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Fidel Castro: como Cuba levou solidariedade ao Vietnã e à África

No fórum de solidariedade realizado em Havana durante as celebrações dos 100 anos de Fidel, participantes relembram a atuação de Cuba no Vietnã, as missões internacionalistas na África e a marca deixada pelo líder revolucionário nas lutas anticoloniais.

Luis Hernández Navarro
La Jornada
Havana

Tradução:

Tradução: Isabelle Paiva

O Palácio de Convenções parece um formigueiro. Centenas de delegados percorrem seus corredores e salões, tiram fotos para guardar de recordação, bebem café às pressas, conversam e, sobretudo, lotam as salas. Reúnem-se em torno dos 100 anos do nascimento de Fidel Castro. Reexaminam seu papel como revolucionário e estadista, como impulsionador da diplomacia sanitária e educador popular, como ator central da luta contra a descolonização e impulsionador do esporte. Mas, hoje, nesta imensidão de atividades, destaca-se o fórum de solidariedade com Cuba, presidido por Miguel Díaz-Canel.

No rosário de intervenções, aqueles que tomam a palavra coincidem em que a atuação do comandante refez o mapa mundial. Seus movimentos audaciosos no tabuleiro das relações internacionais modificaram as fronteiras da África e do Sudeste Asiático.

Miguel Díaz-Canel assume o comando do Partido Comunista Cubano após a saída de Raúl Castro | Internacional | EL PAÍS Brasil
Miguel Díaz-Canel assume o comando do Partido Comunista Cubano após a saída de Raúl Castro | Twitter X

Embora tenha nascido na Nova Zelândia, Miguel Lapsley é presidente honorário da sociedade de amizade da África do Sul (para onde se mudou para viver em 1973) com a ilha. É pastor da Igreja Anglicana. Dirige o Institute for Healing of Memories.

Militou no Congresso Nacional Africano e foi expulso da África do Sul em 1976. Uma carta-bomba enviada pelo regime do Apartheid fez com que perdesse as duas mãos e um olho.

Em 10 ocasiões, visitou o herói cubano Gerardo Hernández na prisão onde esteve encarcerado nos Estados Unidos.

O amor, diz o padre Lapsley, não é apenas uma questão de compartilhar emoções, mas também de apoio prático.

Fidel Castro alertou por décadas para o risco de uma guerra dos EUA contra Cuba

E recorda que, quando havia acabado de sofrer o atentado terrorista que o deixou sem as mãos e com um olho cego, a segunda pessoa a visitá-lo no hospital foi o embaixador de Cuba.

Ofereceu-lhe tratamento médico na ilha. “O legado de Fidel Castro — ressaltou — é que ele nos inspira a continuar lutando pela justiça. Não ao genocídio contra Cuba!”

Em sua vez, o vice-presidente da associação de amizade Vietnã-Cuba denunciou que “este bloqueio que é aplicado contra o nobre povo de Cuba é um genocídio no século XXI”. Recordou, também, o vínculo que une as duas nações irmãs, que transcende gerações. Assim é.

Em homenagem à epopeia da guerra de libertação vietnamita, na canção “Mãe”, composta em 1972, Silvio Rodríguez diz: “Mãe, em teu dia/Mãe Pátria e Mãe Revolução,/Mãe, em teu dia/Teus rapazes varrem minas em Haiphong”. Justamente nessa época, os Estados Unidos intensificaram, com maior beligerância e crueldade, seus ataques contra aquela nação asiática. Sem maiores preâmbulos, em 1º de maio, Fidel Castro anunciou na Praça da Revolução o envio ao Vietnã de três equipes médicas. Em meio aos bombardeios, os médicos da ilha dedicaram-se a salvar vidas e tratar os feridos.

Como um pequeno grande gesto de reciprocidade, o Vietnã acaba de publicar em papel, juntamente com os cubanos, as Obras Escolhidas de Fidel Castro, que hoje foram apresentadas formalmente no Colóquio. A Editora Política Nacional do Vietnã, A Verdade, imprimiu três mil exemplares das Obras Escolhidas de Fidel Castro Ruz. Vu Trong Lam foi o diretor e editor-chefe. São 24 tomos magnificamente elaborados, à maneira das clássicas obras escolhidas que antigos países socialistas editaram com os trabalhos de Marx, Lenin, Mao Tsé-Tung e tantos outros pensadores marxistas. O Tomo 23 é composto, em parte, pelas cartas que o comandante trocou com Hugo Chávez.

Alfonso Ramón Naranjo é jornalista aposentado, vive em Las Tunas, no Oriente cubano, e dedica-se a estudar a guerra de Independência cubana e as missões internacionalistas de combate na África, particularmente em Angola. A atual crise, provocada pelo novo aperto das medidas do bloqueio, levou-o a perder significativamente peso. Às vezes, o dinheiro não é suficiente, mas ele garante: “vamos sobreviver, vamos seguir em frente. Já demonstramos isso em várias ocasiões. Foi assim que fizemos durante o período especial, que foi muito duro, embora não nos níveis que alcançamos atualmente”.

Alfonso apresentou uma comunicação sobre Fidel como estrategista militar durante a guerra de Angola. Segundo explica, o comandante tinha uma enorme capacidade de prever o que iria acontecer. Ao revisar documentos militares desclassificados, encontrou, por exemplo, uma advertência a um comando cubano na África, na qual o alertava de que o inimigo iria atacar em uma hora precisa. E, de fato, naquela hora ocorreu a ofensiva contra eles.

Naranjo esteve em Angola no período de 1975-76. Retornou em 1977 e em 1988, com Cuito-Cuanavale. Primeiro foi como correspondente de guerra, mas teve que trocar a caneta pelas armas para acompanhar as tropas. Quando foi oficialmente declarado que Cuba estava colaborando com Angola, os trabalhos jornalísticos começaram a ser publicados. Nas outras vezes, foi como combatente. Foi oficial.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Luis Hernández Navarro

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