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Anas al-Sharif: “Nunca hesitei, nem por um único dia, em transmitir a verdade tal como é, sem distorção nem falsificação” (Imagem: Sindicato dos Jornalistas Palestinos / Facebook)

Israel ampliou hostilidade contra Anas al-Sharif após jornalista chorar ao vivo por fome

Anas al-Sharif e outros cinco jornalistas foram assassinados por Israel no domingo (10); Comitê para a Proteção dos Jornalistas classificou a ação sionista como crime de guerra

Redação La Jornada
La Jornada
Cidade do México

Tradução:

Tradução: Ana Corbisier

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas condenou, nesta segunda-feira (11), o ataque de Israel que matou cinco funcionários da Al Jazeera, em Gaza, durante a noite de domingo (10). A entidade enfatiza que os jornalistas nunca devem ser atacados em uma guerra.

“Os jornalistas são civis. Nunca devem ser alvo em uma guerra. Fazer isso é um crime de guerra”, disse Jodie Ginsberg, diretora-executiva do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) em entrevista à AFP.

Em julho, o CPJ pediu proteção para Anas al-Sharif, um dos jornalistas assassinados no ataque israelense, depois que um porta-voz militar israelense afirmou que ele era militante, e acusou Israel de seguir um “padrão” para, “sem apresentar provas críveis”, classificar jornalistas como ativistas do movimento islâmico palestino Hamas.

Defensores da imprensa denunciaram que uma “campanha de difamação” israelense se intensificou quando Anas al-Sharif chorou ao vivo pela fome no território.

Al-Sharif relatou um bombardeio próximo minutos antes de sua morte. Em uma publicação nas redes sociais, que a Al Jazeera informou ter sido escrita para ser divulgada em caso de sua morte, ele lamentou a devastação e destruição causadas pela guerra e se despediu da esposa, do filho e da filha.

Leia mais notícias sobre Gaza na seção Genocídio Palestino.

“Nunca hesitei, nem por um único dia, em transmitir a verdade tal como é, sem distorção nem falsificação”, escreveu o jovem de 28 anos.

Numerosos empregados da Al Jazeera em Gaza enfrentaram acusações semelhantes por parte do exército israelense durante a guerra.

Segundo jornalistas locais que o conheciam, Al-Sharif trabalhou no início da carreira em um escritório de comunicação do Hamas, onde sua função era promover eventos organizados pelo movimento, que desde 2006 atua sobre Gaza.

“A lei internacional é clara ao afirmar que combatentes ativos são os únicos alvos justificados em um cenário de guerra”, disse Jodie Ginsberg, diretora-executiva do CPJ.

Do Pegasus ao Azure: a tecnologia a serviço do genocídio contra os palestinos

“Portanto, a menos que as FDI (acrônimo para Forças de Defesa de Israel) possam demonstrar que Anas al-Sharif continuava sendo um combatente ativo, não há justificativa para sua morte”.

Os funerais dos cinco jornalistas assassinados começaram ainda na segunda-feira. Dezenas de homens, alguns em lágrimas, levaram os corpos das vítimas ao cemitério Sheikh Redouan, na cidade de Gaza, conforme constatou um cinegrafista da AFP.

As cinco vítimas eram os repórteres Anas al-Sharif e Mohammed Qreiqeh, e os cinegrafistas Ibrahim Zaher, Mohammed Noufal e Moamen Aliwa.

Também morreu no ataque israelense um jornalista independente, Mohammed Al Khaldi, que colaborava ocasionalmente com veículos de comunicação locais, segundo o diretor do hospital Al Shifa.


O exército israelense confirmou que havia realizado um ataque contra Anas al-Sharif, de 28 anos. A rede do Catar afirmou que seus empregados morreram em um “ataque israelense direcionado” contra sua tenda na cidade de Gaza, do lado de fora do hospital Al Shifa.

Este é o ataque mais recente contra jornalistas nos 22 meses de guerra na Faixa de Gaza. No total, cerca de 200 trabalhadores da imprensa morreram no conflito, segundo organizações civis.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul Global – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Redação La Jornada

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