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Mesmo com 11,1 milhões de mexicanos nos EUA, imigração perde força sob endurecimento de Trump

Novo relatório mostra que mexicanos continuam formando a maior comunidade imigrante dos Estados Unidos, mas o fluxo migratório perde força após quase duas décadas de queda, em meio ao endurecimento das políticas de Donald Trump

David Brooks, Jim Cason
La Jornada
Washington, DC

Tradução:

Tradução: Isabelle Paiva

Os 11,1 milhões de imigrantes mexicanos nos EUA constituem o maior grupo de imigrantes do país, representando 22% do total da população nascida no exterior e 40% de todos os imigrantes indocumentados, segundo um novo perfil demográfico elaborado pelo Migration Policy Institute (MPI), sediado em Washington.

File:Limite de los estados unidos mexicanos.jpg - Wikimedia Commons
Limite doss estados unidos- Wikimedia

O total de imigrantes mexicanos no país vem diminuindo ao longo das últimas duas décadas, e a projeção é de que essa tendência continue no futuro imediato.

Os imigrantes nascidos no México representam aproximadamente um quarto do total de 40,5 milhões de pessoas de ascendência mexicana nos Estados Unidos. Seu perfil está mudando em decorrência das transformações econômicas no país e das políticas anti-imigração implementadas pelo governo de Donald Trump.

“A população nascida no México quintuplicou desde 1980, mas diminuiu ligeiramente desde o pico alcançado em 2007, quando ultrapassava os 11,7 milhões”, relataram Andrés Ayala e Jeanne Batalova neste novo relatório do MPI.

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De modo geral, a população nascida no México que atualmente reside nos Estados Unidos vive no país há mais tempo, fala menos inglês e tem menor probabilidade de ter obtido a cidadania em comparação com imigrantes de outros países. Os lares de imigrantes mexicanos registraram renda média de US$ 68.700 em 2024, abaixo da renda média dos lares de todos os imigrantes. Mais da metade desses mexicanos trabalha no setor de serviços ou nas áreas de construção, manutenção e recursos naturais.

Os mexicanos que entram nos Estados Unidos não se distribuem por todo o país. De acordo com o novo relatório, mais da metade de todos os nascidos no México estava concentrada na Califórnia ou no Texas, sendo Illinois, Arizona e Flórida outros estados com presença significativa de mexicanos.

O México é o principal país de origem dos imigrantes não autorizados (indocumentados) nos Estados Unidos. O MPI calcula que, em 2023, “havia cerca de 5,5 milhões de imigrantes não autorizados provenientes do México, o que representava 40% do total de 13,7 milhões de imigrantes não autorizados nos Estados Unidos. Os mexicanos representavam 81% dos 495.300 beneficiários ativos do programa DACA em dezembro de 2025”.

Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino de quase todos os mexicanos que migram de seu país, com 11,1 milhões do total de 11,6 milhões de mexicanos que vivem fora do México.

Canadá, Espanha, Guatemala, Bolívia, Itália, Austrália e Panamá são os outros países com populações significativas de mexicanos.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.
Jim Cason Correspondente do La Jornada e membro do Friends Committee On National Legislation nos EUA, trabalhou por mais de 30 anos pela mudança social como ativista e jornalista. Foi ainda editor sênior da AllAfrica.com, o maior distribuidor de notícias e informações sobre a África no mundo.

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