Dez das mais de mil mulheres vítimas de abuso e exploração sexual pelo falecido financista Jeffrey Epstein participaram do lançamento de um novo projeto que exibe cópias impressas e digitais dos 3,5 milhões de documentos que detalham a estreita amizade entre o presidente Donald Trump e Epstein, além de denunciar o que afirmam ser um esforço maciço de acobertamento.

Toda a lateral de um ônibus chamado “Livro-Móvel Donald J. Trump e Jeffrey Epstein” exibe documentos e fotos que detalham a amizade de décadas entre os dois, e seu interior está repleto de caixas de documentos e amostras de arquivos digitais divulgados pelo Departamento de Justiça sob pressão do Congresso e das vítimas e de seus aliados.
O objetivo imediato dessa iniciativa foi tentar impedir a confirmação do procurador-geral interino, Todd Blanche, por ter se recusado a dar continuidade à investigação dos cúmplices de Epstein e, a longo prazo, obrigar o governo a prosseguir com a investigação de todos os responsáveis pelos abusos e pelo tráfico sexual coordenado pelo ex-financista.
“A sala de leitura não trata apenas de papéis. É a evidência física do sofrimento humano enquanto aqueles que estavam no poder olharam para o outro lado”,
declarou Amanda Roberts, cunhada de Virginia Giuffre, uma jovem que trabalhou para Trump e depois para Epstein e que acusou o financista de abuso sexual e de tê-la traficado para o príncipe Andrew, da Grã-Bretanha, e outros homens influentes. Giuffre foi uma das primeiras a acusar Epstein e seus associados; ela se suicidou no ano passado.
“Este não é um acobertamento que já terminou; é um crime em andamento”, acusou Miles Taylor. “Eu trabalhei no primeiro governo Trump e vi de perto a corrupção escancarada de Donald Trump. Trata-se de uma relação que Trump não quer que ninguém veja.”

A relação de Trump com Epstein começou na década de 1990, mas Trump insiste que rompeu com o amigo no início dos anos 2000. Um e-mail que Epstein enviou a um repórter em 2019, pouco antes de ser encontrado morto em sua cela enquanto aguardava julgamento, dizia apenas: “Trump sabia das meninas”.
Entre os documentos exibidos no “livro-móvel” estão os resumos de entrevistas realizadas pelo FBI com uma mulher que afirma ter sido abusada sexualmente por Epstein e, posteriormente, por Trump, quando tinha entre 13 e 15 anos.
O FBI realizou quatro entrevistas com essa mulher, mas ela afirma que decidiu não apresentar uma denúncia formal na época porque acreditava que jamais tomariam medidas contra esses homens poderosos.
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Alva Johnson, que trabalhou para a campanha eleitoral de Trump no Alabama em 2016, acusou o então candidato de tê-la forçado a beijá-lo contra sua vontade e, posteriormente, venceu uma ação civil pela qual recebeu 300 mil dólares, pagos pela campanha.
“Estou aqui hoje representando as outras 27 mulheres que acusaram Donald Trump”, declarou aos repórteres reunidos para a inauguração desse projeto. “Não é fácil ser uma sobrevivente. Fui processada pela campanha, mas venci.”
Todas as sobreviventes que falaram em 30 de julho afirmaram ter enfrentado ataques de homens poderosos que acreditavam que as autoridades não desejavam ouvir suas histórias.
Mas, no dia 29 de julho, elas foram ao Congresso para entregar cópias dos arquivos e lembrar aos parlamentares de suas reivindicações pela divulgação pública dos documentos que ainda não foram tornados públicos sobre o caso, bem como pela investigação de todos os homens mencionados nos arquivos do processo.
No evento, realizado tendo o Capitólio como pano de fundo, a ativista Mary Corcoran afirmou que “políticos predadores podem usar legalmente seus fundos de campanha eleitoral para processar quem se atreva a acusá-los de abuso sexual”.
David Garrett, organizador desse livro-móvel, explicou que a intenção é levar o arquivo sobre rodas a estados-chave antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. “O que estamos fazendo é tentar criar uma experiência física e ao vivo que ajude a evidenciar a corrupção deste governo.”





