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Recente matéria da PressTV afirma que “226 mulheres iranianas, incluindo duas gestantes, foram mortas e 3.002 mulheres ficaram feridas" pelos ataques de EUA e Israel ao Irã. (Foto: Mohsen Rezael - IRNA)

Mais de 61 mil prédios, precisão absoluta: EUA-Israel atacam propositalmente civis no Irã

Bombardeio a escola que matou dezenas de crianças se soma a agressões contra hospitais e zonas residenciais, com um saldo de ao menos 1.400 mortos e 20 mil feridos

Ciro Casique Silva
Diálogos do Sul Global
Brasília (DF)

Tradução:

  • Atualizado em 18 de março de 2026, às 10h40.

Uma investigação militar preliminar dos Estados Unidos teria determinado que Washington foi o responsável pelo ataque mortal com míssil Tomahawk, em 28 de fevereiro, contra a escola primária Shajarah Tayyebeh, localizada em Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irã, matando dezenas de crianças. Em 3 de março, milhares de iranianos se reuniram em Minab para o funeral coletivo das alunas e funcionários mortos.

“Na minha opinião, com base no que vi, isso foi obra do Irã”, disse Trump a repórteres a bordo da aeronave Air Force One no mesmo dia, sem provas, sem evidência nenhuma, acrescentando: “Eles [os iranianos] são muito imprecisos, como vocês sabem, com suas munições. Não têm precisão alguma. Foi obra do Irã.”

O The New York Times reportou que “oficiais do Comando Central dos EUA criaram as coordenadas do alvo para o ataque usando dados desatualizados fornecidos pela Agência de Inteligência de Defesa”. Autoridades iranianas afirmaram que o número de pessoas mortas — assassinadas pelos regimes Epstein — passou de 170. Na maior parte, as “vítimas fatais eram crianças em idade escolar, com idades entre 7 e 12 anos”, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Não foi suficiente para os pedófilos e canibais violarem as crianças do mundo; agora as matam em nome da “liberdade”. A matéria do NYT reúne falas de militares estadunidenses, sem revelar seus nomes, dizendo que o ataque teria acontecido “por acidente”, como “resultado de um erro de direcionamento por parte das Forças Armadas dos EUA”. O que vimos em Gaza, porém, é que EUA e Israel conseguem ter os mais avançados sistemas de inteligência do mundo e alcançam uma precisão absurda, portanto, essas forças malignas e covardes não podem nos enganar mais uma vez.

No mesmo dia, a agressão das forças da ocupação israelense e estadunidense assassinou Sayyed Ali Khamenei, líder da revolução iraniana, bem como foram ceifadas as vidas da neta do chefe de Estado — Zahraa Mohammadi Ghalbaighani, nascida há apenas 14 meses —, da filha do líder, de seu genro e de outros familiares.

Israel bombardeia a liberdade de imprensa

Em 4 de março, brutais ataques aéreos do regime colonial israelense atingiram o prédio do Islamic Republic Iran Broadcasting (IRIB), canal oficial de notícias iraniano, em Sanandaj, um ataque flagrante à liberdade de expressão e à imprensa. O regime sionista já havia atacado a emissora em 16 de junho de 2025, quando boa parte do complexo foi danificada. O momento foi marcado pelo infausto vídeo em que Sahar Emami, apresentadora que transmitia ao vivo no estúdio, é surpreendida enquanto o cenário e a câmera tremem durante o bombardeio.

Hospitais são alvos

“Ataques conduzidos por forças militares dos Estados Unidos e de Israel atingiram na noite de 1º de março o Hospital Gandhi, no centro de Teerã, causando danos severos à unidade e colocando recém-nascidos em risco imediato. O bombardeio ocorreu um dia após o início da ofensiva militar conjunta contra o Irã, ampliando a escalada regional iniciada no último sábado (28/02)”, reportou publicação de HispanTV Brasil.

Um vídeo mostra um ataque atroz dos EUA e de Israel contra o hospital Khordad, na cidade iraniana de Varamin. Até o dia 7 de março de 2026, “pelo menos 13 hospitais e outras instalações de saúde iranianas foram atingidas por ataques desde 28 de fevereiro, matando 4 médicos e ferindo outros 25, de acordo com a Organização Mundial da Saúde”, relata a TRT World, canal de notícias turco, com jornalistas no local. Enquanto isso, meios de [des]informação de massas ocidentais, cúmplices ferrenhos dos interesses imperiais e sionistas, afirmavam que no Irã não havia acesso à informação porque, supostamente, o “regime iraniano impõe um bloqueio à internet”.

Escolas e crianças na mira

Após Minab, em 6 de março de 2026, outro ataque da coalizão EUA-Israel atingiu Shahid Hamedani, “uma escola primária na Praça Niloufar, na capital iraniana Teerã, segundo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei”, reportou a Al Jazeera English.

Por sua vez, a Asian News International, agência de notícias indiana, com informações da Al Jazeera, reportou em 10 de março de 2026 que “um ataque de míssil dos EUA na província de Markazi teria atingido uma instalação de ensino na cidade de Khomeyn, na região central do Irã”. O texto descreve também que “a instituição foi identificada como a escola Dr. Hafez Khomeyni” e que “reportagens locais indicam que a explosão provocou danos significativos a várias propriedades residenciais nas proximidades do prédio.”

EUA Israel atacam propositalmente civis no Ira 5
Vista dos destroços após um ataque israelense e americano ao Hospital Hotel Gandhi, em meio ao conflito entre EUA e Israel com o Irã, em Teerã, Irã, 2 de março de 2026. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency)

“Este seria o terceiro ataque a uma escola, após os bombardeios em Shahr-e-Rey”, cidade iraniana, expõe uma reportagem do Republic World, site de notícias indiano, com imagens, vídeos e informações de veículos de comunicação iranianos.

Ataques atingem áreas residenciais 

Em 16 de março, uma publicação da Al Jazeera English mostrou equipes de resgate tirando civis dos escombros após uma nova onda de ataques dos EUA e de Israel contra a população de Teerã. Testemunhas relataram que a agressão alvejou uma zona residencial, matando várias pessoas e deixando muitas outras soterradas sob os escombros. Até o momento de publicação da reportagem, “cerca de 1.400 pessoas haviam sido assassinadas no Irã após o bombardeio contínuo dos EUA e Israel”.

“A nossa casa foi danificada e todas as janelas foram estraçalhadas. Para dizer a verdade, eu não sei como descrever o que estou sentindo, isso é absolutamente horrível”, diz Lina Shabestari, moradora da cidade.

“Eles bombardearam um prédio residencial. Mais uma vez, eles atingiram outro prédio residencial, não tinha outra coisa aqui”, relatou um resgatista entrevistado, enquanto mostrava brinquedos de pelúcia. “As autoridades iranianas disseram que a maioria das vítimas são civis, enquanto cerca de 20 mil pessoas ficaram feridas”, aponta o texto, acompanhado de imagens que mostram senhores de idade avançada e corpos sendo resgatados.

Números oficiais da agressão

Em 10 de março, Fatemeh Mohajerani, porta-voz iraniana do governo do Irã, afirmou que “52 unidades de saúde foram atacadas e que 11 profissionais da área médica foram ‘martirizados’ durante os ataques”. Ela enfatizou que “o inimigo não está travando uma guerra ideológica, mas sim atacando o povo, o conhecimento e a cultura do Irã”, citou a West Asia News Agency, meio de comunicação iraniano.

Já em uma matéria da Press TV, agência de notícias iraniana, publicada em 16 de março de 2026, a mesma funcionária disse que, “desde o início da guerra, os ataques conjuntos dos EUA e Israel danificaram um total de 61.182 unidades civis em todo o Irã, incluindo 18.180 edifícios residenciais e comerciais em Teerã, bem como 34.548 edifícios residenciais e 8.081 comerciais nos arredores de Teerã.”

O texto também aponta que “226 mulheres iranianas, incluindo duas gestantes, foram mortas e 3.002 mulheres ficaram feridas durante a agressão”, enquanto “o número de mártires com menos de 18 e 5 anos chegou a 204 e 13, respectivamente”. Ainda segundo Mohajerani, “17 profissionais da área médica, assim como 206 professores e alunos, perderam a vida nos ataques inimigos.”


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Ciro Casique Silva Venezuelano, migrante, arquiteto, mestre em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe pela Unesp, militante sexo-gênero diverso e integrante do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela.

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