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Reprodução: Rawpixel

Haiti chega a 1,5 milhão de deslocados, e mulheres e meninas fogem sem destino seguro

A violência armada já alcança regiões antes consideradas seguras, força novos deslocamentos e agrava a crise humanitária no país caribenho. OIM alerta que mulheres, crianças e deportados estão entre os mais vulneráveis

Redação Diário Libre
Diário Libre
São Domingo

Tradução:

A crise de deslocamento enfrentada pela população do Haiti, grave há anos, entrou em uma fase ainda mais alarmante, e 1,5 milhão de pessoas de áreas urbanas e rurais são agora vítimas dessa situação, informou, na sexta-feira (5), a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Violência
Cité Soleil | Port-Au-Prince (Haiti) | Flickr André Mellagi

Mais da metade são mulheres e meninas, e a crise já não se limita a determinados bairros ou regiões, uma vez que a violência se espalhou para áreas antes consideradas seguras.

“Isso aumenta o número de pessoas obrigadas a fugir repetidamente, embora não tenham para onde ir”, disse, por teleconferência, o chefe da missão da OIM no Haiti, Grégoire Goodstein.

Somente em maio, mais de 18 mil pessoas tiveram de fugir da nova onda de violência em Cité Soleil, o que elevou para mais de 300 mil o número de deslocados internos na capital, Porto Príncipe, pela primeira vez na história.

Além disso, houve 5 mil deslocados nas últimas semanas no departamento do Sudeste, região que antes servia de refúgio para aqueles que escapavam da insegurança em outras partes do país, o que demonstra que a violência já não se limita aos focos tradicionais.

Violência: Gangues criminosas

A deterioração da segurança ocorreu paralelamente ao fortalecimento das gangues criminosas armadas nos últimos três anos, que passaram a controlar 85% de Porto Príncipe.

Nem mesmo a missão internacional de apoio à segurança, criada para auxiliar as forças policiais, conseguiu conter o avanço das gangues.

A crise foi agravada pelos retornos de haitianos provenientes de países que realizam deportações forçadas.

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“Desde o início de 2026, mais de 110 mil haitianos foram devolvidos à força ao país, incluindo mulheres, crianças e outros grupos vulneráveis. Muitos chegam sem recursos e com apoio limitado”, explicou Goodstein.

Além disso, entre os retornados predominam perfis vulneráveis, incluindo crianças desacompanhadas, mulheres grávidas e mulheres no pós-parto, assinalou a organização.

O representante da OIM afirmou que a chegada da temporada de furacões no Atlântico aumenta as preocupações humanitárias, já que podem ocorrer inundações e outros fenômenos meteorológicos extremos.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Redação Diário Libre

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