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Rixi Moncada alertou sobre riscos de fraude e pediu que o povo fotografasse atas e acompanhasse o percurso dos votos “voto a voto”. (Foto: Reprodução / Facebook)

Eleições em Honduras: frente a risco de fraude, Rixi Moncada convoca povo a defender voto a voto

Resultados preliminares colocam direitista Nasry Asfura, apoiado por Trump, na liderança dos votos; Moncada e Partido Libre vinham denunciando, há dias, plano de sabotagem

Redação Diálogos do Sul Global
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

A apuração das eleições gerais em Honduras, ocorridas neste domingo (30), traz um cenário de incerteza e disputa intensa. Com 55% das atas escrutinadas, o conservador Nasry Asfura, do Partido Nacional, aparece na frente do resultado preliminar divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país com 40% dos votos.

Em segundo lugar, figura Salvador Nasralla, do Partido Liberal, com 39,8%. Rixi Moncada, candidata do Partido Libertad y Refundación (Libre), chega em terceiro com 19,2%.

Mais de seis milhões de hondurenhos foram convocados às urnas para definir o futuro político do país, incluindo a escolha do novo presidente — que assumirá em 27 de janeiro —, 128 deputados do Congresso, 20 representantes ao Parlamento Centroamericano, 298 prefeitos e 2.168 legisladores locais. O CNE tem até 30 dias para consolidar a declaração oficial dos resultados.

Denúncias do Partido Libre

Antes mesmo da apresentação dos primeiros números, Moncada, com o apoio da atual presidenta, Xiomara Castro, já vinha alertando sobre falhas no Sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP). Ambas denunciaram um possível “plano de sabotagem” e uma guerra psicológica para manipular a vontade popular.

Moncada — favorita nas pesquisas de intenção de voto — nesse sentido convocou o povo a “se manter em pé de luta até a divulgação dos resultados com 100% das atas apuradas”, anunciando uma coletiva de imprensa para esta segunda (1º) para comunicar sua posição política em relação aos números divulgados pelo CNE. Além disso, afirmou estar “agradecida” ao “partido [Libre] e povo hondurenho, que saiu para votar em massa” em prol de sua “proposta de reforma econômica e democrática”.

O ex-presidente Manuel Zelaya, referência histórica da esquerda hondurenha, além de assessor de sua esposa, Xiomara Castro, definiu o chamado de Moncada como “moral, patriótico” e fiel ao mandato popular expresso nas urnas. “O Libre é um partido de ideais aprovado nas ruas e com grandes resultados sociais e democráticos no exercício da Presidência com Xiomara Castro”, declarou.

O Partido Libre, por sua vez, havia antecipado que não aceitaria os resultados preliminares, assegurando a existência de uma “mão obscura” e do “hackeamento” do TREP, com o objetivo de atrasar ou impedir a transmissão de votos provenientes de regiões onde o partido possui maioria. A manobra, detalhou a sigla, seria permitir que outro setor político “cantasse vitória” antes do tempo. As denúncias se baseiam inclusive em áudios vazados, citados por membros do partido e pelo procurador, Johel Zelaya, que apontariam uma trama para alterar os dados enviados ao TREP. Os riscos também foram denunciados por Marlon Ochoa, conselheiro do CNE, que alertou sobre três falhas no TREP.

Vigilância popular

Diante das denúncias e dos temores de manipulação eleitoral, a participação dos cidadãos extrapolou o ato do voto. Nos centros eleitorais, eleitores permaneceram atentos ao escrutínio, registrando e fiscalizando o processo para garantir que cada voto fosse devidamente reconhecido.

Uma cidadã de Tegucigalpa entrevistada pela Telesur resumiu o sentimento popular: “Estou me certificando de que todo o processo corra bem.”

A mobilização segue orientações feitas por Rixi Moncada durante sua campanha, quando alertou sobre riscos de fraude e pediu que o povo fotografasse atas e acompanhasse o percurso do sufrágio “voto a voto”.

Honduras vai às urnas neste domingo (30) com esquerda na liderança e risco de golpe

Em diversas localidades, cidadãos exigiram a repetição da contagem de votos sempre que notaram divergências, uma demonstração clara de que o povo hondurenho não está disposto a permitir retrocessos democráticos.

Trump e Asfura

Nasry Asfura, figura tradicional do conservadorismo hondurenho, tenta pela segunda vez chegar à presidência após perder para Xiomara Castro em 2021. Engenheiro civil e conhecido como “Papi, a seu dispor” [ideia de se colocar à disposição para trabalhar], iniciou carreira política em 1990 a partir de uma imagem de modéstia, geralmente vestindo jeans e camiseta. Durante anos, se manteve como uma das figuras mais bem avaliadas de Honduras.

A disputa, porém, ganhou contornos internacionais quando Donald Trump interveio abertamente no cenário eleitoral do país, pressionando o voto a favor de Asfura com ameaças diretas, alegando que “um líder equivocado só pode trazer resultados catastróficos para um país, seja ele qual for”. O presidente dos EUA declarou ainda que, se o conservador não ganhar, os “Estados Unidos não desperdiçaram dinheiro”, insinuando retaliações econômicas. Com Asfura na presidência, porém, prometeu “um grande apoio, pois tem muita confiança nele [Asfura], em suas políticas e no que ele fará pelo grande povo hondurenho”.

Em outra fala, Trump sinalizou a intenção de favorecer um indulto a Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras condenado a 45 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de armas e drogas. O argumento do republicano é de que a sentença se trataria de uma “armadilha da administração Biden”. Ao mesmo tempo — adotando a recorrente hipocrisia —, disse que Nasralla e Moncada podem levar Honduras pelo mesmo caminho da Venezuela — nação hoje acusada por Washington de ter líderes, inclusive o presidente Nicolás Maduro, envolvidos com o narcotráfico.

Imagem publicada por Nasry Tito Asfura na última sexta-feira, 28 de novembro. (Foto: Reprodução / Facebook)

A fala sobre Hernández gerou reações diplomáticas, incluindo crítica contundente do presidente colombiano Gustavo Petro, que classificou como “desmoralizante” indultar um condenado por tráfico de drogas. Questionado sobre a promessa, Trump respondeu que estaria atendendo ao clamor dos hondurenhos.

O que diz Nasralla

Enquanto Asfura se pavoneia pela dianteira parcial e Moncada denuncia as interferências no processo, Salvador Nasralla disse que o país “ainda não tem um vencedor oficial”.

O direitista também minimizou a diferença entre seus votos e os dados a Asfura – 23 mil até então — como “nada”. Já em uma mensagem nas redes sociais, no decorrer da jornada eleitoral, pediu a seus seguidores que protegessem seus votos durante a apuração:

“Envio esta mensagem a toda a nossa estrutura nacional: que ninguém abandone sua mesa, ninguém saia da seção eleitoral até o final. Honduras precisa que protejamos cada voto com coragem e responsabilidade”, escreveu. “Que Deus proteja a vontade do povo, nos livre de qualquer tentativa de fraude e nos mantenha firmes até o último momento”, concluiu.

* Artigo criado com apoio de IA.
** Com informações de Russia Today e teleSur.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Redação Diálogos do Sul Global

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