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ToggleA guerra desencadeada em 28 de fevereiro deste ano provocou uma queda brusca na oferta de petróleo e gás devido aos danos causados às infraestruturas, além do fechamento iraniano do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% da produção mundial de ambos os produtos através do Golfo Pérsico.

Em apenas alguns dias, os preços do petróleo bruto subiram de entre 70 e 80 dólares por barril para mais de 100 dólares, ao mesmo tempo em que também aumentaram os custos de transporte, devido ao encarecimento dos fretes e dos prêmios de seguro, entre outros fatores.
Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Irã, Kuwait e Catar são os principais países exportadores de petróleo bruto através do Estreito de Ormuz, enquanto China, Índia, Coreia do Sul, Japão e outros países asiáticos e europeus são os maiores importadores.
A Ásia foi o destino final de cerca de 80% do petróleo bruto e de seus derivados, bem como de 90% do Gás Natural Liquefeito transportado por essa rota em 2025, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).
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Uma média de 14,2 milhões de barris diários de petróleo bruto circulou por essa via marítima nesse período, dos quais 37,7% tiveram como destino a China, seguida pela Índia (14,7%), outros países asiáticos (13,9%), Coreia do Sul (12%), Japão (10,9%), Europa (2,8%), Estados Unidos (2,5%) e outros territórios (4,5%).
O fechamento do Estreito decretado por Teerã, em resposta à agressão dos Estados Unidos e de Israel, também interrompeu o fluxo de fertilizantes e de outras matérias-primas essenciais para a indústria e para a produção de alimentos, como enxofre, hélio e ureia.
Estatísticas publicadas pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento indicam que, na semana anterior ao início das hostilidades, pelo Estreito de Ormuz transitou 38% do comércio marítimo mundial de petróleo bruto, 29% do gás liquefeito de petróleo e 19% do gás natural liquefeito.
O transporte de mercadorias nesse período também incluiu 19% dos produtos petrolíferos refinados, 13% dos produtos químicos, incluindo fertilizantes, 3% dos contêineres e 2% da carga seca a granel.
Impacto econômico
Um mês após o início dos bombardeios, o Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou suas repercussões globais, em decorrência do aumento dos preços das matérias-primas, das expectativas de inflação e da provável erosão da confiança e do aumento da aversão ao risco nos mercados financeiros.
O FMI apresentou suas projeções em três cenários, definidos com base na duração, intensidade e alcance do conflito, além do tempo necessário para o retorno à normalidade da “produção e transporte de energia”.
No primeiro cenário, concebido para uma guerra de curta duração — já superado pelos acontecimentos —, o crescimento da economia mundial diminuiria de 3,3% para 3,1%, acompanhado por uma alta da inflação de 4,1% em 2025 para 4,4% neste ano.
No segundo cenário, que prevê uma prolongação dos confrontos, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global deverá cair para 2,5%, enquanto a inflação subirá para 5,4%.
Já no terceiro cenário, com danos adicionais às infraestruturas e uma hipotética extensão das perturbações nos mercados de energia até 2027, o crescimento será de cerca de 2% e a inflação chegará a quase 6%.
Por sua vez, o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Onudesa) assinalou que a guerra ameaça os avanços alcançados em matéria de desenvolvimento e desacelera ainda mais o progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
Ao mesmo tempo, ressaltou que o aumento dos preços poderá empurrar outros 45 milhões de pessoas para a insegurança alimentar aguda.
O impacto da crise será maior nos países emergentes e em desenvolvimento, importadores de energia e de outras matérias-primas. Merecem destaque especial os países envolvidos, direta ou indiretamente, no conflito, como o Irã, que exige dos Estados Unidos e de seus aliados pelo menos 300 bilhões de dólares para a reconstrução do país.
Em maio, a consultoria Rystad Energy estimou em até 58 bilhões de dólares os recursos financeiros necessários para restaurar as infraestruturas petrolíferas danificadas em diferentes países.
No caso dos Estados Unidos, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, estimou em 29 bilhões de dólares os gastos do Pentágono com a agressão contra o Irã, até 12 de maio.
Após um cessar-fogo em vigor desde 7 de abril, Estados Unidos e Irã anunciaram, em 14 de junho, um memorando de entendimento que incluiu o fim “imediato e permanente” das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz no prazo de 30 dias.
Segundo o documento de 14 pontos publicado por meios de comunicação iranianos, ambas as partes disporiam de um período de 60 dias de negociações “para alcançar um acordo final”, a fim de solucionar um conflito provocado pelos Estados Unidos e por Israel que, ao que tudo indica, deram um tiro pela culatra.





