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ToggleEm 16 de novembro de 2025, o Chile realizará eleições presidenciais. Caso nenhum candidato supere 50% mais um dos votos, terá lugar um segundo turno em 14 de dezembro.
Na mesma data serão renovadas, também, as duas câmaras legislativas: a Câmara dos Deputados, em sua totalidade (155 deputados); e o Senado, onde serão eleitos 23 dos 50 lugares, correspondentes — neste caso — às circunscrições I, II, IV, VI, IX, XI e XIV.
As primárias internas para escolher candidatos serão realizadas em 29 de junho. As eleições primárias no Chile podem ser abertas ou fechadas, e são os próprios partidos que decidem o formato ao inscrever candidaturas, ainda que todas sejam organizadas pelo Serviço Eleitoral (SERVEL), organismo público encarregado dos processos eleitorais.


Cenário do oficialismo
Ainda que inicialmente tenha sido cogitada a possibilidade de realizar primárias amplas, somando partidos desde a esquerda até o centro — incluindo do Partido Comunista Chileno (PC) à Democracia Cristã (DC), passando pela Frente Ampla (FA) —, a DC por fim decidiu que terá uma primária presidencial e chapas parlamentares próprias com partidos da ex-Concertación e da Federação Regionalista Verde Social (FVRS). Ou seja, a Democracia Cristã explicitamente recusa participar de uma primária junto ao Partido Comunista.
Com relação às e aos candidatas, ainda que não haja candidatura evidente para a eleição, quem figura com mais força nas pesquisas é Michelle Bachelet, do Partido Socialista (PS), embora tenha recusado até agora estar disposta a se candidatar. Também aparecem Carolina Tohá (ministra do Interior e membro do Partido pela Democracia, partido fundado por Ricardo Lagos), Camila Vallejo (ministra de Governo e membro do Partido Comunista chileno), Gonzalo Winter (deputado da Frente Ampla), Tomás Vodanovic (FA), o prefeito mais votado do país e Marco Enríquez Ominami.
Até o momento, o único candidato oficialista anunciado é Vlado Mirosevic (deputado do Partido Liberal, fundado por ele quando deixou a FA), ainda que sem maiores opções.
Cenário da oposição
Até o momento, está descartada uma única primária com a participação da direita tradicional e da ultradireita. O cenário mais provável, portanto, é reeditar o que aconteceu em 2021, quando o Republicanos (extrema-direita) concorreu com José Antonio Kast como candidato de maneira independente. Naquela ocasião, novas figuras emergiram na extrema-direita. O caso mais proeminente é o de Johannes Kaiser, com um discurso libertário similar ao de Javier Milei.
Evelyn Matthei, prefeita de saída de Providencia, lidera as pesquisas da direita tradicional, com vantagem sobre a maioria dos candidatos oficialistas. Em 2013, Matthei perdeu no segundo turno para Bachelet, que obteve a maior porcentagem para ganhar e a maior diferença no segundo turno (63% contra 37%).
O que dizem as pesquisas
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- Pulso Cidadão (novembro de 2024): Matthei 26%; Bachelet 13%; Kast 10%; Kaiser 8%.
- CADEM (novembro de 2024): Matthei 22%; Bachelet 6%; Kast 14%; Vodanovic 5%.
- Criteria (dezembro de 2024, painel): Matthei 27%; Bachelet 11%; Kast 11%; Vodanovic 5%.
Estas eleições, tanto presidenciais como legislativas, serão as primeiras desde a reintrodução do voto universal obrigatório, um mecanismo estabelecido em 2022 após dez anos de voto voluntário. Esta obrigação foi reestreiada no Plebiscito de saída do primeiro processo constituinte, com um impacto contundente sobre a participação.
