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ToggleEspanha reforça condenação às agressões de EUA-Israel contra Irã e Líbano – 09/04
O choque diplomático entre a Espanha e os dois países da guerra contra o Irã, Estados Unidos e Israel, segue aumentando. Na última quinta-feira (9), o ministro das Relações Exteriores do governo espanhol, o socialista José Manuel Albares, condenou a administração presidida por Benjamin Netanyahu — foragido da Corte Penal Internacional por violar o direito internacional — pelos bombardeios contra o Líbano, além de anunciar a reabertura da embaixada espanhola em Teerã. Já em Israel, o governo presidido por Pedro Sánchez foi acusado de “andar de mãos dadas com o regime terrorista iraniano.”

Em declarações perante o Parlamento, Albares se referiu à devastação provocada pelos bombardeios do exército israelense no Líbano. “Ontem (8 de abril) vimos como Israel, descumprindo o cessar-fogo, lançou centenas de bombas sobre o Líbano”, expôs, citando relatos nas redes sociais do ministro israelense da Defesa, Gideon Saar.
Quanto à reabertura da embaixada espanhola, Albares anunciou o retorno do diplomata Antonio Sánchez-Benedito à capital iraniana, Teerã. A representação foi fechada temporariamente em 7 de março após os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel iniciados em 28 de fevereiro. O chefe da diplomacia espanhola explicou que a decisão responde ao atual cessar-fogo acordado por duas semanas e busca impulsionar os esforços de paz “a partir de todos os vetores”. “São duas semanas em que esperamos que todos apostem na via diplomática, como faz a Espanha desde o primeiro dia”, declarou.
Albares informou ainda que conversou com seu homólogo iraniano, Abbas Aragchi, para transmitir-lhe o apoio da Espanha ao processo de mediação. No âmbito desse diálogo, o ministro instou o Irã a se envolver de forma decidida nas negociações, bem como a cessar os ataques contra países do Golfo e a utilizar sua influência sobre as milícias xiitas na região para a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo internacional.
A resposta por parte de Israel a esse gesto de distensão da diplomacia espanhola foi imediata e ocorreu por meio do ministro Gideon Saar, que declarou nas redes sociais: “O regime terrorista iraniano volta a executar seus próprios cidadãos: manifestantes e opositores políticos. A Espanha reabre sua embaixada em Teerã. Andam de mãos dadas. Sem pudor. Para vergonha eterna.”
A Espanha é o país europeu que mais abertamente expressou sua rejeição frontal à estratégia belicista dos Estados Unidos e de Israel, a ponto de o próprio presidente Sánchez ordenar a proibição do uso das bases militares estadunidenses em território espanhol (Rota e Morón de la Frontera) para essa empreitada bélica, além de fechar seu espaço aéreo para qualquer operação relacionada a bombardeios contra o Irã e o Líbano. Além disso, recordou explicitamente à administração de Donald Trump que, na Espanha, a postura é de “não à guerra”.
Espanha: ‘É um dever dar visibilidade aos crimes da ditadura argentina’ – 25/03
O governo espanhol, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, condenou nesta terça-feira (24) “as violações dos direitos humanos, os desaparecimentos e os assassinatos perpetrados pelas juntas militares argentinas” (1976-1983). A declaração foi feita em razão do 50º aniversário do golpe de Estado na Argentina.
Ao prestar tributo à sua memória, o Conselho de Ministros da Espanha realizou uma declaração institucional e publicou a lista completa com os nomes das 307 vítimas de origem espanhola, que foram “desaparecidas” ou “assassinadas”.

Diante do revisionismo histórico impulsionado pelo presidente da Argentina, o ultradireitista Javier Milei, desde Madri foi expressa a mais contundente condenação à repressão e à perseguição sob o regime de Jorge Videla e das juntas militares. Na declaração institucional, o Conselho de Ministros expressou seu reconhecimento aos familiares das vítimas, “cuja perseverança contribuiu de maneira decisiva para manter viva a memória do ocorrido e para impulsionar processos de investigação que esclareçam todos os fatos.”
O texto também advertiu que, “no marco desta comemoração, o governo da Espanha considera um dever à memória dar visibilidade a esse episódio da história recente da América Latina e realizar um reconhecimento oficial às 307 pessoas, com a publicação de seus nomes como testemunho de dignidade e justiça.”
O ministro de Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, recordou que, há 50 anos, quando a Espanha começava a recuperar a liberdade, ocorreu um golpe de Estado na Argentina que mergulhou o país em uma ditadura, e os espanhóis que haviam emigrado por causa do franquismo voltaram a sofrer “um sistema repressivo baseado em detenções clandestinas, torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados”.
Por isso, a Espanha “responde ao dever do Estado de reconhecer e reparar todas as vítimas de violações de direitos fundamentais, independentemente do lugar onde os fatos ocorreram”, acrescentou.
O governo espanhol ressaltou ainda que “a memória das vítimas interpela a comunidade internacional e obriga a redobrar os esforços na proteção das liberdades fundamentais. A consolidação das democracias exige assumir o passado com rigor, garantir o acesso à documentação e promover o conhecimento histórico frente à impunidade”.
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