da China", um grande parceiro comercial. Seja para exportar commodities ou importar produtos da potência asiática. "Os EUA representam um terço da China, do ponto de vista comercial externo do Brasil. Então eu não vejo os Estados Unidos com essa força, pelo contrário, eles estão em decadência por essa briga com a China", destaca.

Montagem Diálogos do Sul
EUA representam um terço da China, do ponto de vista comercial externo do Brasil.

“Se depender de Bolsonaro, [teremos] submissão total aos Estados Unidos. Isso ficou na cara desde o início", disse, citando exemplos como as brigas contra os árabes e chineses, nas quais o presidente brasileiro optou pelo lado estadunidense. "As coisas mudaram porque os empresários viram que sairiam prejudicados. Toda a indústria brasileira reclamou, ele teve que ceder ou cairia", explicou.

Questionado pelo jornalista sobre o falso aumento no número de trabalhadores empregados no Brasil, Khair explica que a qualidade do trabalho está caindo e o poder de competição brasileiro, diminuindo. Esses trabalhadores fazem parte da precarização do trabalho, onde as pessoas se submetem a empregos informais e são tratadas pelo governo brasileiro como se fossem empreendedores individuais. 

"Enquanto o mundo está crescendo, inclusive os países emergentes, os empregos vão fluindo pra lá", explica o economista, afirmando que é preciso aumentar o poder aquisitivo da população para poder ter lucro, o que foi feito pelo governo do ex-presidente Lula, época em que o país viu a economia brasileira crescer com uma média de 4% ao ano. "Mas as últimas reformas feitas pelo governo brasileiro retiraram esse poder da população, retiraram direitos, salário e isso vai frustrar o povo", diz.


Assista a íntegra da entrevista



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